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Lavrov chama ideia de Borrell de transferir ativos congelados da Rússia para Ucrânia de 'roubo'

© Sputnik / Pavel Bednyakov / Abrir o banco de imagensO chanceler russo Sergei Lavrov fala durante coletiva de imprensa ao lado do ministro das Relações Exteriores da Eritreia, Osman Saleh, em Moscou, Rússia, 27 de abril de 2022
O chanceler russo Sergei Lavrov fala durante coletiva de imprensa ao lado do ministro das Relações Exteriores da Eritreia, Osman Saleh, em Moscou, Rússia, 27 de abril de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 10.05.2022
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Autoridades norte-americanas e europeias discutiram publicamente sobre o que fazer com os estimados US$ 300 bilhões em ativos russos congelados no exterior desde o início da operação militar de Moscou na Ucrânia.
Na segunda-feira (9), o chefe da política externa da União Europeia (UE), Josep Borrell, sugeriu aos membros da UE que reservas russas deveriam ser aproveitadas e gastas com a Ucrânia.
O confisco de ativos russos no exterior proposto por Josep Borrell constituiria roubo, disse o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov.
"Bem, você pode até chamar isso de roubo, que eles nem estão tentando esconder", disse Lavrov, falando a repórteres em entrevista coletiva durante sua visita à Argélia, nesta terça-feira (10).
Lavrov sugeriu que "em breve poderemos testemunhar a eliminação do cargo de principal diplomata da União Europeia (UE), já que a UE praticamente não tem uma política externa própria e, em vez disso, apoia totalmente as abordagens impostas pelos Estados Unidos".
O ministro das Relações Exteriores da Rússia lembrou a Borrell que ele é "o principal diplomata da UE, e não o líder militar da União Europeia".
É a segunda vez que Lavrov levanta o assunto das reservas russas presas em países estrangeiros nos últimos dias. Na semana passada, o diplomata acusou o Ocidente de "roubar" US$ 300 bilhões em ativos russos (cerca de R$ 1,5 trilhão) para "punir" Moscou por sua operação militar especial na Ucrânia. Lavrov acrescentou que, se a Rússia continuasse com o status quo do comércio não baseado em rublos para o gás russo com a Europa, os países ocidentais poderiam facilmente "embolsar" o dinheiro novamente conforme sua conveniência.
Na última segunda-feira (9), falando ao Financial Times, Borrell disse que seria "muito a favor" de confiscar os ativos do Estado russo no exterior, enfatizando que a ideia é "cheia de lógica".
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"Temos o dinheiro em nossos bolsos, e alguém tem que me explicar por que é bom para o dinheiro afegão e não é bom para o dinheiro russo", disse Borrell, referindo-se ao dinheiro afegão preso nos bancos centrais dos EUA e da Europa desde o ano passado, quando o governo apoiado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em Cabul desmoronou e o país foi tomado pelo Talibã imediatamente após o fim da ocupação ocidental de 20 anos.
Em fevereiro, o governo Biden anunciou que iria confiscar US$ 3,5 bilhões (cerca de R$ 18 bilhões) dos US$ 7 bilhões (pouco mais de R$ 36 bilhões) em dinheiro afegão retido no Federal Reserve e gastá-lo para pagar às famílias das vítimas do 11 de setembro após os processos judiciais. Os outros US$ 3,5 bilhões seriam gastos em "ajuda humanitária" à nação asiática empobrecida e sem litoral, segundo a Casa Branca.
Lavrov mencionou a apreensão das reservas do Afeganistão em seus comentários nesta terça-feira (10). "Eles congelaram dinheiro pertencente ao Afeganistão – ao Banco Central afegão, na América. E eles querem gastar esse dinheiro não para as necessidades do povo do Afeganistão, que sofreu as consequências de 20 anos de operação da OTAN em seu país, mas para alguns outros fins não relacionados à restauração da economia afegã", disse o ministro das Relações Exteriores.
Na semana passada, o governo Biden pediu ao Congresso autoridade legal para facilitar a transferência de ativos apreendidos do governo russo e oligarcas para a Ucrânia. Em abril, a secretária do Tesouro, Janet Yellen, disse que o dinheiro russo retido nos EUA poderia ser transferido para a Ucrânia se for aprovada nova legislação e em coordenação com os aliados dos Estados Unidos, mas acrescentou que não recomendaria tomar a decisão "levianamente".
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'Olho por olho'

Também na semana passada, o presidente da Duma russa, Vyacheslav Volodin, alertou que Moscou poderia tomar medidas de retaliação contra empresas ocidentais que operam na Rússia caso os EUA e seus aliados avançassem com seus planos de confisco.
"No que diz respeito às empresas sediadas em território russo, cujos proprietários são cidadãos de países hostis e onde foi tomada a decisão [de confiscar bens russos], é justo tomar medidas recíprocas e confiscar bens. E os recursos obtidos com a venda desses ativos vão ser usados para o desenvolvimento do nosso país", disse Volodin.
Os legisladores da oposição russa questionaram como as autoridades fiscais do país podem ter permitido a manutenção de ativos de reserva arduamente obtidos pela Rússia em países hostis no exterior, em primeiro lugar, com o economista e deputado do partido Rússia Justa – Pela Verdade Mikhail Delyagin culpando o ministro das Finanças, Anton Siluanov, e a presidente do Banco Central, Elvira Nabiullina, pelo desastre. Os defensores de Siluanov e Nabiullina ofereceram várias justificativas para o descuido, dizendo que algumas reservas foram colocadas em bancos ocidentais para cobrar juros, enquanto títulos e bônus do governo geralmente tendem a ser mantidos nos países que os emitem. O partido governante Rússia Unida reconduziu Nabiullina como presidente do Banco Central por recomendação do presidente Vladimir Putin, em 21 de abril.
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