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Evidências apontam para continuidade da pesquisa biológica dos EUA na Indonésia

CC BY-SA 4.0 / J.N. Eskra / Biohazard chemical cabinetGabinete de produtos químicos de risco biológico
Gabinete de produtos químicos de risco biológico - Sputnik Brasil, 1920, 26.05.2022
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A Rússia lançou uma investigação sobre a pesquisa biológica dos EUA na Ucrânia, mas atividades americanas semelhantes em outras partes do mundo agora estão sendo examinadas com escrutínio extra.
Em abril deste ano, o canal de notícias indonésio Detik divulgou uma história sobre as supostas violações das leis do país por pessoal da Marinha dos EUA durante o exercício da Parceria do Pacífico de 2016 na cidade costeira de Padang, em Sumatra Ocidental. De acordo com documentos obtidos por repórteres, cirurgiões navais americanos realizaram operações em 23 pacientes locais a bordo do navio-hospital USNS Mercy sem coordenação com o Ministério da Saúde da Indonésia.
O pessoal do navio pode ter exportado secretamente amostras de sangue retiradas de dezenas de pacientes indonésios e transportado três cães raivosos da área de Sumatra Ocidental, conhecida como território endêmico da raiva – também sem permissão do governo do país. Autoridades de saúde de Padang também disseram ao Detik que os americanos queriam obter amostras do vírus da dengue de mosquitos locais.
Esses incidentes lembraram aos repórteres indonésios a história do NAMRU-2 – um laboratório biológico da Marinha dos EUA que existiu em Jacarta de 1970 a 2009, quando foi proibido pelo Ministério da Saúde do país por ser "uma ameaça à soberania da Indonésia".
A unidade NAMRU-2 em Jacarta foi inaugurada em 1970 "para estudar doenças infecciosas de potencial importância militar na Ásia" na continuação das atividades da Unidade de Pesquisa Médica Naval (NAMRU, na sigla em inglês) dos EUA tem suas raízes em Guam sob a fundação Rockefeller, tendo sido inaugurada em 1955.
"Embora tenham se concentrado na malária e na tuberculose, os resultados de 40 anos na Indonésia não foram significativos", disse a especialista em cardiologia que atuou como ministra da Saúde da Indonésia de 2004 a 2009, dra. Siti Fadilah Supari.
De acordo com a especialista, o acordo entre a Indonésia e os EUA sobre a criação do laboratório terminou em 1980. No entanto, não foi apenas o desempenho discutível do laboratório que deixou a doutora preocupada.
"Só sabia que o laboratório deles era muito fechado. E os pesquisadores eram fuzileiros navais americanos, todos com imunidade diplomática", afirmou Supari. "Nós nunca soubemos o que eles estavam carregando em suas pastas diplomáticas. Havia também alguns pesquisadores da Indonésia ajudando-os." No entanto, a falta de igual envolvimento do pessoal indonésio no projeto era evidente e preocupante.
Em 2006, o NAMRU-2, que tinha o status de centro colaborador da OMS, diagnosticou um lote de casos de H5N1 na Indonésia. O país pediu ao laboratório que compartilhasse as amostras com os Centros de Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês) dos EUA, que também eram afiliados à OMS, solicitando especificamente que os americanos não transferissem o material para mais ninguém, conforme extraído do livro da dra. Supari, "It’s time for the world to change" (É hora do mundo mudar). No entanto, sabe-se atualmente que laboratórios nos EUA tiveram acesso ao banco de dados produzidos no episódio.
Em abril de 2008, a então ministra da Saúde Supari fez uma visita surpresa ao NAMRU-2, falando à imprensa sobre a falta de transparência do laboratório e o fato de não compartilhar os resultados de seu trabalho com o governo indonésio.
Aparentemente NAMRU era muito importante para Washington. De acordo com alguns dos mais de 3.000 telegramas diplomáticos americanos publicados pelo site WikiLeaks de Julian Assange em 2010, a Embaixada dos EUA em Jacarta enviou centenas de atualizações para a capital dos EUA sobre o status legal do NAMRU e as atividades do governo indonésio relacionadas à operação do laboratório.
De acordo com um memorando enviado ao Departamento de Estado pelo então embaixador dos EUA na Indonésia, Cameron Hume, os americanos mais tarde queriam abandonar a maior parte de sua diplomacia pública em favor de um esforço mais direcionado para influenciar os principais políticos e parlamentares indonésios a fim de manter o laboratório funcionando.
"A melhor esperança de manter o NAMRU-2 na Indonésia é convencer os principais formuladores de políticas de sua utilidade contínua para ambos os países", escreveu Hume.
Frascos em laboratório biológico (imagem referencial) - Sputnik Brasil, 1920, 11.05.2022
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Líderes do Partido Democrata dos EUA estão por trás dos laboratórios biológicos na Ucrânia
No último comunicado de imprensa sobre os exercícios navais de 2016 em Padang, o Comando Indo-Pacífico (PACOM, na sigla em inglês) dos EUA menciona vagamente algo que poderia se referir a manipulações médicas descobertas pelos repórteres do Detik como "eventos de alcance de saúde da comunidade", mas não diz nada sobre caninos raivosos ou amostras de sangue humano.
Ainda de acordo com a investigação do Detik, apesar de terem tornado os procedimentos médicos mais sofisticados, os americanos ainda violavam as leis locais, especialmente quando se tratava de transferência de espécimes infectados, e não obtinham "permissão de transferência de material" antes de levar as amostras para o exterior.
Quando questionada sobre as evidências encontradas pela equipe do Detik, Supari afirmou acreditar que a atividade de pesquisa ainda existe.
"Não posso provar, mas, pelo que li e ouvi, ainda estão em andamento atividades de pesquisa em várias formas de colaboração com instituições de pesquisa e universidades na Indonésia. Acho que o governo deveria estar atento a isso."
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