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'Nível mundial': estudo brasileiro pode mudar compreensão sobre a evolução dos dinossauros

© Janaína Brand DillmannO paleontólogo Rodrigo Temp Müller, pesquisador da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) com fósseis do dinossauro
O paleontólogo Rodrigo Temp Müller, pesquisador da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) com fósseis do dinossauro - Sputnik Brasil, 1920, 14.02.2022
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Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) detalhou descobertas sobre a evolução do tamanho dos dinossauros. A Sputnik Brasil conversou com um dos paleontólogos responsáveis pela pesquisa.
Na sexta-feira (11), um estudo brasileiro publicado no periódico norte-americano Journal of Vertebrate Paleontology (Revista sobre Paleontologia Vertebrada, em tradução livre) apresentou a descoberta de um fóssil que trouxe informações valiosas sobre a evolução do tamanho corpóreo dos dinossauros.
Segundo um dos responsáveis pelo estudo, o paleontólogo Rodrigo Temp Muller, pesquisador do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia da Universidade Federal de Santa Maria (CAPPA/UFSM), o fóssil de um animal de cerca de 2,2 metros de comprimento, encontrado em fevereiro do ano passado na cidade de Agudo, no Rio Grande do Sul, trouxe à tona informações importantes sobre o período em que os dinossauros começaram a crescer - entre 233 e 225 milhões de anos atrás.

"O que ele [o fóssil descoberto] nos mostra de maneira geral é que essas mudanças não vão ter acontecido durante esse intervalo que a gente imaginava, elas acontecem depois, já nessas formas mais avançadas. Então, ele retém as condições primitivas", afirma Muller em entrevista à Sputnik Brasil.

Apesar de conhecidos por serem os maiores animais terrestres que já andaram no planeta, os dinossauros já foram muito menores e passaram por pelo menos oito milhões de anos de adaptação até atingirem seus maiores tamanhos.
© DivulgaçãoFósseis de dinossauros descobertos por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) em Agudo, no estado brasileiro do Rio Grande do Sul
Fósseis de dinossauros descobertos por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) em Agudo, no estado brasileiro do Rio Grande do Sul - Sputnik Brasil, 1920, 14.02.2022
Fósseis de dinossauros descobertos por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) em Agudo, no estado brasileiro do Rio Grande do Sul
Para compreender detalhes dessas mudanças, os cientistas precisam de fósseis desse período específico de adaptação, no qual o fóssil descoberto por Muller se encaixa. Segundo o cientista, os sítios arqueológicos da região da descoberta estão entre os mais importantes e ricos do mundo.

"Para quem estuda dinossauros, esses sítios aqui da região central do Rio Grande do Sul são muito importantes, porque eles vão ter os dinossauros mais importantes do mundo. A gente vai ter formas similares apenas na Argentina – talvez alguma coisa na África. [...] A gente tem praticamente todos esses oito milhões de anos de evolução inicial do grupo dos dinossauros registrados aqui nesses sítios, por isso eles são tão importantes" afirma Muller, que publicou o estudo em parceria com o biólogo Maurício Silva Garcia, também pesquisador da UFSM.

Descoberta destaca importância da paleontologia brasileira

O paleontólogo explica que descobertas baseadas nos fósseis encontrados, como o formato, a posição dos ossos e as estruturas de fixação muscular, mostram que os dinossauros cresceram gradualmente durante o início da evolução do grupo, mas que as mudanças mais significativas relacionadas ao aumento do peso ocorreram somente próximas do momento em que eles passaram dos 100 kg.
"Esse fóssil é interessante por mostrar justamente o que não está mudando em relação ao que a gente esperava, e também, de uma maneira mais geral, ele reforça o potencial fossilífero que temos na região. A paleontologia brasileira é reconhecida ao nível mundial, então cada descoberta que fazemos nesse nível ajuda a difundir a paleontologia que a gente faz na região e o patrimônio fossilífero que temos aqui", aponta o paleontólogo.
Muller acredita que as descobertas feitas no Rio Grande do Sul servirão de base para que cientistas do mundo inteiro possam avançar em suas pesquisas sobre o tema, reforçando o papel da ciência brasileira para o desenvolvimento científico internacional.
"Agora ele vai servir de dado para outros estudos. A gente vai continuar estudando. E também os fósseis que estão no CAPPA servem para outros pesquisadores de outros lugares, tanto do Brasil como do mundo, que visitam nosso centro para fazerem análises e pesquisas. Então, esses fósseis que a gente encontra, além de nós aqui estudarmos, outros pesquisadores do mundo também vão usar para os estudos deles", conclui.
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