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Transporte aquaviário no Brasil sofre ameaça climática e deve avaliar riscos, diz especialista

© Folhapress / Alf RibeiroEm Santos, no estado brasileiro de São Paulo, um homem observa um cargueiro proveniente de Hong Kong sendo rebocado pelo canal do Porto de Santos, em 17 de setembro de 2021
Em Santos, no estado brasileiro de São Paulo, um homem observa um cargueiro proveniente de Hong Kong sendo rebocado pelo canal do Porto de Santos, em 17 de setembro de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 21.01.2022
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No início de janeiro deste ano, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro (PL) sancionou um projeto de lei que prevê investimentos em cabotagem. Apesar disso, portos brasileiros são ameados pelo aquecimento global. A Sputnik Brasil ouviu um especialista em desenvolvimento sustentável para discutir o assunto.
Criticado por caminhoneiros, o Programa de Estímulo ao Transporte por Cabotagem (BR do Mar) anunciado pelo governo federal busca promover e estimular o setor de transporte entre portos brasileiros. O Ministério da Infraestrutura almeja que a capacidade da frota marítima cresça 40% em três anos com o programa – com exceção do transporte de petróleo e derivados.
Conforme informações publicadas pelo portal da indústria em 2020, a cabotagem representa 11% da matriz nacional de transportes, sendo que 7% são cargas de petróleo e derivados. Segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), o volume de carga no setor cresceu 6,33% apenas em 2021.
Apesar do estímulo e do potencial do setor, o avanço do aquecimento global é visto como uma ameaça para o desenvolvimento do transporte aquaviário no Brasil. Pesquisa publicada pela ANTAQ em parceria com a Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável (GIZ, na sigla em alemão) aponta que dos 21 portos públicos brasileiros analisados, cinco estão sob nível muito alto de ameaça de aumento do nível do mar até 2050 – incluindo o porto de Santos. Outros seis portos têm nível alto de ameaça.
Além disso, pelo menos três portos já apresentam risco alto ou muito alto de ameaça de tempestades. Na análise de ameaça de vendavais, sete portos têm nível alto - o que deve aumentar para 16 nas próximas três décadas.
© Folhapress / Eduardo KnappVista geral de contêineres no porto de Santos, em São Paulo. Foto de arquivo
Vista geral de contêineres no porto de Santos, em São Paulo. Foto de arquivo - Sputnik Brasil, 1920, 21.01.2022
Vista geral de contêineres no porto de Santos, em São Paulo. Foto de arquivo
Marcus Nakagawa, coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental, afirma que o aquecimento global deve ser levado em conta para o investimento em políticas públicas, tendo em vista as evidências de riscos gerados pela mudança climática.
"Os impactos do aquecimento global vão colocar em risco todos os projetos de governo se não forem consideradas essas variáveis como um risco a qualquer investimento governamental ou empresarial", aponta o especialista em entrevista à Sputnik Brasil, acrescentando que esses riscos são maiores no transporte aquaviário.
Para Nakagawa, tendo em vista a ausência de uma rede ferroviária no país, a cabotagem é uma alternativa razoável, mas há necessidade de investimento simultâneo em diversas formas de transporte para reduzir riscos, como os apresentados pelo aquecimento global.

"No Brasil a gente precisa de mais investimentos no modal de transportes, no modal de redes viárias, de diversas formas. Não somente cabotagem, não somente rodoviária, ou senão ferroviária - que foi nosso antigo modo. A gente precisava ter todos os tipos para que possa ter uma diversificação e correr menos riscos", afirma.

© Folhapress / Mathilde MissioneiroMinistro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas. Foto de arquivo
Ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas. Foto de arquivo - Sputnik Brasil, 1920, 21.01.2022
Ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas. Foto de arquivo
Apesar de apontar a necessidade de investimentos diversificados em alternativas de transporte, Nakagawa destaca que o Brasil tem potencial para desenvolver o transporte aquaviário. O especialista acredita, porém, que essa mudança poderia prejudicar os caminhoneiros, mas aponta que o aperfeiçoamento no modelo de transporte é fundamental. Segundo o Ministério da Infraestrutura, o estímulo à cabotagem é benéfico para o transporte rodoviário, pois pode aumentar o fluxo de mercadorias em trechos curtos, nos quais o frete é mais alto par os caminhoneiros.

"A gente não pode ficar dependente somente de um modo de transporte nesse país continental", afirma, acrescentando ainda que o cuidado com o meio ambiente e a diversificação dos transportes são investimentos essenciais para gerar desenvolvimento no país.

Para Nakagawa, o investimento em tecnologia e pesquisa também não pode ser esquecido, com ênfase no beneficiamento de pessoal especializado para a avaliação de riscos inerentes às mudanças climáticas e transformações no modelo de transporte. Essa ênfase deve levar em conta também a avaliação o impacto ambiental e social nos projetos de transporte.
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