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    75º aniversário da vitória sobre nazismo
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    O famoso veículo Katuysha foi obra do engenheiro Ivan Gvai, que continuou desenvolvendo o lançador em meio às repressões sangrentas de Stalin, e virou uma das armas mais importantes durante a Grande Guerra pela Pátria.

    Cercados, sem fuga possível, os soldados do Exército Vermelho explodiam o lançador Katyusha. A arma era procurada pelos agentes da inteligência nazista mais experientes. O Museu de História Contemporânea da Rússia mantém um paquímetro do lendário desenvolvedor de armas Ivan Gvai, e conta a gênese do projeto.

    O lançador de foguetes se movia a uma velocidade de 50-60 quilômetros por hora e era capaz de lançar 16 poderosos projéteis de 132 mm durante 15-20 segundos.

    Peças com lançadores múltiplos junto com seus tratores para transporte pesavam de 30 a 40 vezes mais. O mundo nunca tinha visto um projeto assim. Ivan Gvai, filho de um ferroviário, liderou o projeto.

    Primeiros passos no caminho para a façanha

    Gvai nasceu em dezembro de 1905 na vila de Belovezh (na atual República da Bielorrússia). Mais tarde, depois da escola média, ele estudou na escola ferroviária, que mais tarde receberia seu nome, e foi amigo do futuro poeta Dmitry Kedrin, que oito anos depois dedicará o poema "O Duelo" a Gvai.

    Gvai entrou no Instituto de Engenheiros Ferroviários. Após o serviço militar, continuou seus estudos e ao mesmo tempo trabalhou como projetista na fábrica G. Petrovsky. Em uma viragem crucial, o engenheiro se mudou para Leningrado em 1929, onde terminou seu segundo curso superior e durante três anos projetou pontes rolantes no Estaleiro Marty.

    As noites brancas da atual São Petersburgo eram seu único tempo livre para criatividade e leitura. Ao mesmo tempo, Gvai estava rapidamente construindo sua carreira, se tornando engenheiro de projetos principal no Instituto de Pesquisa em Construção Naval de Leningrado.

    Depois disso, ele foi chefe do Escritório de Projetos do Departamento de Energia da Escola Superior Militar de Eletrotecnia do Exército Vermelho de Leningrado (agora é a Academia Militar de Comunicação Marechal da União Soviética S. M. Budenny).

    Paquímetro para Katyusha

    Em 1935 Gvai foi convidado para Moscou, tendo sido nomeado engenheiro de projetos principal do Instituto de Pesquisa de Jato do Comissariado do Povo da Indústria de Tanques. O Comissariado do Povo da Força Aérea exigiu a criação de novos lançadores. Ivan Kleimenov, o chefe do instituto de pesquisa, reuniu um grupo de projetistas talentosos, colocando na liderança Ivan Gvai.

    Veículo soviético de artilharia reativa Katyusha atirando no inimigo durante a ofensiva de Bratislava-Brno (25 de março a 5 de maio de 1945) durante a Grande Guerra pela Pátria
    © Sputnik /
    Tanque Katyusha em 1945, durante a Grande Guerra pela Pátria

    Seu traço distintivo era a coragem, que foi descrita pelo professor e engenheiro de aerodinâmica Yuri Pobedonostsev:

    "Ivan Gvai é um construtor de máquinas, um engenheiro corajoso. No nosso trabalho, a coragem é uma das primeiras condições para o sucesso. Gvai não teve medo de fazer ajustes, mudanças no projeto, que lhe foram expressos pelo membro mais jovem de nossa equipe, o talentoso projetista A. P. Pavlenko."

    Em 1938, teve início o desenvolvimento do futuro Katyusha. Os projetistas tinham que criar um veículo manobrável e rápido, capaz de superar longas distâncias e lançar 16 projéteis simultaneamente.

    O trabalho prosseguia a todo vapor, mas em 1938 foi ameaçado pelas repressões de Stalin: Valentin Glushko e Sergei Korolev, que trabalhavam na criação de mísseis aéreos, Ivan Kleimenov, o diretor do Instituto de Pesquisa, e o engenheiro-chefe Georgy Langemak foram presos por denúncia do carreirista Andrei Kostikov.

    Os principais funcionários da instituição foram condenados à morte e logo fuzilados em janeiro de 1938. Andrey Kostikov se tornou o diretor, mas a equipe continuou a trabalhar no projeto secreto.

    No verão, surgiu o primeiro projeto Katyusha com base no caminhão ZiS-5, mas os testes de campo revelaram falhas. Os engenheiros, armados com paquímetros, deveriam resolver problemas técnicos para garantir a densidade e velocidade de tiro e a proteção dos operadores durante o lançamento dos foguetes.

    Em abril de 1939 o projeto recebeu a aprovação dos militares. Uma nova instalação na base do caminhão ZiS-6, carregada com projéteis de fragmentação de 132 milímetros propulsados por foguete, atingia nos testes o quadrado marcado como alvo. Este foi o final da primeira e mais demorada etapa dos testes da nova criação.

    Katyusha na vitória sobre o nazismo

    Em 19 de fevereiro de 1940, a invenção da equipe de Ivan Gvai recebeu a patente. O BM-13 foi inscrito no Registro de Invenções da URSS sob o número 3338: "Instalação mecanizada para disparo de projéteis de foguete de vários calibres."

    Um dia antes do início da Grande Guerra pela Pátria, 21 de junho de 1941, o Conselho de Comissários do Povo da URSS aprovou a decisão de produzir em massa os foguetes M-13 e o lançador BM-13.

    De 22 a 30 de junho na fábrica Komintern foram montados os dois primeiros Katyusha, passando por testes finais em um campo de provas perto de Moscou, logo antes do batismo de fogo.

    Sistema de artilharia reativa de campanha Katyusha na margem direita do Dniepre, na testa de ponte de Veliky Bukrin, durante a Grande Guerra pela Pátria de 1941-1945
    © Sputnik / Pavel Gapochka
    Sistema de artilharia reativa de campanha Katyusha durante a Grande Guerra pela Pátria de 1941-1945

    Em 1º de julho, os veículos foram entregues a unidades de artilharia do Exército Vermelho. Duas semanas depois, operadores militares dos lançadores BM-13, sob comando do capitão Ivan Flerov, chegaram à área de Orsha, na Bielorrússia.

    Duas séries de salvas do Katyusha "cantaram" sobre o rio Orshitsa: as forças soviéticas destruíram completamente a estação ferroviária perto da povoação de Pischalovo, onde estavam concentradas tropas e material pesado do inimigo.

    As tropas de Hitler sofreram perdas esmagadoras: três trens de mortos e feridos. O comandante da Frente de Briansk, Andrei Eremenko, enviou a Stalin uma carta de admiração pelo poderio do lançador de foguetes BM-13.

    Se em julho de 1941 havia apenas 19 lançadores de foguetes na frente de batalha, ao final da guerra já havia cerca de 10 mil. Devido ao impressionante poder de fogo do Katyusha, equivalente à salva de uma subunidade de artilharia, o inimigo tentava realmente pegar essa arma.

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    Tags:
    Exército Vermelho, Segunda Guerra Mundial, Grande Guerra Pela Pátria, Leningrado, Bielorrússia, Adolf Hitler, Josef Stalin, Katyusha, Alemanha, URSS
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