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Papel da Rússia na futura ordem mundial depende de sua reação à atual guerra econômica, diz analista

© Sputnik / Vitaly BelousovBandeira russa no prédio do Ministério da Defesa russo em Moscou
Bandeira russa no prédio do Ministério da Defesa russo em Moscou - Sputnik Brasil, 1920, 07.05.2022
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A reação da Rússia à atual guerra econômica determinará seu papel na futura ordem mundial, afirmou Emanuel Pietrobon, analista geopolítico italiano e especialista do Clube de Discussão Valdai.
De acordo com o analista, a Ucrânia representa agora "um campo de batalha no qual o Ocidente, a Rússia e outros grandes atores estão lutando por uma transição multipolar histórica". O analista destaca em um artigo, publicado nesta semana no site do Clube Vaidai, que "a aceleração da transição multipolar está em jogo" para Moscou e seus aliados, enquanto Washington intenta prorrogar "a unipolaridade moribunda".
Pietrobon escreve que os EUA tentam "expulsar [a Rússia] para a Ásia, travar seu crescimento e desenvolvimento através de sanções, planejadas há muito tempo".
O analista ressalta que será a forma como a Rússia reagirá "à guerra econômica total de hoje" que decidirá qual o papel que o país terá na futura ordem mundial.
"Esta guerra multisetorial em grande escala, desde a energia até as finanças, converteu inadvertidamente a Rússia em um laboratório do primeiro experimento de seu tipo. Economistas, cientistas e políticos vão estudar cuidadosamente as respostas da Rússia à guerra econômica travada pelo Ocidente, para entender como construir uma economia nacional resistente a sanções", afirmou.
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Experiência do Reino Unido em superar restrições econômicas

Nesse contexto, Pietrobon aconselha a Rússia a olhar para a história, onde houve muitos exemplos de resistência econômica. O próprio especialista analisa a experiência do Reino Unido, que teve que enfrentar o Bloqueio Continental, decretado pelo imperador Napoleão I da França em novembro de 1806. O bloqueio consistia em um sistema que excluía os britânicos dos mercados do resto da Europa e tinha como objetivo arruinar sua economia.
Inicialmente, parecia que as ações francesas alcançariam seu fim, já que provocaram a saída do Reino Unido do mercado europeu e a queda das exportações britânicas ao continente.

"Mas, com o tempo, o país encontrou três maneiras de romper o isolamento internacional: a evasão, a diversificação e a distração. Em alguns anos, o Reino Unido conseguiu substituir o comércio com a Europa ao aprofundar os laços com as colônias do ultramar e o resto do mundo", sublinhou o analista.

Apesar do bloqueio, as mercadorias britânicas chegavam à Europa continental por meio do contrabando, enquanto as autoridades britânicas aumentavam a produção interna, buscavam novas rotas para contornar as restrições, melhoravam a colaboração comercial com suas colônias e tentavam atingir "a superioridade no mar para dificultar o comércio dos franceses com a América". Além disso, financiaram as revoltas armadas nos territórios onde crescia o descontentamento com as políticas francesas para desviar a atenção de Paris", apontou o especialista italiano.
Ele resume que os britânicos tornaram o isolamento na "oportunidade de entrar em novos mercados, fortalecer a indústria nacional e criar seu futuro espaço vital".

"Isso demonstra que as guerras econômicas podem ser simultaneamente um desafio perigoso e uma oportunidade incomparável: tudo depende do curso escolhido pelos participantes", constatou.

Na sua opinião, a Rússia pode encontrar sua "salvação" fora do Ocidente.
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