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Menos ou mais empregos? Especialistas apontam riscos do processo eleitoral ao mercado de trabalho

© Foto / Edson Lopes Jr./ Fotos PúblicasPessoa mostra carteira de trabalho (foto de arquivo)
Pessoa mostra carteira de trabalho (foto de arquivo) - Sputnik Brasil, 1920, 30.05.2022
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A Sputnik Brasil conversou com especialistas para entender até que ponto o ambiente político e as acirradas eleições de 2022 podem impactar a geração de empregos no país.
Enquanto a inflação segue em viés de alta, os salários e os números de emprego parecem se manter estagnados no país. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a geração de emprego no Brasil perdeu força no primeiro trimestre deste ano, após esboçar uma recuperação no fim de 2021.
Nos três primeiros meses de 2022, a taxa de desemprego no país foi de 11,1%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No total, 11,9 milhões de brasileiros buscavam ocupação nesse período.
É neste cenário, em meio à procura por vaga no mercado de trabalho ou por melhores rendimentos, que os brasileiros irão às urnas daqui a quase quatro meses, nas eleições presidenciais, em outubro de 2022.
Ainda sob os efeitos prolongados da pandemia e os mais recentes da crise ucraniana, o país passa a ficar mais suscetível a instabilidades políticas à medida que o pleito se aproxima. Se o ambiente político costuma ter reais impactos na economia brasileira, as eleições deste ano, com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o atual presidente Jair Bolsonaro (PL) na disputa, prometem elevar o quadro de tensão.
© Folhapress / Mathilde MissioneiroPessoas olham para anúncios de vagas na rua Barão de Itapetininga, no centro de São Paulo (foto de arquivo)
Pessoas olham para anúncios de vagas na Barão de Itapetininga, no centro de São Paulo (foto de arquivo) - Sputnik Brasil, 1920, 30.05.2022
Pessoas olham para anúncios de vagas na rua Barão de Itapetininga, no centro de São Paulo (foto de arquivo)
Para o cientista político Sérgio Praça, professor e pesquisador da Escola de Ciências Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV), o maior obstáculo para a estabilidade econômica brasileira, por enquanto, continuam sendo os efeitos do conflito na Ucrânia.
Porém ele alerta que as movimentações do ambiente interno nos próximos meses podem piorar a sensação de insegurança do país.

"O cenário internacional está ruim e vai piorar. Isso não é culpa do Bolsonaro, mas nos últimos dois anos ele gastou muito mal o dinheiro, como no caso do orçamento secreto, o que limitou a possibilidade de aumentar o [programa] Auxílio Brasil de maneira sustentável e o seguro-desemprego. Assim, nada ficará sustentável do ponto de vista fiscal", disse o especialista.

Segundo ele, medidas de curto prazo do governo neste momento pré-eleitoral devem melhorar a popularidade do presidente, mas não serão capazes de reverter o quadro no mercado de trabalho brasileiro.

"Se tomar medidas populistas, o que é possível, vai afastar ainda mais os investimentos", afirmou Praça.

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As pesquisas de intenção de voto apontam que o ex-presidente Lula é o favorito para o pleito. No primeiro turno, o petista tem aparecido com mais de 45% da preferência do eleitorado, contra cerca de 30% de Bolsonaro. De acordo com o último levantamento do Datafolha, Lula tem 54% dos votos válidos (48% das intenções de voto), indicando uma chance de vitória já em primeiro turno.
O especialista ressalta que, no caso de Lula, o que poderia gerar maior instabilidade seriam as especulações quanto à sua equipe econômica. Praça avalia que ainda é cedo para um anúncio desse porte, mas acredita que uma sinalização antes do pleito seria positiva.

"Como o Lula lidera tanto no primeiro como no segundo turno, geraria maior incerteza se ele não dissesse nada sobre o comando da economia. Seria bom se desse uma pista maior", opinou.

Contudo, segundo o cientista político, o pior cenário para o país seria se Bolsonaro se recusasse a aceitar o resultado das eleições em caso de vitória de Lula.
"O que traz instabilidade mesmo é o fato de o Bolsonaro sinalizar que não aceitará o resultado das eleições caso seja derrotado. Isso tem um efeito difícil de medir de maneira exata, mas tem um impacto real. Quem investiria em um país sem ter claro se o candidato vencedor tomará posse?", questionou.
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'Questão é mais política do que econômica'

Juliana Inhasz, professora e coordenadora do curso de graduação em economia do Insper, afirma que toda incerteza "pode gerar desdobramentos na empregabilidade". Segundo ela, "o processo eleitoral e eventuais incertezas e riscos provenientes da sucessão podem causar pressões maiores sobre a economia".

"Empresários que imaginavam ter mais postos de trabalho talvez não contratem. O processo [eleitoral] pode afetar a criação de empregos. Tudo vai depender de quais as propostas dos candidatos, quais os planos de governo e como vão lidar com problemas econômicos existentes", analisou Inhasz.

Para a economista, os setores mais vulneráveis neste momento turbulento são os que requerem investimentos mais longos, com maior capital de entrada e infraestrutura, como a construção civil, além do eletroeletrônico e do automotivo.

"Independentemente de Lula ou Bolsonaro, a questão é mais política do que econômica. É sobre implementar pautas que consigam impactar o emprego e entender a reação da sociedade e como os agentes econômicos vão responder", afirmou.

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