16:44 21 Agosto 2017
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    O candidato republicano à presidência norte-americana, Donald Trump, toma parte de um evento no âmbito da sua campanha, em 20 de agosto de 2016, na Virgínia

    Fracasso possível: Trump parece ter dificuldades em cumprir suas promessas

    © AFP 2017/ MOLLY RILEY
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    Durante a campanha pré-eleitoral, Trump teve dois pontos negativos principais para criticar. O primeiro era o Obamacare, o segundo – o acordo nuclear de Obama com o Irã. Trump não conseguiu ser bem-sucedido com o Obamacare e parece não ter sucesso com o Irã.

    O fantasma de Obama não deixa em paz o novo chefe da Casa Branca. Donald Trump tem tanta pressa em se livrar do patrimônio do seu antecessor que parece não conseguir considerar todas as vantagens e desvantagens.

    Assim foi com o programa Obamacare. Mas no caso dele os interesses de Trump não receberam a aprovação do Congresso, apesar de os republicanos terem maioria em ambas as câmaras. Como resultado, Trump retirou o projeto de lei que devia abolir o programa. Mas foi a crítica deste programa que permitiu a Trump ganhar as presidenciais nos estados "democratas". Finalmente, Trump comunicou ao The Washington Post que nunca tinha tencionado abolir ou substituir o programa nos primeiros 60 dias.

    Trump prometeu também acabar, em caso de sua vitória, com o acordo com o Irã que a administração de Obama classificava quase como seu maior êxito.

    ​Agora Trump recebeu a possibilidade de rever os acordos sobre o programa nuclear de Teerã. Entretanto, parece que ela tente resolver tudo por si próprio, sem querer saber a opinião dos seus aliados europeus que são parceiros no acordo com o Irã. Trump encarregou o Conselho de Segurança Nacional de verificar a importância para os interesses americanos do levantamento das sanções no âmbito desse acordo.

    As recomendações serão apresentadas ao presidente em três meses, mas o secretário de Estado Rex Tillerson já comunicou que o acordo com o Irã falhou. Segundo ele, "as ambições nucleares" de Teerã continuam representando uma grande ameaça para a "paz e a segurança global". Finalmente, Tillerson comparou o Irã com a Coreia do Norte e prometeu apresentar em breve a nova estratégia dos EUA relativamente à República Islâmica.

    Mas um ponto que ele não considerou no seu discurso anti-iraniano é que o acordo foi assinalado por mais cinco países além dos EUA. Se Washington decidir quebrar o acordo unilateralmente, isso afetaria negativamente as posições dele no palco mundial.

    Além disso, hoje em dia há muitos que necessitam de manter boas relações com o Irã. A Europa já tinha reestabelecido os laços comerciais com o Irã, concluindo contratos comerciais e ninguém não vai abdicar disso.

    ​Assim, falando sobre o fracasso do acordo, a administração de Trump de fato empurra o Irã a proibir quaisquer inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica e a recomeçar seus desenvolvimentos nucleares. E em resultado os EUA se arriscam a obter um presidente iraniano com quem eles nunca conseguirão negociar nada. A firmeza do presidente norte-americano pode jogar contra ele.

    Vale a pena esperar pela decisão do Congresso que aprovou o acordo [com o Irã] durante a presidência de Obama, e para o qual parece mal anular sua própria decisão.

    Olga Geroeva para o serviço russo da rádio Sputnik

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