09:01 15 Outubro 2019
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    Desenvovlimento nuclear

    EUA acusam Rússia de violação do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário

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    Washington acredita que Moscou violou os princípios do tratado ao deslocar mísseis terrestres no seu território. Entretanto as autoridades russas têm negado repetidamente tais acusações.

    Anteriormente, os EUA haviam acusado a Rússia do desenvolvimento de mísseis proibidos pelo tratado. Em particular, se trata da criação do SSC-8, análogo terrestre do míssil de cruzeiro Kalibr-NK.

    Além disso, em fevereiro o jornal New York Times, citando fontes não identificadas, comunicou que a Rússia teria formado uma subdivisão de mísseis de cruzeiro terrestres. Washington classificou isso como violação do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário. 

    Posição da Secretaria da Defesa dos EUA 

    O vice-chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, Paul Selva, falando perante o Congresso, acusou Moscou de deslocamento de mísseis terrestres proibidos pelo Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário. O general norte-americano afirmou que as autoridades russas violam "a letra e o espírito" do documento, assinado em 1987. 

    "Este sistema representa ameaça para a maioria das nossas estruturas na Europa e estamos certos de que a Rússia o desloca intencionalmente para ameaçar a OTAN e as estruturas na zona de responsabilidade da OTAN", afirmou Paul Selva. 

    Ele também duvida que Moscou "volte a respeitar o Tratado INF" e chamou Washington a "buscar meios de pressão sobre a Rússia". 

    Departamento de Estado apoia os militares

    A posição do Pentágono foi apoiada no Departamento de Estado. 

    "Continuamos acreditando que a Rússia viola as suas obrigações no âmbito do Tratado", comunicou Mark Toner, representante da entidade. 

    Não é a primeira vez que Washington acusa a Rússia de violação do tratado. Assim, em outubro do ano passado, o secretário da Defesa John Kerry chamou a Rússia a "voltar a cumprir" o tratado. 

    "Conforme disse o presidente Obama, as regras devem ser obrigatórias. Por isso, chamamos a Rússia a voltar a cumprir o tratado e o seu objetivo: a destruição de uma classe inteira de armas nos nossos arsenais em nome dos interesses da Europa, da Ásia e do resto do mundo", disse Kerry.

    ​O novo presidente dos EUA Donald Trump tinha comunicado que pretendia discutir o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário durante a reunião com Vladimir Putin.

    Posição de Moscou

    Soldados americanos perto de um sistema antimísseis Patriot em Sochaczew, perto de Varsóvia, Polônia
    © REUTERS / Franciszek Mazur/Agência Gazeta
    Comentando as pretensões de Washington sobre os mísseis de cruzeiro, Mikhail Ulyanov, diretor do departamento para assuntos de controle e não proliferação de armas do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, disse à Sputnik que tais declarações são infundadas. 

    "Nos voltamos de novo a deparar com acusações infundadas contra nós, o artigo não divulga as mínimas provas para argumentar tais suspeitas ou acusações. São citadas fontes anónimas, é o mesmo que acontecia durante a administração antiga. É claro que não podemos tomar tais publicações a sério", comunicou Ulyanov.

    ​Entretanto o porta-voz do presidente russo Dmitry Peskov comunicou que Moscou não recebeu quaisquer pretensões oficiais sobre o Tratado.

    Disputa por causa dos Iskander

    O presidente da Academia de Problemas Geopolíticos, Konstantin Sivkov, tinha comunicado anteriormente que o deslocamento de sistemas Iskander-M não viola o tratado. 

    "Se trata do deslocamento de mísseis de cruzeiro do sistema Iskander-K que pode ser dotado de mísseis de cruzeiro de curto alcance (até 500 quilômetros). Não se tratou de mísseis de cruzeiro na generalidade. Não é proibido deslocar tais mísseis em terra, e a Rússia possui tais mísseis", acrescentou Sivkov. 

    Segundo ele, as novas acusações surgem para "justificar o deslocamento da infraestrutura de mísseis de longo alcance com base nos lança-mísseis Mk-41 que os EUA estão implantando na Europa a pretexto dos sistemas de defesa antimíssil". 

    O que prevê o tratado 

    O Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário foi assinalado em 8 de dezembro de 1987 em Washington pelo líder da União Soviética Mikhail Gorbachov e o presidente norte-americano Ronald Reagan.

    O tratado entrou em vigor em 1 de junho de 1988. De acordo com o documento, as partes se comprometeram a não criar, testar e deslocar mísseis balísticos e de cruzeiro terrestres de médio alcance (de 1.000 a 5.500 quilômetros) e curto alcance (de 500 a 1.000 quilômetros).

    As obrigações do tratado foram cumpridas até junho de 1991. A União Soviética destruiu 1.846 sistemas de mísseis, os EUA — 846. 

    Este tratado foi o primeiro caso histórico em que as partes conseguiram negociar uma redução de armas.  

    O documento proíbe a Rússia e os EUA de possuírem mísseis balísticos terrestres e mísseis de cruzeiro com alcance operacional de 500 a 1.500 quilômetros. 

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    Tags:
    história, reação, tratado, acusações, violação, respeito, nuclear, produção, Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, Departamento de Estado, Pentágono, Rússia, EUA
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