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O que Putin quis dizer com 'desnazificação' da Ucrânia e por que é tão importante?

© AP Photo / Michael ProbstO presidente da Rússia, Vladimir Putin, aparece em uma tela de televisão no mercado de ações em Frankfurt, Alemanha, sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, aparece em uma tela de televisão no mercado de ações em Frankfurt, Alemanha, sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 26.02.2022
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Durante o anúncio da operação especial militar para proteger as repúblicas populares de Donetsk (RPD) e Lugansk (RPL), o presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que seu objetivo era "desmilitarizar e desnazificar" a Ucrânia.
Na ultima quarta-feira (23) com o início da operação especial da Rússia na Ucrânia, após a fala de Vladimir Putin, o porta-voz presidencial russo, Dmitry Peskov, detalhou que "desnazificar" significa libertar a Ucrânia de neonazistas, de seus apoiadores e sua ideologia.
Moscou tem avisado repetidamente outros países que os neonazistas tomaram o controle da Ucrânia após o golpe de Estado pró-ocidental, em 2014. No entanto, os países ocidentais têm ignorado as violações de direitos humanos cometidas por Kiev desde então.
Kremlin em Moscou, Rússia (imagem referencial) - Sputnik Brasil, 1920, 26.02.2022
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Fogo na Casa dos Sindicatos

Desde que os nacionalistas e neonazistas tomaram ilegalmente o poder na Ucrânia, eles enfrentaram uma oposição do movimento "anti-Maidan", mas um incidente na Odessa, em 2 de maio de 2014, se tornou uma das páginas mais sombrias na história do país.
Durante os confrontos de rua entre neonazistas e "anti-Maidan", os manifestantes contrários ao golpe de Estado se refugiaram na sede local dos sindicatos. Seus adversários, apoiados pelas novas autoridades ucranianas, cercaram o prédio e o incendiaram com bombas de gasolina. Centenas de pessoas tentaram desesperadamente escapar do incêndio.
Dez morreram ao saltar do segundo e terceiro andares, enquanto outras 32 morreram em decorrência das severas queimaduras ou sufocaram com a fumaça. Ao todo, 250 pessoas ficaram feridas ao tentarem escapar da morte certa, uma vez que os bombeiros só chegaram no local uma hora depois do início do incêndio.
© AP Photo / Irina GorbasevaTanques ucranianos na região de Donbass
Tanques ucranianos na região de Donbass - Sputnik Brasil, 1920, 26.02.2022
Tanques ucranianos na região de Donbass

Crimes de guerra

Além de enviar tropas regulares para bombardear as cidades da RPD e RPL, a nova liderança de Kiev atraiu vários grupos irregulares, os chamados "batalhões de voluntários", muitas vezes compostos por nacionalistas e ex-presidiários, financiados e equipados por empresários ucranianos com conexões com o novo governo.
Muitos de seus membros estavam frequentemente envolvidos em crimes de guerra como saques, assassinatos de civis e estupros. Um desses batalhões, apelidado de "Tornado", foi dissolvido em dezembro de 2014 por Kiev após inúmeros relatos de seus crimes, mas seus membros nunca foram processados e muitos deles apenas foram realocados para outros batalhões.
A Anistia Internacional, uma organização não governamental sem fins lucrativos, denunciou os crimes de outro conhecido batalhão de voluntários, o "Aidar". Em um deles, homens e mulheres foram amarrados, torturados e executados com tiros na cabeça ou decapitados. No entanto, tais atos permaneceram impunes.
Militares das Forças Armadas russas em automóveis blindados Rys em Armyansk, República da Crimeia, Rússia - Sputnik Brasil, 1920, 26.02.2022
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Perseguição e assassinato de opositores

Os nacionalistas e neonazistas sentados no governo de Kiev também têm uma rica história de crimes e violações de direitos humanos, muitos dos quais meticulosamente reunidos em um "Livro Branco" de 80 páginas publicado pelo Ministério das Relações Exteriores da Rússia.
Em meados de junho de 2014 – menos de cinco meses após a tomada de poder – as novas autoridades ucranianas começaram a infringir os direitos das pessoas de expressar suas opiniões e a liberdade de imprensa, realizando buscas e detenções de manifestantes, jornalistas e impedindo representantes da mídia estrangeira de entrar no país.
As novas autoridades de Kiev também não se coibiram de ameaçar, sequestrar e assassinar jornalistas independentes e opositores políticos contrários à guerra contra RPD e RPL. Entre os casos sem solução mais notórios estão o do jornalista ucraniano Oles Buzyna, morto a tiros junto de sua casa, um dia após o assassinato do ex-deputado Oleg Kalashnikov, supostamente pelos mesmos nacionalistas e neonazistas.
© AFP 2022 / OLEKSANDR RATUSHNIAK / Abrir o banco de imagensSoldados ucranianos durante patrulhamento nas proximidades do aeroporto de Donetsk, no último domingo (7)
Soldados ucranianos durante patrulhamento nas proximidades do aeroporto de Donetsk, no último domingo (7) - Sputnik Brasil, 1920, 26.02.2022
Soldados ucranianos durante patrulhamento nas proximidades do aeroporto de Donetsk, no último domingo (7)

Discriminação do idioma russo

Além de permitir a impunidade dos crimes de guerra e perseguir seus opositores, a liderança ucraniana muitas vezes encorajou em todo o país a discriminação contra tudo o que fosse relacionado à Rússia ou à língua russa.
A política discriminatória se materializou, por exemplo, nos pedidos relativamente inofensivos para as pessoas não comprarem produtos russos; na demissão de acadêmicos russos que ensinavam literatura russa e na detenção de viajantes de língua russa sem qualquer fundamento legal.
Para além disso, eram desenhadas suásticas em memoriais da Segunda Guerra Mundial e das vítimas do holocausto e, nas marchas neonazistas havia palavras de ordem para "matar os russos" que vivem na Ucrânia.
A lista completa dos crimes cometidos pelos líderes nacionalistas de Kiev ao longo desses oito anos estão detalhadas no Livro Branco.
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