15:36 24 Fevereiro 2020
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    A chanceler alemã Angela Merkel começou em 8 de junho, em Buenos Aires, sua viagem latino-americana que culminará no México. Ambos os países latino-americanos fazem parte do grupo G20, organização dos 20 países mais industrializados, cuja presidência será assumida pela Argentina no próximo ano.

    O economista argentino Marcelo Elizondo disse à Sputnik Mundo que a chanceler alemã está tentando reativar os laços entre seu país e a América Latina, uma região que tem "dois grandes atores históricos" no desenvolvimento de relações bilaterais: o México e o Brasil.

    "A Argentina está procurando se juntar. [O presidente da Argentina] Macri é um impulsionador deste processo. A liderança da Argentina no G20 adquire sua importância especial em termos de uma nova reputação para o país. Atrair investimentos internacionais é seu objetivo principal na área de integração do país na economia global", opinou.

    Para o economista, um dos pontos fundamentais a tratar é o tratado de comércio livre do Mercosul com a União Europeia. "Há 16 anos que há negociações sobre o assunto. Há reuniões técnicas que estão avançando, têm trocado ofertas de vantagens aduaneiras entre ambas as partes. Espera-se que até ao fim deste ano haja algum acordo preliminar que venha a ser uma nova etapa nas relações bilaterais… é uma visita muito importante", concluiu.

    "Vamos apoiar o acordo entre a União Europeia e o Mercosul […] Quando há vontade de cumprir um acordo é porque há bons motivos. Temos que negociar e encontrar compromissos. Claro que terá que se negociar duramente e nem todas as expectativas da Argentina serão concretizadas. Mas isso trará benefício a todos", disse Angela Merkel ao sair da reunião com o presidente Mauricio Macri, segundo o jornal La Nación.

    O jornalista alemão Jurgen Vogt, por sua parte, considerou que a finalidade é muito mais pragmática.

    "A importância da visita se reflete na foto na Casa Rosada [sede da presidência da Argentina]. Para Macri, é importante por causa das eleições legislativas [em 22 de outubro] e ele não tem uma maioria própria. A chamada às urnas será o primeiro exame após quase dois anos da presidência. Suas promessas eleitorais até agora não têm produzido bons resultados. Nem vieram os investimentos, nem cresceu a economia, nem diminuiu a pobreza, pelo contrário, está aumentando, sem falar da inflação enorme. A foto com uma pessoa tão poderosa do Velho Continente, como é Merkel, vem em boa hora", explicou.

    Para Elizondo, é impossível separar a viagem de Merkel das divergências e conflitos verbais com o presidente dos EUA Donald Trump logo após a cúpula do G7 e da OTAN, na Itália e em Bruxelas, que decorreram em maio.

    "Os tempos em que podíamos confiar plenamente nos outros, já passaram. Experimentei-o nos últimos dias, e por isso quero que saibam — temos que lutar pelos nossos direitos e pelo nosso futuro, nós os europeus temos que tomar o destino em nossas próprias mãos", disse Merkel após a cúpula.

    "Depois de Trump ter chegado ao poder, as prioridades estratégicas da UE mudaram. O Mercosul está aproveitando a oportunidade e tentando avançar no cultivo destes laços. Macri está tendo uma intensa presença internacional, mas a América Latina está experimentando um período mau. O Brasil continua com problemas internos, o Chile com um governo esgotado, o México com problemas com os EUA, a Colômbia com um governo de baixa popularidade. O presidente argentino está tentando ocupar um espaço vazio e toma uma posição de liderança", concluiu o especialista.

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    Tags:
    G20, União Europeia, Mercosul, Maurício Macri, Angela Merkel, Alemanha, América Latina, Argentina
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