15:19 21 Setembro 2018
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    O presidente dos EUA Donald Trump

    Confirmado: Trump anuncia que EUA estão fora do Acordo de Paris

    © AP Photo / Andrew Harnik
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    O presidente norte-americano Donald Trump confirmou na tarde desta quinta-feira o que já se esperava: os Estados Unidos estão fora do Acordo de Paris, que em 2015 definiu metas e planos para um maior controle de emissões de gases em todo o planeta.

    O fim da participação do país no acordo climático histórico era uma promessa de campanha de Trump. Em discurso transmitido pelas redes sociais, diretamente da Casa Branca, o republicano afirmou que o acordo “traz custos às vidas dos norte-americanos”. Ele disse ainda que buscará “um acordo melhor”.

    O presidente dos EUA disse ainda que “os trabalhadores norte-americanos vêm em primeiro lugar”, dando a entender que as metas estipuladas pelo documento estariam atrapalhando a geração e manutenção de empregos dentro do país.

    “[Permanecer no acordo] custaria à economia dos EUA a perda de 2,7 milhões de empregos até 2025”, pontuou.

    Trump ainda alfinetou a China e a Índia, países que, de acordo com ele, poderão “fazer o que quiserem” segundo os termos do acordo. “É um acordo muito desvantajoso para os EUA”, destacou, dizendo que cumprir o documento significaria pôr um fim na indústria do carvão local.

    “Esse acordo é muito menos sobre o clima e muito mais sobre outros países ganhando vantagens sobre os EUA”, completou.

    No ano passado, em sua campanha presidencial, Trump garantiu que o acordo custaria ao país trilhões de dólares, sem nenhum benefício tangível. Além disso, o republicano expressou dúvidas sobre as mudanças climáticas, às vezes chamando de embuste para enfraquecer a indústria dos EUA.

    Recentemente, Trump fortaleceu as indústrias de petróleo e carvão nos EUA com uma série de medidas internas, definindo que as prioridades do país não estão nas energias limpas e amigáveis ao meio ambiente.

    “Temos que nos preocupar e vamos nos preocupar com o meio ambiente. Mas não podemos paralisar os nossos negócios e a nossa economia”, disse.

    Promessa de campanha

    A saída dos EUA do Acordo de Paris coloca o país ao lado de países como Síria e Nicarágua, outras duas nações que estão fora do documento assinado por 195 países há dois anos, na capital francesa. Contudo, Trump fez a promessa de sair do acordo no ano passado, durante a sua campanha presidencial.

    Analistas já adiantavam que a decisão a respeito do acordo climático representa mais um duro golpe nas relações com países aliados ocidentais, o que também minaria a liderança mundial dos EUA quanto ao tema. Seria a Casa Branca digna de confiança para cumprir acordos internacionais na gestão Trump? A decisão de sair do acordo aprofunda essa dúvida.

    A comunidade científica já apontou que o aquecimento global está ligado à emissão e queima de combustíveis fósseis, o que ocasiona ainda o aumento de níveis do mar, secas e tempestades cada vez mais frequentes e violentas. Foi esse entendimento que fez com que os quase 200 países se comprometessem a reduzir suas emissões.

    Mais cedo, o Papa Francisco apoiou o acordo e disse que a confirmação da saída dos EUA seria “uma enorme bofetada no rosto” de todo o planeta. No recente encontro entre os dois, o pontífice entregou uma cópia assinada de sua carta encíclica de 2015, que pedia a proteção do meio ambiente contra os efeitos das mudanças climáticas e a evidência científica apoiada que é causada pela atividade humana.

    Consequências

    De acordo com a comunidade científica dos EUA, a saída do país do acordo pode acelerar os efeitos das mudanças climáticas globais, aumentando as chances de eventos como inundações, tempestades, e secas severas.

    Desde que Trump assumiu o país, em 20 de janeiro, ele foi seguidamente pressionado a manter os EUA no acordo – até mesmo a petroleira Exxon Mobil fez o seu lobby para que o país não deixasse o documento assinado com os demais países.

    A mudança de curso vai impedir que os EUA reduzam suas emissões em 26% para 28% em relação aos níveis de 2005 até 2025, conforme previa o documento assinado pelo ex-presidente do país, o democrata Barack Obama. Atualmente, o país é superado apenas pela China em emissões de gases de efeito estufa, representando mais de 15% do total mundial.

    A decisão acontece no ano seguinte ao período de 12 meses já registrado desde o século XIX, quando começaram a ser produzidas estatísticas a respeito das temperaturas médias mundiais.

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    Tags:
    Acordo de Paris, efeito estufa, emissão de gases, meio ambiente, ONU, Mike Pence, Donald Trump, Estados Unidos
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