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    A histeria anti-russa atingiu um nível sem precedentes nesta semana nos EUA depois que a revista Newsweek acusou um dos presidenciáveis norte-americanos, Donald Trump, de ser um fantoche que "promove a propaganda de Putin".

    Muitas das publicações norte-americanas já se mostraram prontas a apoiar esta linha, sem sequer ter em conta as evidências.

    Um dos que se opõe a esta retórica é o jornalista Glenn Greenwald, vencedor do prémio Pulitzer.

    Nesta segunda-feira (10), a Newsweek publicou um artigo de Kurt Eichenwald, que acusou a Sputnik de contribuir para a campanha eleitoral de Trump com declarações anti-Clinton. Não obstante estas alegações terem sido baseadas em uma coincidência (Trump e o autor da Sputnik viram o mesmo tweet citado depois por Trump), a mídia norte-americana aproveitou esta história para desenvolver a retórica sobre o envolvimento russo nas eleições norte-americanas.

    Greenwald foi o primeiro a criticar a teoria de conspiração de Eichenwald e apresentou fatos reais.

    "O fato de que tantos jornalistas razoáveis, inteligentes, cautelosos e outros comentadores, colaboradores de centros de pesquisa, foram apanhados de súbito nesta atmosfera de histeria e essencialmente espalham esta ideia que ele descobriu uma ignóbil conspiração russa…isso preocupou-me muito", disse Greenwald.

    "Isso em grande medida tem um caráter de histeria – usar a tática de McCarthyite, que consiste em acusar alguém de quem você não gosta na área política, alguém que considera o seu adversário interno, de ser um instrumento do Kremlin", disse. "O mais importante é que descrevem Moscou e a Rússia como uma ameaça grave, quase existencial para os EUA".

    Esta abordagem das eleições norte-americanas permite que a mídia dominante dos EUA silencie outras ações norte-americanas.

    "[As notícias sobre eleições] têm um efeito de cegar os cidadãos para a maior parte do que acontece, inclusive o que o governo dos EUA continua a fazer sob o controle do atual presidente. Por exemplo, somente na semana passada ocorreu um ataque terrível e deliberado da Arábia Saudita que usou as armas norte-americanas contra um funeral no Iêmen, que matou 140 pessoas e feriu mais de 550", disse Greenwald.

    Ele acrescentou que este fato praticamente não foi divulgado. 

    Na sua opinião, agora a maior parte dos jornalistas são leais a um dos candidatos, especialmente a Hillary Clinton, e, por isso, estão interessados em contar histórias que podem ajudá-la a vencer. Mesmo que esta russofobia seja uma retórica pré-eleitoral, isso pode ter repercussões graves.

    "Não se pode convencer o eleitorado de que Vladimir Putin é um malvado, um Maquiavel, o mal supremo, que tenciona quase conquistar os EUA e ditar o resultado das nossas eleições…sem que isso tenha consequências", disse Greenwald.

    O jornalista disse que falar do "bicho-papão russo" é uma velha tática política norte-americana, embora usada tradicionalmente pela direita contra a esquerda.

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    Tags:
    histeria, tática, Hillary Clinton, Vladimir Putin, EUA, Rússia
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