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Ministério da Defesa e Exército lançam nota polêmica sobre a Ditadura Militar

© José Dias / Palácio do Planalto / CC BY 2.0Walter Braga Netto quando era ministro da casa civil em 2020
Walter Braga Netto quando era ministro da casa civil em 2020 - Sputnik Brasil, 1920, 31.03.2022
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Sob chancela do ministro e general Braga Netto, uma nota conjunta foi divulgada na noite desta quarta-feira (30) pelo Ministério da Defesa e pelo Exército, versando sobre o golpe que culminou na Ditadura Militar que perdurou por 21 anos no país.
O texto causou revolta nas redes sociais - internautas levantaram no Twitter a hashtag "ódio e nojo à ditadura", frase histórica proferida pelo político Ulysses Guimarães após a Assembleia Constituinte, que definiu os parâmetros da Constituição Federal de 1988 e marcou a redemocratização do país.
Braga Netto – que teve uma ascensão meteórica desde que ingressou no atual governodeve ser candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro (PL), que tenta a reeleição. Ele deve deixar o posto de ministro da Defesa amanhã (31) com essa expectativa.
No documento denominado "Ordem do Dia", Braga Netto classificou o Regime Militar como "Movimento de 31 de março de 1964".

"O Movimento de 31 de março de 1964 é um marco histórico da evolução política brasileira, pois refletiu os anseios e as aspirações da população da época", diz a introdução do texto.

O termo "movimento" em alusão direta ao golpe militar já havia sido usado em anos anteriores pelo governo Bolsonaro. A nota prossegue dizendo que "a história não pode ser reescrita, em mero ato de revisionismo, sem a devida contextualização".
O comunicado veio no mesmo dia em que Bolsonaro voltou a ameaçar o Judiciário sobre o resultado das eleições de 2022.

"Nos anos seguintes ao dia 31 de março de 1964, a sociedade brasileira conduziu um período de estabilização, de segurança, de crescimento econômico e de amadurecimento político, que resultou no restabelecimento da paz no País, no fortalecimento da democracia, na ascensão do Brasil no concerto das nações e na aprovação da anistia ampla, geral e irrestrita pelo Congresso Nacional", prossegue a nota.

O regime enaltecido por Bolsonaro e Braga Netto foi marcado por perseguição política, censura, tortura e assassinatos.
Embora os números sejam pouco precisos, a estimativa é que mais de 20 mil pessoas tenham sido torturadas ao longo de 21 anos de vigência da Ditadura Militar.
Revoltados, os usuários do Twitter viralizaram uma frase histórica de Ulysses Guimarães após a Assembleia Constituinte: "Temos ódio e nojo à Ditadura".

"Traidor da Constituição é traidor da pátria. Conhecemos o caminho maldito. Rasgar a Constituição, trancar as portas do parlamento, calotear a liberdade, mandar os patriotas para a cadeia, o exílio e o cemitério. Quando, após tantos anos de lutas e sacrifícios, promulgamos o estatuto do homem, da liberdade e da democracia, bradamos por imposição de sua honra: temos ódio à ditadura. Ódio e nojo", disse Guimaråes, em 5 de outubro de 1988, quando a Carta Magna foi promulgada.

Na época, pessoas levadas aos porões relataram terem sido submetidas a choques elétricos, estrangulamento, afogamentos, socos, estupros e outras agressões. Em muitos casos, os torturados não sobreviveram.
Segundo o jornal Folha de S.Paulo, Comissão da Verdade, instaurada em 2014, indicou 191 mortos e 210 desaparecidos em decorrência da perseguição dos militares. Outros 33 corpos foram localizados posteriormente, totalizando 434 pessoas assassinadas no período.
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