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Analistas explicam como EUA se beneficiariam da 'invasão' da Ucrânia pela Rússia

© REUTERS / Antonio BronicMilitares das Forças de Defesa Territoriais ucranianas perto de Kiev, Ucrânia, 19 de fevereiro de 2022
Militares das Forças de Defesa Territoriais ucranianas perto de Kiev, Ucrânia, 19 de fevereiro de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 20.02.2022
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Três analistas comentam como a escalada da situação em Donbass poderia ser aproveitada pelos EUA, apesar de uma incursão russa na Ucrânia ser "altamente improvável".
As tensões no leste da Ucrânia jogam a favor dos EUA, que seriam os maiores beneficiários do conflito, acredita Alexander Clackson, fundador do think tank britânico Global Political Insight.

"A prioridade para os Estados Unidos e vários outros países ocidentais é, desde o princípio, posicionar a Rússia como a principal agressora nesta crise", disse ele à Sputnik.

Segundo Clackson, há "interesses comerciais" por trás de uma invasão da Ucrânia pela Rússia. O objetivo é "provocar a Rússia" para depois impor sanções e isolá-la aos olhos da comunidade internacional, permitindo aos EUA capturar partes do mercado energético da Europa e aumentar a demanda para a venda de armas norte-americanas.
No entanto, uma invasão russa da Ucrânia é "altamente improvável", devido aos danos econômicos e em termos de reputação que a Rússia sofreria, explica Clackson.
Alan Bailey, analista político do Reino Unido, concorda, e não tem dúvidas de que Washington está "encorajando os ataques recentes contra Donetsk e Lugansk" com esse objetivo.

"Assim que o armamento russo cruza a fronteira, o grande pacote de sanções altamente publicitado pela mídia entra em ação e eles regressam ao 'Plano A' de tentar quebrar a economia russa, porque esse é o único caminho para alcançar seus objetivos, visto que a Rússia não pode ser derrotada militarmente", indica.

Apesar de Bailey crer que nem todos no Ocidente querem a guerra, ele nota que países como a França e a Alemanha podem ser soberanos na sua região, mas são "jogadores menores" nestes eventos. A vontade dos EUA é não permitir o surgimento de competição antes de a ter de aceitar, "e é isso que estamos observando agora".
Já Tiberio Graziani define o "Ocidente" como os EUA. Os Estados europeus, "a um nível principalmente estratégico, são a esfera de influência dos Estados Unidos.
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Os países uropeus são objetivamente subordinados aos EUA, apesar de sua força econômica e industrial, tanto militarmente (através da OTAN) como politicamente", sublinha o diretor do think tank italiano Vision & Global Trends.
"Os Estados Unidos e o Ocidente não têm vontade particular de fazer quaisquer concessões à Rússia, particularmente no que toca à entrada potencial da Ucrânia na OTAN. Por esta razão, o Ocidente não quer ser visto concordando com quaisquer das demandas russas", argumenta ele, e acrescenta que o mesmo se aplica aos acordos de Minsk.
"Washington não quer que existam quaisquer acordos entre as partes porque sua estratégia – uma paródia do romano 'divide et impera' [dividir para conquistar] – permite a construção de 'arcos de crise' em várias áreas do planeta, de forma a manter a hegemonia mundial, por mais ameaçada que seja pela resiliência da Federação da Rússia e a ascensão da República Popular da China", diz Graziani, e que a crise em Donbass é usada para realizar os fins dos EUA.
Nos últimos dias se intensificaram as tensões em torno da região de Donbass, com Kiev ignorando todos os acordos alcançados anteriormente, concentrando na linha de separação com as repúblicas populares de Donetsk e Lugansk a maior parte do seu Exército e conduzindo regularmente ataques contra as milícias populares das repúblicas, inclusive com armamento proibido.
Devido à ameaça de uma invasão da Ucrânia, as autoproclamadas repúblicas começaram a evacuação de mulheres, crianças e idosos para a região russa de Rostov e anunciaram a mobilização geral.
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