12:15 14 Dezembro 2018
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    Teste nuclear

    Especialista explica por que os EUA não ganhariam uma guerra nuclear contra a Rússia

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    David Goldfein, chefe de gabinete da Força Aérea dos EUA, anunciou recentemente que Washington planeja uma revisão abrangente de sua doutrina nuclear.

    Como indicado pelos militares em uma conferência de imprensa, a equipe da nova administração da Casa Branca, liderada pelo presidente Donald Trump, "lançará uma nova perspectiva sobre o assunto".

    "Espero que uma revisão da doutrina nuclear possa ocorrer ainda nesta primavera", disse ele, referindo-se ao período que compreende entre março e junho.

    De acordo com Goldfein, a nova revisão irá abranger todos os componentes da tríade nuclear de mísseis balísticos intercontinentais lançados a partir de silos, bombardeiros estratégicos e submarinos nucleares. Ele também irá realizar discussões sobre "ogivas nucleares, o seu poder e a quantidade necessária", além de "consultas sobre contenção no século XXI".

    A questão da necessidade de modernização em larga escala do arsenal nuclear dos EUA foi levantada pela primeira vez em março de 2016, após a aprovação do orçamento do Pentágono. A nova bomba nuclear B61-12, programada para entrar em serviço em 2020, causou o maior número de disputas devido ao seu alto preço de US$8,1 bi.

    No entanto, de acordo com especialistas militares, a nova arma não só terá alta precisão, mas também terá maior alcance e melhor capacidade de planejamento. Graças ao seu pequeno tamanho, a B61-12 pode ser instalada em aeronaves táticas como F-15E, F-16, Tornado, B-2 e B-21. Além disso, devido a suas ogivas de poder diminuídas — até 50 kilotons — poderia ser usada no campo de batalha sem causar danos desastrosos ao ambiente.

    Cruzador porta-mísseis nuclear pesado Pyotr Velikiy no Oceano Atlântico
    Assessoria de imprensa da Frota do Norte
    Com a chegada de Donald Trump na Casa Branca, todos os avanços recentes na tecnologia nuclear militar dos EUA podem ser adaptados para a nova doutrina nuclear do país. Antes de tomar posse, o novo líder dos EUA disse que o arsenal nuclear russo é mais inovador que o dos EUA, o que poderia ser "uma grave ameaça" para Washington.

    De acordo com Mikhail Aleksandrov, especialista do Centro de Estudos Políticos e Militares do Instituto de Relações Internacionais de Moscou, após a dissolução da União Soviética, os EUA acreditavam que a Rússia "se desintegraria ao longo do tempo", então armas nucleares não seriam necessárias. Além disso, mais tarde, no início de 2000, Washington "tinha uma superioridade significativa de armas convencionais sobre a Rússia", enquanto outros países não foram capazes de desafiar o domínio de os EUA.

    "Como resultado, Washington estava convencido de que as armas nucleares tinha perdido relevância. Além disso, […] foi assinado o START III com Moscou" Alexandrov explica, em referência ao Tratado de Redução de Armas Estratégicas assinado em 2010 como medida para reduzir o arsenal nuclear em ambas as nações.

    Além disso, referindo-se a armas estratégicas dos EUA, Aleksandrov ressaltou que os mísseis de lançamento nuclear LGM-30 Minuteman "se tornaram obsoletos", enquanto "a confiabilidade dos mísseis balísticos intercontinentais para os submarinos Trident" também tinha sido "questionada".

    O arsenal nuclear da Rússia, além das bombas, tem a Iskander-M de 400 quilômetros de alcance tanto balístico quanto de cruzeiro, com mísseis de cruzeiro Kalibr e mísseis de superfície equipados com ogivas nucleares.

    "Em outras palavras, a Rússia tem um conjunto muito mais diversificado de armas nucleares, o que proporciona alguma flexibilidade em seu uso no decorrer de um conflito militar", disse Aleksandrov.

    Comentando sobre as características da bomba B61-12 EUA, o especialista disse que esta arma é capaz de planejar o ataque a uma distância de até 30 quilômetros. Esta qualidade, acreditam os especialistas, permitiria que os aviões táticos dos EUA lançassem ataques sem ter que entrar na área de defesa aérea inimiga

    No entanto, Aleskándrov salientou que este argumento não é sustentável porque a área de cobertura do sistema russo de lançamento de mísseis S-300 é de 150 quilômetros. Portanto, as armas nucleares táticas dos EUA "têm um alcance de aplicação muito estreito".

    "[Para realizar uma guerra nuclear tática com a Rússia] os Estados Unidos não têm as ferramentas necessárias, parece que este será o tema principal das discussões mencionadas por Goldfein", disse ele.

    Desta forma, continuou ele, o país norte-americano "realmente precisa de uma revisão de sua postura nuclear", especialmente no momento em que "novos adversários poderosos, como a China e, no futuro, o Irã emergem".

    Enquanto isso, deve-se notar que a Rússia reiterou em várias ocasiões que não representa ameaça para ninguém e seu único objetivo é defender o país e seu povo.

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    Tags:
    START III, B-21, B-2 Spirit, Tornado, B61-12, F-15E, Iskander-M, F-16, Centro de Estudos Políticos e Militares do Instituto de Relações Internacionais de Moscou, Força Aérea dos EUA, Casa Branca, Mikhail Aleksandrov, Donald Trump, Estados Unidos, Irã, China, Moscou, Washington
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