22:05 22 Julho 2019
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    Inauguração do monumento a Stepan Bandera, líder ideológico da Organização dos Nacionalistas Ucranianos, em Lviv (Ucrânia)

    Arquivos da CIA confirmam que EUA financiaram nacionalistas radicais da Ucrânia

    © Sputnik / Miroslav Luzhetsky
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    Os serviços secretos dos EUA consideravam a Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN) como terroristas, mas isso não os impediu de lhes prestar apoio financeiro desde o início da Guerra Fria, revelam os documentos de arquivo da Agência Central de Inteligência (CIA, Central Intelligence Agency) dos EUA.

    A CIA publicou recentemente cerca de 13 milhões de páginas de documentos desclassificados, incluindo sobre a Guerra Fria, que antes tinham estado disponíveis somente em quatro terminais de computador no Arquivo Nacional no estado de Maryland.

    Uma série das organizações seguidoras ideológicas da Organização dos Nacionalistas Ucranianos, incluindo o Exército Insurgente Ucraniano (UPA), são reconhecidas como organizações extremistas na Rússia e sua atividade é proibida. Entretanto, elas não estão na lista das organizações terroristas do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

    Organizações terroristas

    Entre os documentos publicados há uma referência de 4 de fevereiro de 1948 sobre o líder da Organização dos Nacionalistas Ucranianos, Stepan Bandera.

    "Ele foi membro do grupo terrorista Organização dos Nacionalistas Ucranianos e esteve ligado ao assassinato de Bronislaw Pieracki, ministro do Interior da Polônia", diz o documento.

    Pieracki foi assassinado em Varsóvia por um ativista dessa organização em 1934. Depois disso, as autoridades polonesas prenderam quase todos os líderes da organização, incluindo Bandera, e os condenaram à morte, mas a sentença não foi executada.

    O documento também descreve os eventos principais da biografia de Bandera no período da Segunda Guerra Mundial e refere que essa organização foi transformada em Exército Insurgente Ucraniano para "lutar contra as tropas alemãs e soviéticas".

    Após a guerra, Bandera criou o Conselho de Libertação Nacional da Ucrânia e o Bloco Antibolchevique de Nações. Quando o referido documento foi preparado, os adeptos de Bandera continuavam realizando sua atividade em regiões sob influência soviética, parte deles se deslocou para a Argentina, aponta o documento.

    Financiamento da Organização dos Nacionalistas Ucranianos

    Entre os documentos publicados há alguns que referem diretamente o apoio financeiro da Organização dos Nacionalistas Ucranianos pelos EUA após a Segunda Guerra Mundial para combater a União Soviética. Mas do texto foram retirados as somas e os nomes de bancos que realizavam a transferência de dinheiro.

    Alguns documentos estão relacionados com a famosa operação Aerodynamic (Aerodinâmica), organizada pela CIA em conjunto com os serviços de inteligência da Grã-Bretanha, Itália e Alemanha Ocidental em 1948.

    Como contato principal por parte da Organização dos Nacionalistas Ucranianos foi escolhido o chefe do Serviço da Segurança da OUN Nikolai Lebed. No início, a operação foi planejada para "oferecer resistência e realizar serviços de inteligência" no território da República Socialista Soviética da Ucrânia. No entanto, após seu revés que resultou de ações dos serviços secretos soviéticos em 1954, sua orientação foi mudada para luta ideológica contra a União Soviética através do programa Prolog (Prólogo). A operação foi definitivamente encerrada apenas em 1990. Mais tarde, ela foi estudada em algumas investigações realizadas com base em documentos desclassificados pelo governo dos EUA nas décadas de 1990-2000.

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    Tags:
    radicais ucranianos, rebeldes, operação secreta, ativistas, documentos secretos, apoio, organização terrorista, Segunda Guerra Mundial, Guerra Fria, Exército Insurgente Ucraniano, Organização dos Nacionalistas Ucranianos, CIA, União Soviética, Rússia, Ucrânia, EUA
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