21:57 07 Agosto 2020
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    Reino Unido, República da Coreia, França e Japão ficarão extremamente decepcionados caso Obama declare que os EUA venham a ser o primeiro país a anunciar sobre não uso de armas nucleares, informa Josh Rogin, colunista do jornal norte-americano The Washington Post.

    Há um mês, o jornal escreveu que Obama pretende ser o primeiro a anunciar sobre não uso de armas nucleares e a submeter o Conselho de Segurança da ONU à resolução que proíbe a realização de quaisquer testes nucleares. Durante tais especulações, o porta-voz Dmitry Peskov do presidente russo informou que "essas propostas ainda não foram anunciadas oficialmente".

    No momento, segundo Rogin, enquanto os EUA não possuem um entendimento completo sobre tal ideia, os seus aliados já se mostram preocupados. O Japão e a Coreia do Sul estão assustados com programa antimíssil desenvolvido pela Coreia do Norte. Ao mesmo tempo, os europeus estão preocupados devido às grandes diferenças, nas políticas dos seus países, referentes ao uso de armas nucleares, que, segundo eles, "seriam destinadas à contenção de ataques químicos e biológicos".

    De acordo com a opinião de alguns outros países, se Washington tomar essa decisão, o "risco de conflito armado, com Coreia do Norte, China e Rússia, aumentará mesmo com uso de armas convencionais".

    O especialista da Associação de cientistas políticos militares independentes, Aleksandr Perendzhiev, desconfia da publicação e ressalta que mesmo que Obama venha a se pronunciar sobre esse anúncio, isso não seria uma surpresa.

    "O 'não usar primeiro' é um termo de estratégia nuclear que significa a renúncia feita por um país em usar armas nucleares, exceto em casos que o próprio país sofra uma agressão nuclear", explica.

    Segundo Perendjiev, anteriormente, a China assumiu tal compromisso sobre não usar armas nucleares primeiro. Passado algum tempo, o mesmo anúncio foi feito pelo primeiro e último presidente da URSS, Mikhail Gorbachev.

    "E se isso fosse uma questão prática ou declaração sem fundamento? A questão não seria em concordar ou não, mas sim, em seu conteúdo real. Atualmente há uma defesa antimíssil, mas esse sistema é uma infraestrutura da guerra nuclear. Não se pode ignorar a importância da defesa antimíssil em acordos, pois o sistema existe precisamente para nos proteger de um ataque nuclear", informa.

    De acordo com o especialista, mesmo se Obama chegasse a pronunciar tal declaração, não há garantia de que outros países seguiriam o exemplo dele. O Reino Unido e a França também dispõem de armas nucleares, mas eles não assumem compromisso e não participaram de negociações sobre desarmamento.

    "Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte têm armas nucleares. Como proceder em relação a eles?", indaga.

    O cientista político sugere que seu artigo poderia chegar a influenciar no âmbito da corrida pré-eleitoral nos EUA. Perendzhiev também não exclui a possibilidade de o anúncio ter como objetivo, destacar a personalidade histórica de Obama como pacificador.

    Ao mesmo tempo o jornal japonês The Japan Times tentou esclarecer a opinião do governo do seu país sobre o assunto, ao se referir ao artigo de Josh Rogin. Segundo as autoridades do Japão, "os EUA estão analisando várias alternativas, e até que não seja tomada decisão alguma, não poderiam comentar cada notícia".

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    Tags:
    Defesa antimíssil (DAM), conflito armado, guerra nuclear, armas nucleares, Washington Post, Conselho de Segurança da ONU, Mikhail Gorbachev, Barack Obama, Israel, Paquistão, Índia, França, URSS, China, Rússia, Japão, Coreia do Norte, Reino Unido, EUA
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