11:50 19 Janeiro 2018
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    Explosão nuclear

    Ex-funcionário do Pentágono: saída do Tratado INF abre caminho para corrida nuclear

    CC BY 2.0 / Maxwell Hamilton / Nuclear Explosion Fantasy
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    Os EUA darão luz verde para uma nova onde de gastos em sistemas de armas nucleares estratégicas caso a Casa Branca saia do Tratado INF, acredita o ex-analista do Departamento de Defesa norte-americano, Chuck Spinney.

    Os EUA abrirão as comportas para uma nova onda de gastos em sistemas de armas nucleares estratégicas caso Washington se retire do respeitado Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, (Intermediate-Range Nuclear Forces, em inglês), disse à Sputnik Internacional o ex-analista sênior do departamento de defesa dos EUA, Chuck Spinney.

    Na segunda-feira (26), o portal Politico informou que os legisladores dos EUA haviam enviado uma proposta à Casa Branca incentivando a administração a sair do Tratado INF de eliminação de mísseis de curto e médio alcance, que foi firmado pelo presidente Ronald Reagan e o presidente da União Soviética, Mikhail Gorbachev in 1987.

    "Primeiramente, esta loucura abre caminho para o desenvolvimento do sistema de armas Pershing II, e, provavelmente para o novo míssil de cruzeiro lançado de terra [Ground Launched Cruise Missile, ou GLCM, na sigla em inglês], disse Spinney. " Jogando o Tratado fora, os EUA abrem caminho para gastos nas únicas armas que não estão incluídas no programa de modernização nuclear."

    "Administrações e congressos sucessivos dos EUA foram caminhando como sonâmbulos rumo a uma nova e evitável corrida armamentista com a Rússia", advertiu Spinney.

    A nova geração de mísseis nucleares de médio alcance poderá ser instalada na Europa de Leste, Taiwan, Coreia do Sul e outros países, notou o analista.

    O abandono do Tratado INF dará ao Exército dos EUA a possibilidade de rearmar e reequipar suas forças com mísseis nucleares de curto alcance e iniciar uma nova onda de gastos, prevê Spinney.

    "O aspecto mais atrativo de tal programa é que permitirá ao Exército realizar atividades nucleares. Atualmente, as armas nucleares de ataque são monopolizadas pela Marinha e Forças Aérea, o que enfraquece influência do Exército quanto ao orçamento do Pentágono", disse.

    O poder das Forças Armadas dos EUA depende do valor de dotações financeiras que eles podem controlar, explicou Spinney.

    Ele acrescentou que esta abordagem louca é mais um exemplo de como a política interna "se sobrepõe a uma política externa sensata".

    De acordo com o jornal Politico, os funcionários do Departamento de Estado e de Defesa, bem como os do Conselho de Segurança Nacional reconheceram a importância da preservação do Tratado INF pelos EUA.

    O Tratado INF proíbe às partes possuir mísseis balísticos e de cruzeiro nucleares ou convencionais com alcance de 500 — 5.500 quilômetros. Em diferentes ocasiões, a Rússia e os Estados Unidos apresentaram acusações mútuas de violação do acordo assinado em 1987.

    No final de março do ano corrente, o ministro russo do Exterior, Sergei Lavrov, disse que a Rússia cumpre plenamente o tratado, enquanto o seu cumprimento pelos EUA provoca dúvidas.

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    Tags:
    previsão, ameaça, corrida nuclear, Casa Branca, Rússia, EUA
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