18:59 23 Agosto 2019
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    Mahershala Ali de Moonlight posa com seu Oscar de Melhor Ator Coadjuvante.

    Um muçulmano ganhou um Oscar pela 1ª vez na história. Mas o Paquistão não está feliz

    © REUTERS / Lucas Jackson
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    Mahershala Ali fez história no domingo ao se tornar o primeiro ator muçulmano a ganhar um Oscar por Moonlight, um filme com elenco negro e que versa sobre um homossexual. Mas houve quem não ficasse feliz: de acordo com a The Atlantic, a enviada do Paquistão às Nações Unidas, Maleeha Lodhi tweetou ironicamente sobre o feito.

    O motivo é curioso: pela lei paquistanesa, Mahersala Ali não é muçulmano. Isso porque ele segue a seita Ahmadiyya do Islã, que é proibida no Paquistão. Os Ahmadis são frequentemente vítimas de perseguição legal e de vigilantes. 

    O Paquistão proíbe há 42 anos, que ahmadis se declarem muçulmanos por divergências sobre quem é o messias da religião. Enquanto os sunitas acreditam em Muhammad (Maomé), os ahmadi creem que ele foi Mirza Ghulam Ahmad, o indiano fundador da seita, o que de acordo com a lei "contraria o princípio fundamental do islamismo".

    Ser um praticante da fé Ahmadiyya foi considerado crime pelo código penal paquistanês em 1984 e a religião é considerada uma forma de blasfêmia. O simples uso de "ahmadi" como adjetivo tem conotação pejorativa no país e usado como xingamento xenofóbico.

    ​Isso explica o tweet (agora apagado) de Lodhi. Ali pode ser o primeiro "algo", mas no entendimento da enviada, não o primeiro muçulmano a vencer a maior honraria do cinema mundial.

    Tags:
    Oscar 2017, The Atlantic, Ahmadiyya, Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, ONU, Mirza Ghulam Ahmad, Muhammad, Maleeha Lodhi, Mahershala Ali, Maomé, Estados Unidos, Paquistão
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