Membros da comitiva de uma delegação em frente da sede das Nações Unidas durante a 76ª sessão da Assembleia Geral da ONU em Nova York, 21 de setembro de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 09.11.2021
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Crise de abastecimento: especialistas afirmam que 'guerra do trigo' global está chegando, diz mídia

© Foto / Pixabay / Johannes PlenisColheita de trigo (imagem referencial)
Colheita de trigo (imagem referencial) - Sputnik Brasil, 1920, 21.05.2022
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Com a acentuada crise de abastecimento de alimentos, Ocidente pode ser forçado a pedir grãos à Rússia em troca de suspensão de sanções.
Os preços do trigo subiram em níveis recordes nos últimos dois meses, com grandes produtores como Rússia, Cazaquistão e Índia descartando as exportações para proteger seus mercados domésticos.
De acordo com especialistas que conversaram com o jornal russo Izvestia, desde o início do ano o preço do trigo subiu mais de 60%. Eles dizem que o aumento foi causado pelo conflito entre Rússia e Ucrânia, que juntos fornecem quase um terço das exportações mundiais de trigo.
No período agrícola de 2021-2022, que começou em julho do ano passado, os fornecedores russos responderam por 16% das exportações globais de trigo e os produtores ucranianos responderam por 10%. Mas, devido ao conflito, ambos os países proibiram as exportações de trigo. Em fevereiro, a Rússia restringiu a exportação de todos os grãos (trigo, centeio, cevada e milho) fora da União Econômica da Eurásia (EAEU, na sigla em inglês) até 30 de junho. Enquanto isso, a Ucrânia fechou seu único porto remanescente, em Odessa.
As sanções antirrussas forçaram as empresas internacionais a romper laços comerciais de longa data e deixar a Rússia, o que causou interrupções no fornecimento. A União Europeia (UE) baniu recentemente a cooperação com o Porto Comercial Marítimo de Novorossiysk no mar Negro, através do qual mais da metade dos grãos exportados são enviados.
Além disso, o Cazaquistão seguiu o exemplo de Moscou de proibir as exportações e, no início deste mês, a Índia também descartou a exportação de trigo, afirmando que "a segurança alimentar da Índia, vizinhos e outros países vulneráveis está em risco".
Colheita de trigo na região de Omsk, Rússia - Sputnik Brasil, 1920, 18.05.2022
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Após o anúncio de Nova Deli, os preços dos futuros do trigo em Chicago saltaram 6%, para US$ 12,47 (R$ 60,87) por alqueire, seu valor mais alto em dois meses. E o preço do trigo na Europa atingiu uma alta histórica de cerca de US$ 461 (aproximadamente R$ 2.250) por tonelada.
A crise de grãos está sendo sentida em todo mundo, mas mais agudamente na África, que depende das exportações da região do mar Negro para 90% de suas necessidades. No mês passado, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que um quinto da humanidade estava em risco de pobreza e fome devido à situação atual do mercado de trigo.
Estados ocidentais acusam a Rússia de desencadear uma "guerra do trigo", colocando a culpa da atual crise em Moscou, mas especialistas afirmam que não há culpa voluntária por parte do Kremlin.
A Rússia não proibiu as exportações, mas introduziu tarifas e cotas temporárias para proteger o mercado interno. Quanto à Ucrânia, seus grãos estão sendo ativamente removidos do armazenamento sob a cobertura da UE. O chefe da diplomacia do bloco, Josep Borrell, afirmou recentemente que "a Ucrânia deve ser ajudada a continuar produzindo e exportando grãos e trigo", e como as instalações de armazenamento ucranianas estão cheias, elas "precisam ser esvaziadas para dar espaço a uma nova safra".
De acordo com os especialistas que conversaram com o Izvestia, Rússia e Ucrânia não são os únicos principais exportadores globais de trigo. Outros produtores poderiam salvar o mercado mundial da crise, como os EUA e o Canadá, que exportam 26 e 25 milhões de toneladas de trigo, respectivamente, cerca de 25% das exportações globais. Outros grandes produtores ocidentais são França (19 milhões de toneladas) e Alemanha (9,2 milhões de toneladas). No entanto, para os analistas é improvável que esses países compartilhem seus grãos com os necessitados, priorizando sua própria segurança alimentar.
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"Os países produtores terão suas próprias dificuldades, principalmente relacionadas aos preços da energia, custos de produção e inflação, então é provável que eles simplesmente estejam ocupados demais para cuidar daqueles países que serão forçados a passar fome", afirmou o especialista em pesquisa estratégica no Pesquisa Total Nikolai Vavilov.
Outro especialista, o chefe do departamento de análise da empresa de pesquisa NTech, Daria Akimova, diz que esses países gostariam de manter suas matérias-primas para proteger suas economias de novos picos de inflação.
"Para se proteger da fome dentro do país e reduzir sua própria inflação, os países produtores estão tentando manter as matérias-primas. Já que em caso de instabilidade cambial, e de fato qualquer instabilidade, é sempre mais lucrativo ter matéria-prima do que dinheiro: não se desvaloriza tão rapidamente quanto a moeda", disse Akimova ao jornal.
Os especialistas em grande parte não conseguem prever como a situação do mercado de trigo vai se desenvolver. Por um lado, de acordo com o analista-chefe da Ingosstrakh Investments, Viktor Tunev, os problemas com o fornecimento de uma commodity tão amplamente produzida como o trigo provavelmente serão resolvidos pela nova safra, bem como a restauração do fornecimento da Ucrânia e da Rússia uma vez o conflito esteja resolvido.
Por outro lado, não está claro por quanto tempo o conflito deve se estender. Alguns especialistas afirmam que os Estados ocidentais em algum momento seriam forçados a pedir à Rússia que compartilhasse suprimentos em troca da remoção das sanções.
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