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    Trump falando ao público em 8 de fevereiro de 2016

    Ordem mundial de Trump: Como poderá mudar a política externa dos EUA?

    © AFP 2017/ Don EMMERT
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    Depois de o novo presidente dos EUA Donald Trump tomar posse, se espera que na política internacional aconteçam mudanças significativas, inclusive um diálogo com a Rússia, o possível cancelamento do acordo final sobre o programa nuclear iraniano e o aprofundamento de tensões com Cuba.

    Rússia

    Durante toda a campanha eleitoral, Donald Trump foi criticado pelos seus apelos para restaurar a amizade entre Moscou e Washington e desenvolver a cooperação na luta contra o terrorismo.

    Além disso, Trump fez uma série de referências elogiosas à Rússia e ao seu presidente Vladimir Putin, mas insistiu que não tem quaisquer ligações com o Kremlin.

    Algumas publicações norte-americanas e apoiantes de Hillary Clinton chamaram abertamente Trump de candidato pró-russo.

    Depois da sua vitória, Trump afirmou que quer ter boas relações com Moscou.

    Em conversa telefônica com o presidente recém-eleito, o presidente russo desejou-lhe sucesso na implementação do programa eleitoral.

    Trump e Putin compartilham suas visões sobre a luta contra o terrorismo e extremismo internacional e a regularização da crise na Síria.

    O conselheiro de Trump e ex-diretor da CIA, James Woolsey, disse em entrevista recente ao RT que há uma chance de normalizar as relações entre Moscou e Washington.

    "Há oportunidades para os antigos adversários – EUA e Rússia – trabalharem em conjunto em alguns assuntos", afirmou.

    Na sexta-feira (18), Trump anunciou as primeiras nomeações para a sua equipe. Entre elas está o general aposentado Michael Flynn, que foi nomeado conselheiro do presidente para assuntos de segurança nacional.

    Segundo Sergei Rogov do Instituto dos Estudos Americanos e Canadenses da Academia de Ciências da Rússia, ele é "uma das pessoas na equipe de Trump que apoia o recomeço de contatos com o governo russo".

    "A nomeação de Flynn indica que provavelmente Trump quer lançar um diálogo sério com a Rússia. O assunto e os termos de tal diálogo permanecem pouco claros. Mas isso é um fato", disse ele à agência russa RIA Novosti.

    China

    Primeiros contatos entre Donald Trump e o governo chinês revelaram que nas relações entre Washington e Pequim poderá haver uma melhoria.

    Durante negociações telefônicas, Trump e o presidente chinês Xi Jinping concordaram que é necessário desenvolver laços entre as duas maiores economias do mundo.

    "Ao longo da conversa os líderes definiram um claro sentimento de respeito mútuo, o presidente recém-eleito Trump afirmou pensar que os dois líderes terão o desenvolvimento de uma das relações mais estreitas para ambos dos países", disse o gabinete transitório de Trump.

    Washington e Pequim devem "promover o desenvolvimento econômico dos dois países e o crescimento da economia global" e "o estímulo para melhorar o desenvolvimento das relações sino-americanas", citou o canal CCTV as palavras de Xi Jinping.

    Entretanto, durante sua campanha eleitoral Donald Trump criticou a China e ameaçou introduzir uma tarifa de 45% sobre produtos chineses e chamou Pequim de manipulador de moeda.

    Síria

    Donald Trump disse repetidamente que o Ocidente deve combater os terroristas do Daesh na Síria ao invés de tentar derrubar o presidente sírio Bashar Assad.

    Ao mesmo tempo, Washington tem financiado desde há muito tempo grupos rebeldes que lutam contra o governo sírio. A posição oficial de Washington sobre a crise na Síria contradiz as declarações de Trump.

    Em resposta, Assad expressou suas esperanças de que o governo sírio possa saudar os esforços de Washington se Trump pretender combater o terrorismo.

    "Portanto, nada podemos dizer quanto ao que ele irá fazer, mas se – digo "se" – ele combater os terroristas, é claro que seremos um aliado natural, juntamente com os russos, os iranianos e muitos outros países que querem derrotar os terroristas”, disse Assad à emissora portuguesa RTP na semana passada.

    França

    O presidente francês François Hollande não ficou muito entusiasmado com a vitória de Trump. Segundo ele, esta vitória marcou o começo de um período de incerteza nos EUA.

    "O povo dos Estados Unidos votou em Donald Trump. Felicitei-o porque isso é natural nas relações entre presidentes de dois países democráticos… Estas eleições abrem um período de incerteza", disse Hollande.

    Anteriormente, ele disse que a vitória de Trump criaria dificuldades nas relações entre Washington e Paris.

    Hollande criticou repetidamente a política da administração de Barack Obama.

    No livro "Um presidente não devia dizer isso…" dos jornalistas Gérard Davet e Fabrice Lhomme, contendo revelações do presidente francês, Hollande acusou Washington pelo fortalecimento do Daesh.

