01:07 22 Fevereiro 2020
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    A notificação feita pelos países-membros do Mercosul — Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai — à Venezuela de sua suspensão do bloco, por não atender aos acordos e normas consideradas essenciais à adesão, dividiu a bancada do Parlamento do Mercosul (Parlasul).

    Enquanto alguns parlamentares brasileiros que integram o Parlasul, como o deputado federal Ságuas Moraes (PT-MT), condenam o afastamento da Venezuela do bloco, outros comemoram, como o deputado federal Arthur Maia (PPS-BA). Em entrevista à Sputnik Brasil, Maia disse que a Venezuela não deveria nunca ter feito parte do Mercosul, porque a associação exige que um país, para ser seja aceito como membro efetivo, seja um estado democrático de direito.

    "Esse não é o caso da Venezuela há muito tempo. Um país que cerceia as atividades políticas, um país com essas características não poderia estar no bloco. Espero que a ação de agora evolua com brevidade com a exclusão do país enquanto não forem retomados os conceitos báscos democráticos que um país precisa ter para participar do bloco. A Venezuela vive um estado de absoluto desrespeito  às normas democráticas. Esse comportamento não é o que o bloco prega. A suspensão nesse momento é uma mudança significativa."

    Para Maia, o anúncio, já feito pelo governo venezuelano de que vai recorrer da decisão junto ao Comitê de Controvérisas do bloco, será meramente protocolar em termos de efeito prático.

    "Não vejo nenhuma possibilidade da Venezuela poder retomar essa condição (de voltar a ser membro efetivo), porque o Mercosul tem autonomia perante seus membros para tomar a decisão que lhe aprouver." 

    O parlamentar do PPS diz também ter dúvidas se uma eventual entrada da Bolívia no bloco — como já solicitado pelo governo do presidente Evo Morales — agregaria vantagens ao Mercosul.

    "É outro país que tem tido um comportamento autoritário, desrespeitoso com os direitos humanos. Não vejo qual contribuição a Bolívia possa dar." 

    Na visão de Maia, há muitas questões que precisam ser tratadas no Mercosul, como a exclusividade que o Brasil assumiu de não poder fazer acordos bilaterais com outros blocos enquanto membro do Mercosul. 

    "Fico pensando se isso de fato nos serve. Tenho grandes dúvidas em relação a isso e acho que a maioria das pessoas também tem. Como pode um país da importância do Brasil conviver com um processo econômico tão limitado enquanto outras nações tem se desenvolvido, através de acordos multilaterais, e logrado êxito muito mais amplo do que o Brasil. É o caso do Tratado do Pacifico do qual o Brasil fica fora."

    Maia afirma que o Mercosul tem escolhido parceiros comerciais muito mais em função da ideologia do que da efetiva contribuição que possam dar ao desenvolvimento do comércio internacional para o Brasil. 

    "Esse tipo de debate vai ter que ser feito. Tenho certeza que nosso chanceler José Serra já se preocupa há algum tempo com essa questão. Precisamos amadurecer essa discussão, porque não faz nenhum sentido essa atitude que vem sendo tomada pelo Brasil com relação ao comércio exterior e particularmente em relação a essas teses de exclusividade com os acordos multilaterais e o nosso país."

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    Tags:
    América do Sul, acordos bilaterais, comércio exterior, diplomacia, sanções, PPS, Parlasul, PT, Itamaraty, Mercosul, Ságuas Moraes, Arthur Maia, José Serra, Venezuela, Brasil
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