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Pesquisa revela método para cultivar madeira sem cortar árvores

© Folhapress / Lalo de AlmeidaDesmatamento no município de Apuí, no sul do Amazonas, 27 de outubro de 2021
Desmatamento no município de Apuí, no sul do Amazonas, 27 de outubro de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 10.06.2022
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Pesquisadores mostraram que podem controlar as propriedades do material vegetal cultivado em laboratório e permitir a criação de produtos de madeira com pouco desperdício.
Citando uma possível solução para o desmatamento na Amazônia, cientistas do MIT (sigla em inglês para Instituto de Tecnologia de Massachusetts), nos EUA, prometem acabar com a necessidade global de cortar árvores.
Em estudo, publicado na revista Materials Today, eles relembram que, todos os anos, o planeta perde cerca de 10 milhões de hectares de floresta. Entretanto, diz a publicação, "uma solução está disponível".
A equipe de cientistas do MIT afirma que a madeira cultivada em laboratório pode substituir o desmatamento. Foi desenvolvida uma técnica pela qual madeiras de qualquer formato e tamanho podem ser produzidas, e sem sair do laboratório.
Na prática, é usada uma planta com flores conhecida como zínia comum (Zinnia elegans). As células de suas folhas são extraídas, devendo ser preservadas em uma mistura líquida por vários dias.
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Um material à base de gel enriquecido com hormônios e nutrientes é então usado para refinar ainda mais a mistura. As células vegetais se multiplicam e vão sendo tratadas em condições de laboratório.

"No corpo humano, você tem hormônios que determinam como suas células se desenvolvem e como surgem certas características. Da mesma forma, alterando as concentrações de hormônios no caldo nutriente, as células vegetais respondem de forma diferente. Simplesmente manipulando essas pequenas quantidades químicas, podemos causar mudanças bastante drásticas em termos de resultados físicos", diz Ashley Beckwith, autora do estudo.

O material vegetal resultante da manipulação em laboratório é semelhante à madeira, então qualquer produto de madeira pode ser "cultivado", sejam cadeiras ou sofás, sem a necessidade de processar madeira ou cortar árvores.
Esse material vegetal é usado em uma impressora 3D (da mesma forma que um objeto de plástico é impresso) para converter essa solução de gel cultivada em muitas estruturas. Após três meses de incubação no escuro, o material desidrata, e o resultado final é um objeto personalizado feito de matéria vegetal semelhante à madeira.
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Os pesquisadores mostraram que, ao ajustar certos produtos químicos usados ​​durante o processo de crescimento, eles podem controlar com precisão as propriedades físicas e mecânicas do material vegetal resultante, como sua rigidez e densidade.
Assim eles podem cultivar material vegetal em formas e tamanhos que não são encontrados na natureza (como de um losango) e não podem ser facilmente produzidos por métodos agrícolas tradicionais.
Durante os experimentos, os especialistas descobriram, por exemplo, que quanto mais baixos os níveis hormonais, mais materiais vegetais arredondados e de células abertas eles obtinham. Essa diferença pode ser usada para fazer produtos mais macios e leves, ou mais fortes e pesados, conforme necessário.
O próximo passo, segundo os pesquisadores, é descobrir como aplicar o método a outras plantas. "Se for bem-sucedida, a madeira cultivada em laboratório pode nos ajudar a acabar com o desmatamento de uma vez por todas", dizem.
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