    Segundo Hollande, a ascensão do Daesh é uma consequência da recusa de Obama em lançar ataques aéreos contra a Síria em 2013.

    Ao mesmo tempo, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Marc Ayrault, sublinhou sua determinação em cooperar com Washington.

    Segundo o ministro, a França espera que os EUA clarifiquem sua posição sobre uma série de assuntos, inclusive a crise síria, o programa nuclear iraniano e outros.

    Israel

    Os EUA e Israel esperam fortalecer sua cooperação durante a presidência de Trump.

    Depois das eleições, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu telefonou a Trump e disse que Tel-Aviv permanecerá um aliado próximo de Washington.

    Em resposta, Trump convidou o premiê israelense para visitar os EUA.

    Netanyahu expressou a esperança que Israel possa continuar sua política de "diplomacia silenciosa" lançada sob a administração Obama.

    "Trabalharemos em conjunto para avançar na segurança, estabilidade e paz na região", disse Netanyahu.

    "As ligações entre os EUA e Israel são baseadas em valores comuns, interesses comuns e no futuro comum. Estou seguro que o presidente recém-eleito Trump e eu continuaremos fortalecendo a aliança especial entre Israel e os EUA que levaremos a novas altitudes", acrescentou.

    Mais antes, Donald Trump prometeu deslocar a embaixada norte-americana de Tel Aviv para Jerusalém e prestar apoio incondicional a Israel.

    Reino Unido

    As relações tradicionalmente calorosas entre Washington e London deverão se manter as mesmas sob o governo de Trump.

    Depois das eleições nos EUA, a primeira-ministra britânica Theresa May disse que a Grã-Bretanha permanecerá um aliado próximo dos EUA, inclusive na economia, segurança e defesa.

    "O Reino Unido e os Estados Unidos têm uma relação longa e especial baseada nos valores de liberdade, democracia e empreendedorismo. Somos e seremos parceiros fortes e próximos em assuntos de comércio, segurança e defesa", disse May.

    A primeira-ministra acrescentou que espera "assegurar a segurança e prosperidade das nossas nações nos próximos anos".

    Ao mesmo tempo, o ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Boris Johnson, ecoou a declaração de May e sublinhou a importância das relações anglo-americanas.

    Mais antes, foi divulgado que o governo britânico considerava a hipótese de convidar Trump para uma visita oficial no próximo ano.

    Alemanha

    Berlim confirmou sua determinação de cooperar com a Casa Branca.

    "A parceria com os EUA é e permanecerá uma pedra angular da política externa da Alemanha. Através [desta parceria] poderemos enfrentar muitos desafios do nosso tempo – aspiração à prosperidade econômica e social, perspectivas de política climática, luta contra o terrorismo, pobreza, fome e doenças e empenho pela paz e liberdade – na Alemanha, Europa e no mundo", disse Merkel.

    Ela também disse que a Alemanha precisa de cooperar com os EUA na área de inteligência para enfrentar ameaças terroristas.

    Irã

    Hassan Rouhani disse que a vitória de Donald Trump não influenciará a política externa de Teerã.

    Ele também sublinhou que a expansão das relações com outros países depois do levantamento de sanções é irreversível.

    Ao mesmo tempo, Trump disse que irá reestruturar o acordo final sobre o programa nuclear iraniano assinado sob a administração Obama.

    Em entrevista ao RT, James Woolsey disse que o novo presidente norte-americano tomará uma posição mais dura em relação ao Irã do que a seguida pelo governo anterior.

    Cuba

    Donald Trump não apoia a melhoria das relações entre Washington e Havana, que começou depois da visita de Obama a Cuba em março de 2016.

    Uma das promessas de Trump durante sua campanha eleitoral foi o cancelamento de relações diplomáticas com Cuba.

    O presidente cubano Raul Castro felicitou Trump. Entretanto, no dia de divulgação de resultados das eleições norte-americanas, Havana anunciou exercícios militares de cinco dias se preparando para "responder a ações do inimigo".

    México

    As eleições norte-americanas foram de interesse especial para o México. Durante a sua campanha, Trump fez algumas declarações sobre migrantes ilegais vindos do México para os EUA.

    Depois da sua vitória, Trump confirmou seu plano de construir um muro na fronteira com o México para diminuir o fluxo de migrantes.

    Ele afirmou que ainda quer construir o muro porque é uma coisa apropriada.

    A vitória de Trump afetou de forma indireta a economia mexicana por causa da queda de taxa de câmbio da moeda mexicana. Durante as primeiras horas após a vitória de Trump o peso mexicano desvalorizou 10%.

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    Tags:
    relações bilaterais, segurança, vitória, política externa, Donald Trump, EUA, México, Cuba, Irã, Alemanha, Reino Unido, Israel, França, Síria, China, Rússia
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