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Temos que encontrar forma de garantir a segurança de todos: da Rússia, Europa e Ucrânia, diz Putin

© REUTERS / Yuri KochetkovVladimir Putin, presidente da Rússia, durante coletiva de imprensa conjunta com Viktor Orban, primeiro-ministro da Hungria (fora da foto) em Moscou, Rússia, 1º de fevereiro de 2022
Vladimir Putin, presidente da Rússia, durante coletiva de imprensa conjunta com Viktor Orban, primeiro-ministro da Hungria (fora da foto) em Moscou, Rússia, 1º de fevereiro de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 01.02.2022
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Presidente russo concede coletiva de imprensa conjunta junto ao primeiro-ministro húngaro que está visitando Moscou. Segundo Putin, "três requisitos principais" requeridos pela Rússia não foram atendidos nas respostas dos EUA e da OTAN.
Nesta terça-feira (1º), em coletiva de imprensa conjunta com o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, o presidente russo, Vladimir Putin, disse a repórteres que as preocupações da Rússia foram ignoradas na resposta dos EUA e OTAN às propostas de garantias de segurança apresentadas por Moscou.
"Estamos analisando cuidadosamente as respostas escritas recebidas dos Estados Unidos e da OTAN, mas já está claro que as preocupações fundamentais da Rússia acabaram sendo ignoradas", declarou Putin.
O líder completou dizendo "não vimos uma consideração adequada de nossos três requisitos principais, que são impedir a expansão da OTAN; não permitir o destacamento de sistemas de armamento perto das fronteiras russas; e também o regresso da infraestrutura do bloco militar na Europa às fronteiras de 1997".
O presidente da Rússia lembrou que a OTAN prometeu não se expandir para leste, mas não foi isso que aconteceu.
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"Como se sabe, nos foram feitas promessas de que a infraestrutura do bloco da OTAN não avançaria para o leste nem um centímetro. Todos sabem bem isso. Hoje vemos onde está a OTAN, a Polônia, Romênia, países do Báltico. Disseram uma coisa, fizeram outra", apontou ele, e sugeriu o que se deve fazer para evitar desenvolvimentos negativos em torno da Ucrânia.

"Se olharmos para todas estas múltiplas questões de forma profunda, séria, ficará claro que na tentativa de evitar um desenvolvimento negativo da situação assim, e nós o queremos evitar, é preciso ter verdadeiramente em conta os interesses de todos os países, incluindo a Rússia, e encontrar soluções para a resolução deste problema", afirmou o mandatário russo.

Putin explicou o que ele considera que a Ucrânia é para os EUA.
"Dizem a nós que sim, cada país tem o direito de escolher seu próprio sistema de segurança. Concordamos com isso. Mas me parece que os próprios Estados Unidos se preocupam não tanto com a segurança da Ucrânia, embora eles possam pensar nisso, mas algures no segundo plano. Seu objetivo mais importante é conter o desenvolvimento da Rússia."
"É aí que está a questão. Neste sentido a própria Ucrânia é apenas um instrumento para atingir esse objetivo. Isso pode ser feito de várias formas, nos arrastando para algum conflito militar e obrigar inclusive seus aliados na Europa a introduzir contra nós essas mesmas sanções de que estão falando hoje nos EUA", acrescentou o alto responsável russo.
O presidente da Rússia indicou a Ucrânia como criando ameaças para si própria.
"Agora acerca do cumprimento dos Acordos de Minsk [que procuram conseguir a paz no conflito de Donbass]. Nós, por um lado, ouvimos declarações de que a Ucrânia quer cumprir, estão sempre nos culpando que não cumprimos os Acordos de Minsk, e ao mesmo tempo surgem afirmações públicas que se a Ucrânia cumprir essas declarações, ela se desmoronará", resumiu Putin.
Um dançarino em traje nacional ucraniano se apresenta durante a cerimônia de abertura dos exercícios militares Rapid Trident (tridente rápido), 15 de setembro de 2014, perto da cidade ucraniana ocidental de Yavorov
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"Ninguém pensou que se ela cria essas ameaças à Rússia, ela está criando ameaças semelhantes a si própria. São todas questões que requerem uma consideração muito cuidadosa e ter em conta os interesses uns dos outros", frisou.
O chefe do Executivo da Rússia também expressou preocupação com os planos territoriais futuros da Ucrânia.

"Nos documentos doutrinais da própria Ucrânia está escrito que eles pretendem recuperar a Crimeia, incluindo pela via militar. Não é algo que eles dizem ao público, está escrito nos documentos. Imaginemos que a Ucrânia é um membro da OTAN, está repleta de armas, tem sistemas de ataque modernos, como na Polônia e na Romênia, quem vai detê-la? Depois começa operações na Crimeia, nem vou falar de Donbass", continuou, afirmando que a questão da Crimeia está fechada.

"É um território soberano russo. Neste aspecto a questão está fechada para nós. Imaginemos a Ucrânia como um país da OTAN que começa estas operações militares. O que vamos fazer, combater o bloco da OTAN? Alguém alguma vez pensou nisso? Parece que não", comentou ele.
Vladimir Putin criticou igualmente a política de "portas abertas" da OTAN e sua aplicação à Ucrânia.
"Falam de uma política de 'portas abertas'. Onde ela apareceu? [...] Onde foi prevista? Em lado nenhum. No artigo 10 do tratado de 1949, se a memória não me engana, sobre a criação da OTAN está escrito que a aliança, por acordo com todos os membros e participantes da OTAN, pode aceitar outros países europeus nesta organização. Pode, mas não tem obrigação", sublinhou.
"Os próprios EUA e a OTAN podem dizer, incluindo à Ucrânia: ' Queremos garantir sua segurança, a valorizamos, respeitamos suas aspirações, mas não os podemos aceitar por que já temos outras obrigações internacionais previamente aceitas'. O que há aqui de incompreensível ou ofensivo para a Ucrânia?", questionou ele.
Assim, o líder russo instou à necessidade de garantir a segurança de todos os países, incluindo a Ucrânia, países europeus e a Rússia, através de uma leitura "séria e ponderada" das propostas de Moscou.
"Espero que no final das contas consigamos encontrar esta solução, embora ela seja difícil, estamos bem cientes disso. No entanto, claro que ainda não estou pronto para falar hoje sobre o que acontecerá", observou Putin.
Durante a entrevista coletiva o presidente russo também abordou as questões das relações russo-europeias, as tensões em torno da Ucrânia e a violação dos direitos humanos nesse país.
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