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Hipótese de Ucrânia desenvolver armas nucleares é irrealista, segundo especialistas

© REUTERS / JONATHAN ERNSTPresidente da Ucrânia, Vladimir Zelensky, durante reunião com o presidente dos EUA, Joe Biden, na Casa Branca em Washington, EUA, em 1º de setembro de 2021
Presidente da Ucrânia, Vladimir Zelensky, durante reunião com o presidente dos EUA, Joe Biden, na Casa Branca em Washington, EUA, em 1º de setembro de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 20.02.2022
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Analistas discutiram os inúmeros obstáculos que o presidente da Ucrânia teria ao instalar armas nucleares no país. No entanto, também foi mencionado que "a Rússia não ficará em silêncio" se tal cenário for concretizado.
No sábado (19), durante a 56ª Conferência de Segurança de Munique, Vladimir Zelensky, presidente da Ucrânia, advertiu que o país pode renunciar a seu status não nuclear, acordado em 1994 no Memorando de Budapeste.
Ele justificou a proposta com a suposta ameaça ao país por parte da Rússia. O presidente ucraniano pretende agora convocar uma cúpula envolvendo os países que participaram do acordo, e afirmou que se não o conseguir, Kiev deixará de cumprir as respectivas obrigações.
Especialistas ouvidos pela Sputnik analisaram a probabilidade de tal cenário e que consequências poderia ter.

"Você vê a enorme pressão internacional que está sendo exercida sobre o Irã, muitos não lhe permitem obter status nuclear. É preciso convencer a comunidade internacional [da necessidade disso], e depois, pela lógica das coisas, para que a Europa precisa de mais uma rodada de tensões?", comentou Aitech Bizhev, tenente-general e comandante-em-chefe adjunto da Força Aérea da Rússia no Sistema Comum de Defesa Aérea dos Estados-membros da Comunidade dos Estados Independentes desde 2003.

"Pelo contrário, a Europa quer se livrar das armas nucleares, que os americanos impuseram a todos através da colocação de depósitos de armas nucleares nos países europeus da OTAN", apontou o especialista militar.
Combustível nuclear irradiado (foto de arquivo) - Sputnik Brasil, 1920, 20.02.2022
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Bizhev refere a fraca economia ucraniana como principal entrave para o país poder desenvolver o status de potência nuclear, o que requer a produção, meios de transporte, uma inteira infraestrutura militar e industrial, a própria instalação nuclear, extrair o urânio e outras exigências. Na opinião do tenente-general, Zelensky não tem ideia da complexidade dos passos necessários.
"Além disso, quem o deixará fazê-lo? É puro bluff", qualificou ele a afirmação "inesperada" e "mal pensada" do presidente ucraniano.
Já o politólogo Ivan Mezyukho acredita que a ameaça de dar passos rumo ao desenvolvimento de armas nucleares é mais um exemplo de como Zelensky chantageia a Europa, como forma de conseguir dinheiro para enfrentar uma mítica "agressão" russa.
"Tendo em conta o colossal nível de corrupção nos departamentos de defesa da Ucrânia, podemos dizer que, tanto os generais como os políticos ucranianos estão lucrando bem com atividade militarista. Na minha opinião, os países europeus não aceitarão categoricamente uma saída teórica da Ucrânia do Memorando de Budapeste. No máximo, eles poderão aceitar a ideia de realizar consultas entre os Estados que assinaram esse documento, e nada mais", segundo o presidente da organização regional Centro de Educação Política, na Crimeia.
"A Ucrânia virará um Estado pária até mesmo aos olhos do Ocidente se Zelensky realmente tomar a decisão de retirar a assinatura de Kiev do Memorando de Budapeste", prevê o analista.
No entanto, adverte ele, se os EUA, Reino Unido ou qualquer outro país de repente tomar a decisão de colocar armas nucleares na Ucrânia, "a Rússia não ficará em silêncio, e responderá nos termos mais fortes possíveis. A instalação de armas nucleares no território ucraniano desencadeará eventos que levarão à destruição deste país. Kiev, Londres e Washington devem entender isso".
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