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    Presidente e CEO da ExxonMobil, Rex Tillerson, falando na Conferência Mundial do Gás em Paris, 2 de junho de 2015

    Posição dura ou mera tática: O que esperar do novo secretário de Estado dos EUA?

    © AFP 2017/ ERIC PIERMONT
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    Se Rex Tillerson for confirmado como o novo secretário de Estado norte-americano, promoverá a política do presidente eleito Donald Trump, que apoia laços mais estreitos entre Washington e Rússia, opina Valery Garbuzov, diretor do Instituto dos Estudos dos EUA e Canadá.

    Tillerson, que é conhecido pelos bons contatos com políticos russos e mesmo pelo fato de manter relações pessoais com o líder russo Vladimir Putin, foi criticado pela sua incapacidade de promover uma posição dura em relação à Rússia nas audiências no Senado, que devem confirmar a sua candidatura.

    Entretanto, durante as audiências Tillerson sublinhou que apoia as sanções anti-russas, inclusive a contraditória lei Magnitsky, uma resposta punitiva à reunificação da Crimeia com a Rússia e a ideia de que alegados bombardeamentos da Rússia e Síria em Aleppo "violam o direito internacional".

    Além disso, Tillerson disse ao comité que "enquanto a Rússia aspira a ser respeitada e ter relevância no palco internacional, as suas recentes atividades não respeitam os interesses norte-americanos".

    Comentando este aspecto, Valery Garbuzov descreveu este esforço para criticar a Rússia durante as audiências no Senado como uma tática perante as circunstâncias.

    "Fazer os senadores confirmarem a sua nomeação é uma tarefa delicada para Tillerson, por isso não esperaríamos que fizesse um discurso pró-russo, especialmente no Senado. Penso que as suas declarações têm a ver com a tática que promove", disse Garbuzov à Sputnik Internacional.

    "De um lado, é uma pessoa pragmática que apoia a revisão das relações russo-americanas, de outro lado – em breve se tornará um alto funcionário, que é obrigado dizer outras coisas. Entretanto, isso não significa que a sua ação como secretário de Estado dos EUA siga a mesma linha", disse Garbuzov.

    Na opinião de Garbuzov, Tillerson, se conseguir ocupar o cargo, seguirá a política de Trump, que quer melhorar a s relações russo-americanas.

    A mesma opinião foi ecoada pelo presidente do Comité de Assuntos Internacionais da Duma de Estado (câmara baixa do parlamento russo), Leonid Slutsky.

    "Sim, estas declarações não devem ser consideradas como o vetor definitivo da política externa da nova administração dos EUA", disse Slutsky acrescentando que Tillerson não exclui o diálogo com Moscou apesar da sua retórica violenta.

    Ao mesmo tempo, o analista político Evgeny Minchenko avisou contra a ingenuidade de considerar Tillerson um político pacífico em relação à Rússia que se esforçará por estabelecer a paz apesar da vontade da Casa Branca.

    Na opinião de Timofey Bordachev, da Escola Superior de Economia de Moscou, nem Trump, nem a sua administração serão parceiros fáceis para a Rússia, porque podem apresentar muitas surpresas pouco agradáveis a Moscou.

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    Tags:
    opinião, política, posição, Rex Tillerson, Rússia, EUA
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