06:11 23 Outubro 2018
Ouvir Rádio
    O presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente Dos EUA, Barak Obama

    Por onde começar a 'reinicialização' das relações russo-americanas?

    © Sputnik / Sergei Guneev
    Américas
    URL curta
    540

    A campanha eleitoral do presidente eleito dos EUA, Donald Trump, foi marcada por muitas declarações sobre o desejo de ter relações mais construtivas com Moscou.

    Ao contrário de Obama, que escolheu uma atitude rígida em relação a Moscou, Trump poderá vir a encontrar a solução para esta longa crise, escreve o observador Mark Rozen do jornal The National Interest.

    Rozen pensa que o tema mais prometedor da "reinicialização", o Ártico, permanece na periferia do discurso principal das relações russo-americanas: ao contrário da Síria ou da Ucrânia, onde a regulação dos conflitos vai durar muito tempo e exige a atenção imediata, no Ártico Moscou e Washington têm interesses mútuos.

    Muitas pessoas na Casa Branca pensam que o Ártico é um sítio onde vivem ursos polares e se encontram centros de pesquisas e os cientistas controlam as mudanças climáticas, nota o especialista. Entretanto, o aspecto principal das mudanças climáticas no continente é o nascimento de um novo oceano, que pode ser usado para o transporteo de petróleo e gás da Europa para Ásia.

    As estimativas sobre os recursos do Ártico ultrapassam tudo o que se esperaria: mais de 80 por cento das reservas de gás não extraído e 70 por cento de petróleo da Rússia localizam-se nas zonas do Ártico, principalmente no mar de Barents, no mar de Kara e na bacia de Timan-Pechora, aponta o observador do NI. Segundo o relatório do serviço geológico dos EUA (2008), 13 por cento das jazidas mundiais não exploradas de petróleo (90 bilhões de barris) e 30 por cento das jazidas de gás ficam no Ártico.

    O especialista está seguro de que o gelo desaparecerá em breve no Oceano Glacial Ártico e começará uma luta pelos vários recursos – desde o petróleo ao gás até à possibilidade de dar acesso tanto ao turismo como ao controlo da navegação marítima na região. Se a atividade humana começar no Ártico imediatamente, os EUA serão deixando para trás e tais países como a Rússia, Groenlândia, Islândia e Noruega vão beneficiar das riquezas desta região.

    As sanções introduzidas pela Casa Branca em relação à Rússia desempenharam um papel importante, aponta Rozen. A petrolífera Exxon Mobil, que planejava realizar muitos projetos conjuntos com a Rosneft no Ártico, foi uma das afetadas pelas sanções. Após o estabelecimento de uma empresa conjunta com a estatal Rosneft, as duas petrolíferas conseguiram explorar algumas jazidas no mar de Kara, mas depois da introdução das sanções os projetos foram cancelados. Em resumo, as petrolíferas russas perderam o acesso às tecnologias de extração americanas e os americanos perderam parte no mercado ártico de hidrocarboneto.

    Depois, a petrolífera Shell tentou explorar as jazidas de petróleo no mar de Chukchi, mas o seu projeto, no valor de dois bilhões de dólares, não foi um sucesso. A China também está interessada nesta região, considerando o Ártico uma das direções prioritárias do desenvolvimento econômico e investindo em projetos de grandes jogadores regionais. Assim, em 2012, a China National Offshore Oil Corporation (CNOOC) comprou a petrolífera canadense Nexen por 15,1 bilhões de dólares para começar a sondagem em Yukon. Pequim também investiu mais de 10 bilhões de dólares em projetos russos de petróleo e gás.

    O analista supõe que os investimentos chineses no Ártico poderão tornar-se um instrumento de mudança da paisagem política e jurídica na região – uma mudança completa do equilíbrio de forças a favor de Pequim.

    "É necessário considerar que a força da China é o dinheiro, o presidente Trump deve propor ao seu homôlogo Putin estabelecer, junto com a Noruega, Dinamarca e Groenlândia, um banco de desenvolvimento para o Ártico, que se tornará uma fonte de meios alternativa aos investimentos chineses para projetos de grande escala", propõe o observador do jornal.

    Washington também pode ajudar Moscou se contribuir para o reconhecimento do corredor marítimo vital para a Rússia pela Organização Marítima Internacional. Este corredor poderá tornar-se uma rota de transporte oficial através do Ártico. Na opinião de Rozen, isso dará a Moscou uma fonte de meios adicional para o desenvolvimento da sua frota ártica, o que pode impulsionar a navegação e melhorar a segurança do transporte de cargas. Segundo o especialista outro aspeto importante ao qual Donald Trump deveria prestar atenção é a eliminação dos atuais obstáculos – as sanções – para a cooperação entre as empresas russas e americanas no Ártico e a possível liderança de Washington e Moscou no Conselho Ártico.

    "O Ártico é um dos lugares onde os interesses da Rússia e os EUA coincidem. A construção de relações na base destes interesses permitirá criar a confiança entre os dois países e os seus líderes, o que resultará em mudanças positivas em outras regiões problemáticas do mundo", concluiu Mark Rozen.

    Mais:

    Trump pode reativar acordo com a Rússia sobre ataques conjuntos na Síria
    Que secretário de Estado dos EUA será melhor para Rússia?
    Kremlin comenta informação sobre eleições antecipadas na Rússia
    Rússia colocará radar militar gigante no Ártico
    Almirante compara infraestrutura russa no Ártico com tecnologia lunar
    Almirante americano diz que atividades russas no Ártico são defensivas
    Tags:
    cooperação, jazidas, extração, petróleo, gás, CNOOC, Nexen, Rosneft, Shell, Donald Trump, Vladimir Putin, China, Rússia, EUA, Ártico
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik