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    Timofei Khryukin esteve entre os 2.500 pilotos militares voluntários da União Soviética que participaram do esforço de guerra contra o Japão, em território chinês, a partir de 1937. Por sua participação no teatro de guerra asiático, Khryukin recebeu o título de Herói da União Soviética por duas vezes.

    A filha de Khryukin, Natalia Khryukina, diretora da associação de descendentes de pilotos voluntários que lutaram na China de 1937 a 1940, contou à Sputnik a história de seu pai.

    Durante os primeiros meses da agressão do Japão contra a China, em 1937, a Força Aérea chinesa sofreu baixas significativas. A pedido do governo de Pequim, a União Soviética enviou pilotos voluntários, que estiveram entre os primeiros a lutar contra a ocupação japonesa.

    De 1937 a 1941, um total de 3.665 militares soviéticos, incluindo cerca de 2.500 pilotos e engenheiros lutaram no teatro de guerra chinês.

    Timofei Khryukin foi enviado por duas vezes para o front chinês entre março e agosto de 1938. Ele era reconhecido por sua capacidade de liderança, adquirida durante sua participação na Guerra Civil Espanhola de outubro de 1936 a março de 1937.

    Pilotos soviéticos voluntários antes de voo, durante a batalha na China contra a ocupação japonesa, em 1938
    © Sputnik /
    Pilotos soviéticos voluntários antes de voo, durante a batalha na China contra a ocupação japonesa, em 1938

    Como comandante de esquadrão de pilotos e depois comandante de agrupamento, Khryukin participou de 18 missões aéreas para bombardear navios de guerra e aeródromos japoneses. Dentre seus alvos contam-se quatro aeródromos, várias pontes e 14 embarcações de guerra.

    Dado o esforço de Khryukin, 54 aviões, 34 navios em operação no rio chinês Yangtsé e um porta-aviões, com cerca de 30 caças, das Forças Armadas do Japão foram destruídos.

    Bombardeio do aeródromo japonês de Wuhu

    Em 1937, a cidade chinesa de Wuhu estava sob ocupação japonesa. Os pilotos soviéticos não tiveram dúvidas ao escolher como alvo o aeródromo da cidade onde cerca de 60 caças japoneses estavam estacionados.

    Khryukin relatava o ataque, feito a nove quilômetros de altura: "Os caças japoneses tinham dificuldade para atacar os bombardeiros chineses. Inicialmente, ganhavam altura rapidamente, mas, quando atingiam 6.000 metros, sua agilidade caia na hora."

    "Eles eram como um bando de vira-latas latindo para um carro que passava rapidamente. E a gente continuava, sem nem prestar atenção neles", escreveu Khryukin em suas memórias.

    O ataque foi bem sucedido: 12 caças I-96 (Mitsubishi A5M) foram destruídos e 23 danificados severamente. Além disso, várias bombas caíram em tanques de armazenamento de gasolina, queimando grandes reservas de combustível da Força Aérea inimiga.

    Derrota da frota naval japonesa

    Não eram só os caças japoneses que representavam uma ameaça aos pilotos chineses e soviéticos. Navios japoneses em operação no rio Yangtsé colocavam em risco a vida dos soldados aliados. Khryukin conta que a aviação chinesa realizou um ataque surpresa contra esses navios.

    Pilotos soviéticos voluntários durante participação na batalha da China contra a ocupação japonesa, em 1945
    © Sputnik /
    Pilotos soviéticos voluntários durante participação na batalha da China contra a ocupação japonesa, em 1945

    "Um navio foi atingido por três bombas de uma só vez, virou e começou a ir a pique. A gente nunca esqueceu de como os japoneses, em pânico, pulavam na água com seus uniformes brancos. Esse navio afundou depressa, os dois outros ficaram bastante danificados", disse Natalia, lembrando das memórias de seu pai.

    Destruição de porta-aviões inimigo

    Em julho de 1938, um grupo de bombardeiros liderado por Khryukin destruiu um porta-aviões japonês com 14.000 toneladas de deslocamento.

    "Três bombas atingiram o porta-aviões. A primeira pegou em cheio a popa. A parte traseira do porta-aviões se separou soltando fumaça. Havia um buraco em vez da popa da embarcação", contava.

    "A segunda bomba atingiu a proa, e a terceira atravessou o convés e explodiu dentro do navio. O porta-aviões recuou e começou a adernar para um dos lados. Uma das bombas de 100 kg atingiu o paiol de pólvora de outro navio. Esse afundou quase instantaneamente. Era um cruzador leve, que fazia a escolta do porta-aviões", disse Natalia, lendo as memórias de seu pai.

    "Por seu serviço na China, Timofei Khryukin recebeu a Ordem de Chiang Kai-shek. Em um banquete, em uma visita ao generalíssimo [Chiang Kai-shek], Timofei Timofeevich foi oficialmente apresentado a sua esposa [...] Soong Mei-ling, que deu a meu pai abotoaduras de diamante", disse Natalia.

    O governo soviético reconheceu com grande apreço as ações de Timofei Khryukin na China e agraciou-o com o título de Herói da URSS, promovendo-o ao posto de coronel da Força Aérea.

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    Tags:
    URSS, piloto, Segunda Guerra Mundial, China, Japão
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