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Josep Borrell: União Europeia não está preparada para a guerra

© AFP 2022 / KENZO TRIBOUILLARDO chefe de Política Externa e de Segurança da União Europeia (UE), Josep Borrell, gesticula durante uma coletiva de imprensa após reunião do Conselho de Ministros da Defesa da UE no Conselho Europeu, Bruxelas, 17 de maio de 2022
O chefe de Política Externa e de Segurança da União Europeia (UE), Josep Borrell, gesticula durante uma coletiva de imprensa após reunião do Conselho de Ministros da Defesa da UE no Conselho Europeu, Bruxelas, 17 de maio de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 26.05.2022
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O chefe de Política Externa e de Segurança da União Europeia (UE) afirmou que os exércitos do bloco "ficariam sem munição em duas semanas" se confrontados com um conflito como na Ucrânia.
A União Europeia não está preparada para uma "guerra" como a da Ucrânia, alertou o chefe de Relações Exteriores do bloco, Josep Borrell, na quarta-feira (25). Ele fez a afirmação em um painel de debate organizado pelo Centro de Estudos de Políticas Europeias (CEPS).
O principal diplomata afirmou que não acredita ser "realista" que as nações europeias possam melhorar substancialmente suas capacidades militares em tempo hábil, já que o processo é "voluntarista" e não há "lei da gravidade para fazer as coisas acontecerem".
Ele explicou que, embora as deficiências de defesa da UE sejam conhecidas, é preciso haver um "despertar" para que os membros atuem de maneira coordenada e não acabem desperdiçando dinheiro. No entanto, ele expressou sua consternação de que o conflito na Ucrânia aparentemente não era "o alerta certo".
De acordo com Borrell, a união deveria aprender com o conflito na Ucrânia. Para o principal diplomata do bloco, os exércitos europeus não conseguiriam manter um conflito semelhante por mais de duas semanas. "Eles [os exércitos do bloco] ficariam sem munição", afirmou.
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Ele também apontou para o fato de que os europeus se acostumaram demais com a paz e se recusaram a reconhecer a ameaça que se aproximava do exterior. Ele afirmou que a UE foi construída com a bandeira da paz e que a guerra "desapareceu de nossa imaginação coletiva", depois que os fundadores do bloco decidiram tornar a guerra "mentalmente impossível".

"Não acredite que a paz é o estado natural das coisas. O estado natural das coisas é a guerra e nós, na Europa, estamos acostumados a acreditar que a paz é o estado normal e espero que não aprendamos que não é assim", disse.

Borrell passou a comparar os europeus a "grandes pássaros que enfiam a cabeça na areia" e não querem entender o quão perigoso é o mundo, insistindo que é importante fazê-los entender "como é o mundo".
Borrell pediu anteriormente um reforço das capacidades de defesa europeias e que as deficiências reveladas pelo conflito entre a Rússia e a Ucrânia sejam superadas. Ele escreveu em seu blog no domingo (22) que os exemplos mais óbvios de tais lacunas foram os "estoques esgotados resultantes do apoio militar que fornecemos à Ucrânia", bem como questões "herdadas de cortes orçamentários anteriores e subinvestimentos".
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"A UE precisa assumir mais responsabilidade por sua própria segurança", o que exigiria a criação de "Forças Armadas europeias modernas e interoperáveis, olhando para o extremo superior do espectro e também se esforçando para aumentar as capacidades e forças", salientou.

O diplomata destacou três principais linhas de ação que devem eventualmente permitir ao bloco erradicar as deficiências atuais em sua defesa: trabalhar na prontidão para o combate, reposição de estoques e modernização de suas capacidades.
"A hora de impulsionar a defesa europeia é agora. Precisamos de reforçar a base industrial europeia de defesa e estar operacionais com as capacidades militares necessárias. Poder aumentar a nossa capacidade militar para nos defendermos, tornar a OTAN mais forte e apoiar melhor os nossos parceiros sempre que necessário", insistiu.
Enquanto isso, Moscou denunciou a crescente militarização da UE e argumentou que o bloco está se tornando um "jogador militante agressivo que tem ambições que vão muito além do continente europeu" e está seguindo os passos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
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