EUA pressionam Londres a vender empresa de defesa, colocando em risco dissuasão nuclear, diz mídia

© Foto / Ministério da Defesa do Reino UnidoSubmarino britânico HMS Ambush da classe Astute (foto de arquivo)
Submarino britânico HMS Ambush da classe Astute (foto de arquivo) - Sputnik Brasil, 1920, 28.05.2022
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Washington estaria ameaçando limitar a cooperação de defesa com o Reino Unido se o secretário de Energia britânico, Kwasi Kwarteng, tentar bloquear a venda da Ultra Electronics Holdings, maior empresa britânica de defesa e segurança, à Advent International, firma americana privada, por US$ 3,2 bilhões (R$ 15,1 bilhões).
Fontes da inteligência americana, em conversa com o The Telegraph, acusaram Kwarteng de colocar em risco futuras parcerias entre os EUA e o Reino Unido por ele ter ordenado uma investigação de segurança nacional pela Autoridade de Concorrência e dos Mercados relativamente a essa venda.
Kwarteng lançou a investigação e congelou a compra da Ultra, em agosto passado, pela empresa baseada em Boston, na sequência dos relatos de que concorrentes norte-americanos começaram a vender os bens e despedir empregados nas várias empresas britânicas do setor de defesa já vendidas ou no processo de aquisição.

"O Reino Unido está aberto a negócios, no entanto, o investimento estrangeiro não deve ameaçar a nossa segurança nacional", disse o ministro anunciando a investigação.

A empresa Ultra é especializada na fabricação de radares, sondas e equipamento de comunicação, inclusive tecnologias cruciais para operar a dissuasão nuclear baseada em submarinos britânicos de vanguarda e mísseis Trident.
Uma alta fonte de inteligência do Congresso americano disse ao The Telegraph que "em um momento em que aliados como os EUA e o Reino Unido estão procurando aprofundar a cooperação de defesa, precisamos remover obstáculos, não criá-los".
"O Congresso já tomou medidas para aliviar algumas das restrições impostas às empresas de defesa britânicas que operam nos Estados Unidos. Mas, em vez de adotar uma abordagem semelhante, parece que o governo britânico está determinado a impor obstáculos desnecessários que tornam mais difícil para as empresas de defesa americanas operarem no Reino Unido", reclamou a fonte.
O alto funcionário americano apontou que o governo britânico trata as companhias dos EUA de maneira "injusta", e ressaltou que, ao contrário do Reino Unido, "nós não fazemos nenhuma distinção entre um investidor britânico e uma companhia americana em questões de segurança nacional."
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O interlocutor indicou que o governo de Boris Johnson introduziu novas regras em janeiro, concedendo ao Estado mais poderes para intervir em aquisições estrangeiras de empresas britânicas, incluindo a autoridade para bloquear tais aquisições se elas forem consideradas uma ameaça à segurança nacional. Funcionários do governo e da mídia do Reino Unido garantiram que as regras foram projetadas para parar "potências hostis" como a China. No entanto, os funcionários dos EUA queixaram-se, em privado, de que tais regras poderiam ser aplicadas também contra as empresas americanas.
Em outubro, Kwarteng ordenou à reguladora britânica também investigar a aquisição da empresa de defesa Meggitt pela rival Parker Hannifin. A empresa britânica fabrica uma variedade de componentes para caças Typhoon, incluindo rodas e freios, e tem contratos para fornecer treinamento de armas ligeiras para as tropas.
Os relatos da mídia sobre a disputa nos bastidores ocorrem ante as tentativas de Londres e Washington de promover uma imagem de frente unida na cooperação de defesa e inteligência contra os países rivais como a Rússia, China e Irã.
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