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    Seios, bundas e lábios protuberantes, um par de costelas amputadas para dar forma bonita à cintura e longo cabelo preto – é a aparência típica de uma "buchona de Culiacán", ou seja, de uma garota que modificou seu corpo através de cirurgias plásticas financiadas por narcotraficantes mexicanos ou por elas mesmas para atraí-los.

    De acordo com ditado popular mexicano, "mais vale viver 5 anos como rei do que 50 como boi". Para o filósofo mexicano Juan Carlos Ayala, esta frase explica a cultura "narco", que se enraizou em territórios mexicanos como Sinaloa, conhecido como "o berço do tráfico de drogas". Lá, o professor universitário observou o aparecimento das "buchonas de Culiacán" – garotas que acompanham os narcotraficantes da capital de Sinaloa.

    "São mulheres que pagam cirurgias plásticas para remover uma parte do seu corpo ou, ao contrário, colocar mais [silicone] na bunda, nos seios e lábios. Elas usam roupas muito provocativas e caras, cabelo, unhas e cílios são falsos. Algumas são damas de companhia, outras já estão envolvidas no tráfico. Com o tempo, elas formaram uma imagem de companheira ou parceira ativa dos criminosos", disse Ayala à Sputnik Mundo.

    Em sua opinião, essas meninas não têm medo de se expor, mesmo conhecendo o risco. Alguns casos foram emblemáticos, por exemplo, o assassinato de Yuriana Castillo, a esposa de um assassino lendário conhecido como "Chino Ántrax" – Chinês Antraz, depois de ele ser detido.

    Yuriana Castillo, a esposa do conhecido Chinês Antraz mexicano, assassinada em 2014
    © Foto / Captura de tela
    Yuriana Castillo, a esposa do conhecido Chinês Antraz mexicano, assassinada em 2014

    De acordo com o filósofo e professor da Universidade Autônoma de Sinaloa, o termo "buchonas" se refere à palavra papo (buche, em espanhol), ou seja, uma doença quando a garganta incha (doença conhecida como bócio) por causa da insuficiência da glândula tiroide. Doença frequentemente observada em regiões montanhosas, onde os traficantes se concentravam.

    "Quando enfrentavam doença de bócio, eles desciam para a cidade [em busca de assistência médica] e se vangloriavam de seu dinheiro. Por isso são conhecidos como buchones e correspondentemente suas esposas são conhecidas como buchonas", disse Juan Carlos Ayala.

    Karla Contreras, morta a tiros em 2013
    © Foto / Captura de tela
    Karla Contreras, morta a tiros em 2013

    Em sua pesquisa, Ayala concluiu que a exposição deste estilo “demasiadamente alambicado" reforça a naturalização da violência na cultura mexicana.

    "Desde janeiro deste ano, foram registrados 410 assassinatos em Sinaloa, em um estado com três milhões de habitantes. A violência se torna absolutamente normal", disse.

    Segundo o filósofo, para muitos jovens a vida de luxo dos traficantes dá-lhes um status social, "predispondo a sociedade à vida criminosa".

    Além disso, o professor notou que a mudança do papel das mulheres no mundo contemporâneo também é refletida no crime organizado, onde, anteriormente, as esposas dos traficantes se envolviam apenas em atividades domésticas.

    "Elas não querem mais só aproveitar o status de namoradas que são sustentadas por eles. Elas não querem passar despercebidas, elas querem destaque. As buchonas fazem parte da cultura em Sinaloa, que já se difundiu em outras partes do México", disse.

    Nas redes sociais há muitos perfis de mulheres que seguem o estilo das "buchonas". Alguns perfis promovem marcas de roupa, maquiagem, cabeleireiro ou modelos femininos.

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    Tags:
    cirurgia plástica, traficantes, Culiacán, Culiacan, México
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