11:59 23 Setembro 2021
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    Argentina desistiu de reclamação histórica de obter um voo direto para as Ilhas Malvinas, na declaração conjunta que assinou com o Reino Unido esta semana, disse em declarações exclusivas à Sputnik o presidente do Parlamento do Mercosul e ex-ministro argentino, Jorge Taiana.

    "A Argentina cedeu a pretensão de conseguir voo a partir do território continental para as ilhas", lamentou Taiana.

    Argentina e Reino Unido emitiram uma declaração conjunta que assinaram em Buenos Aires, a ministra argentina de Relações Exteriores, Susana Malcorra, e o vice-chanceler Alan Duncan, ministro de Estado para a Europa e as Américas da Secretaria de Relações Exteriores britânica.

    Dezessete anos depois do último comunicado conjunto que emitiram, está previsto que ambos os países sobre a questão Malvinas tenham "a possibilidade de realizar voos entre as ilhas e países terceiros, isto é, voos que não ligariam o território continental argentino" com o arquipélago, informou o parlamentar.

    "Hoje, há um voo semanal da LAN [companhia aérea chilena] que parte do Chile e que uma vez por mês faz escala em Río Gallegos [capital da província do sul de Santa Cruz], tanto na ida como na volta, ou seja, duas escalas por mês", lembrou o titular do Parlasul.

    Em um acordo entre o governo britânico de Theresa May e o executivo argentino Mauricio Macri, "destaca-se a possibilidade de adicionar um segundo voo com escalas, amentando de duas para quatro escalas mensais no continente argentino", constatou Jorge Taiana.

    Ele destaca que Argentina teve a oportunidade de conseguir o segundo voo nos tempos dos governos de Nestor Kirchner (2003-2007) e Cristina Fernández de Kirchner (2007-2015).

    Com o acordo assinado entre o Reino Unido e a Argentina, a nação argentina não somente abandona esse objetivo, mas também "vai permitir que mais voos de países terceiros atravessem o espaço aéreo argentino, em troca de duas escalas por mês no território continental".

    Para Taiana, a declaração conjunta acordada por ambos os países, deixa de lado a questão de soberania, uma reivindicação que a Argentina tem consagrado em sua Constituição como "permanente e indispensável".

    Em consequência, a reclamação sobre a soberania "é totalmente descartada como tema da conversa".

    "Argentina concedeu ao Reino Unido eliminar as restrições e sanções contra a exploração ilegal de nossos recursos naturais não renováveis e renováveis, o que constitui um erro muito importante", disse Taiana.

    Em uma declaração conjunta sem precedentes desde 1999, a Argentina e o Reino Unido se comprometeram a aprofundar "o crescimento econômico e o desenvolvimento sustentável das Ilhas Malvinas, incluindo comércio, pesca, navegação e hidrocarbonetos".

    "A Argentina removeu todos os obstáculos para a exploração dos recursos naturais, que são a fonte de sustento para manter o alto nível de renda das ilhas", declarou Taiana.

    O ex-ministro lembrou que, em 2007, a Argentina deixou sem efeito um contrato assinado em 1995 com o Reino Unido sobre a exploração de hidrocarbonetos no Atlântico Sul ocidental.

    "Tratou-se de uma experiência falhada devido às reiteradas violações e abusos do entendimento bilateral", afirmou Taiana.

    Então, não seria estranho, continuou o titular do Parlasul, "que tentam avançar em 'remover os obstáculos' para a exploração ilegal dos recursos da pesca no Atlântico Sul".

    Em se tratando de pesca e hidrocarbonetos, a legislação argentina prevê sanções contra as empresas que operem no território argentino sem a autorização de Buenos Aires. A legislação inclui, é claro, as águas que rodeiam as Ilhas Malvinas.

    Argentina reivindica a soberania do arquipélago desde 1833, ano em que o Reino Unido passou a ocupar as ilhas. Desde então os dois países mantêm uma disputa sobre a soberania da região. Em abril de 1982, a ditadura argentina (1976-1983) tentou recuperá-las por meio de uma guerra que terminou em 14 de junho, com a derrota argentina e com quase 1.000 mortos, entre ambos os lados, apenas durante o conflito armado. Reino Unido e Argentina retomaram suas relações diplomáticas em fevereiro de 1990, durante a gestão do ex-presidente Carlos Menem (1989-1999).

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    Tags:
    Argentina, Reino Unido, Ilhas Malvinas, Falkland, disputa territorial, voo, recursos naturais
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