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Com inflação global e portos congestionados, Brasil adotou a estratégia correta reduzindo tarifas?

© Folhapress / Bruno SantosUm dos 55 terminais de carga do Porto de Santos, no litoral de São Paulo
Um dos 55 terminais de carga do Porto de Santos, no litoral de São Paulo - Sputnik Brasil, 1920, 01.06.2022
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É possível para o Brasil minimizar os efeitos do congestionamento dos portos? Essa pode ser a pergunta mais importante para a economia brasileira no ano, à medida que as sanções ocidentais sobre a Rússia sufocam a economia global. Em entrevista à Sputnik Brasil, o engenheiro naval João Ferreira Netto falou sobre o assunto.
O lockdown na China, o conflito na Ucrânia e a falta de contêineres no mundo são razões que provocam congestionamento em portos de diferentes países, gerando barreiras para as cadeias de suprimentos globais. O problema é geral e já foi reconhecido pelo governo brasileiro, com a Câmara de Comércio Exterior (Camex) decidindo reduzir tarifas de importação na última semana.
A medida é paliativa, como explicou à Sputnik Brasil João Ferreira Netto, professor da Fundação Vanzolini. Embora possa "ajudar" a economia brasileira, ela ainda está distante dos problemas que de fato atingem os portos e o setor de produção. Para o especialista, os efeitos da crise global no Brasil são agravados pelo processo de desindustrialização do país, assim como pela falta de investimentos na produção industrial.
O fato é que a vulnerabilidade das cadeias logísticas globais, um problema evidenciado durante a pandemia de COVID-19, foi novamente exposta com o conflito na Ucrânia. As dificuldades são inúmeras, e as filas nos portos, assim como o congestionamento dos navios, provocaram aumentos nos preços dos produtos manufaturados, levando a ondas inflacionárias.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, durante a recepção de líderes da diplomacia de países africanos no Dia da África, em Moscou, 25 de maio de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 29.05.2022
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Apenas nesta semana, França e Alemanha tiveram inflações recordes. Como os custos de transporte aumentaram, subiu também o custo do que é transportado. No comércio marítimo brasileiro, exportadores têm sofrido com novos aumentos nos fretes e dificuldade para escoar produtos na rota Brasil–Ásia, especialmente aqueles que dependem de contêineres refrigerados.
Tal fato se dá porque os portos chineses, como o de Xangai, estão lotados e sem espaço de armazenamento, pela política de "Covid zero" que dificulta a exportação. A China é o principal parceiro comercial do Brasil, tendo sido o destino de 31,28% das exportações brasileiras em 2021, o que equivale a US$ 87,6 bilhões (R$ 406 bilhões).
O Brasil, por exemplo, importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, segundo dados da Camex. A dependência foi criada após anos sem investimentos em importantes plantas industriais, além das dificuldades para a liberação de licenças ambientais para extração de reservas.
© AP Photo / Elizabeth Dalziel, FileContêiner em porto da China
Container em porto da China (foto de arquivo) - Sputnik Brasil, 1920, 01.06.2022
Contêiner em porto da China. Foto de arquivo
A crise que atingiu o Brasil, na avaliação de João Ferreira Netto, é o "reflexo de todos esses eventos", sendo que o "aumento dos preços no mercado de fretes e combustíveis impactam diretamente na economia brasileira, principalmente porque são elementos que elevam o preço dos bens de consumo".

"O setor de varejo e alimentício sofrem muito mais o impacto desses eventos, pois temos atividades industriais que nos levam a importar muitos destes itens de consumo, e são justamente esses itens que têm elevado os preços, pois estão mais sujeitos aos impactos dos eventos citados", explicou.

Segundo ele, a cadeia automobilística do país é um bom exemplo para compreender a dinâmica da crise: "Os automóveis, mesmo quando fabricados no Brasil, são fabricados com peças e itens importados, cuja logística é cada vez mais complicada".
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Diante da crise, o governo brasileiro decidiu agir. A decisão da redução de impostos foi tomada em reunião extraordinária da Camex, ligada ao Ministério da Economia, e alcança cerca de 87% do universo tarifário do país, que tem 6.195 códigos de produtos.
Os itens que terão taxas de importação reduzidas (em 10%) são: feijão, carne, massas, biscoitos, arroz e materiais de construção. De acordo com o governo, 1.387 códigos de produtos ficarão fora da medida e não terão tarifas reduzidas. Entre eles estão têxteis, calçados, brinquedos, lácteos e alguns itens do setor automotivo.
O especialista entende que a solução do governo é paliativa, sendo insuficiente para as necessidades do país. "É necessário que o Brasil tenha um plano de aumento da atividade industrial, para reduzir a necessidade das importações e que, dessa maneira, tenha um maior controle sobre os preços aqui exercidos."
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