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COVID-19: Portugal inicia vacinação de crianças de 5 a 11 anos, com polêmica e médicos divididos

© AFP 2021 / Menahem KahanaProfissional da saúde israelense aplica uma dose da vacina Pfizer em uma criança de 6 anos em Jerusalém, em 23 de novembro de 2021
Profissional da saúde israelense aplica uma dose da vacina Pfizer em uma criança de 6 anos em Jerusalém, em 23 de novembro de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 15.12.2021
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Portugal iniciou o autoagendamento de vacinação contra COVID-19 para crianças de cinco a 11 anos nesta semana. Neste fim de semana, serão imunizadas aquelas que tiverem 10 e 11 anos. A imunização das demais será em janeiro. No entanto, médicos ouvidos pela Sputnik Brasil estão divididos sobre o tema.
A Região Autônoma da Madeira começou, nesta terça-feira (14), a inoculação da vacina pediátrica Pfizer, com um terço da dose aplicada em adultos. A expectativa é a de que até 30 de dezembro sejam imunizadas 12 mil crianças entre cinco e 11 anos. Ao todo, já chegaram a Portugal 300 mil doses, e o governo espera inocular 600 mil nessa faixa etária até março.
Porém, não há tanto consenso entre a comunidade médico-científica do país. A polêmica começou quando a Direção-Geral de Saúde (DGS) tornou confidencial e sigiloso um parecer técnico de pediatras e especialistas em saúde infantil e ética sobre a vacinação nessa faixa etária. O mesmo grupo de trabalho já havia se pronunciado sobre a imunização de adolescentes, que também foi alvo de discussão em Portugal.
Após a pressão da imprensa portuguesa, a DGS divulgou, na última sexta-feira (10), um documento de 30 páginas da Comissão Técnica de Vacinação, das quais apenas duas dizem respeito ao parecer dos 12 especialistas do grupo de trabalho pediátrico.
Eles destacam que, até o momento, há incerteza quanto ao impacto da vacinação de crianças dos cinco aos 11 anos na transmissão entre pares e na população mais ampla (altamente vacinada) e se esta proteção poderá diminuir com o declínio da imunidade e/ou com o surgimento de novas variantes, como a Ômicron. Os especialistas também consideram incerto o impacto da vacinação na carga total da COVID-19 (incluindo hospitalizações e mortes) nas diferentes faixas etárias.

"Consideramos que deve ser dada prioridade à vacinação dos adultos e dos grupos de risco, incluindo as crianças dos cinco aos 11 anos. Poderá ser prudente aguardar por mais evidência científica antes de ser tomada uma decisão final de vacinação universal deste grupo etário", lê-se na conclusão do parecer.

'Não há estudos suficientes para alguém ser a favor ou contra, em definitivo', diz médico

O médico carioca Marcio Sister, que mora e trabalha na Vila Nova de Gaia, na região Norte de Portugal, ressalta que o documento recomenda a imunização de crianças com comorbidades associadas, como imunodepressão e alterações respiratórias, mas não é claro sobre a vacinação universal, nas demais, saudáveis.

"As opiniões são completamente díspares. Cada grupo fala uma coisa, e não existem estudos suficientes para alguém ser a favor ou contra, em definitivo, é claro. Imagino os pais tendo que decidir. Crianças não são adultos pequenos", pondera Sister, em entrevista à Sputnik Brasil.

Segundo ele, ainda não teria havido tempo para estes estudos serem realizados de forma consistente, já que não se pensava na vacinação de crianças anteriormente. De acordo com o médico, como a incidência de casos graves de COVID-19 em crianças não é tão alta quanto em adultos, talvez, por isso, não haja estudos mais profundos.

"É diferente dos casos de adultos, já há dois anos e com uma casuística enorme, infelizmente. E como em situações de guerra - e como dizia o vice-almirante [Henrique Gouveia e Melo], isso é uma guerra -, os grandes avanços da medicina acontecem nessas ocasiões justamente por causa do grande número de casos que podem ser estudados. Com muito menos casos graves de crianças, como fazer esses estudos?", indaga.

Ele considera difícil e problemática a decisão de vacinar ou não as crianças, neste momento.
"Se eu tivesse filhos pequenos, eu os vacinaria. É minha opinião pessoal, talvez nem de médico, mas de pai e avô", relativiza.
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'Não há por que não vacinar crianças', defende infectologista

Já o infectologista Renato Kfouri, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), considera que o ensaio clínico feito pela Pfizer em cerca de três mil crianças entre cinco e 11 anos são seguros o suficiente. De acordo com ele, à medida que avançamos na vacinação da população adulta, é natural que os estudos e a necessidade de vacinação de populações pediátricas sejam necessários para controle da pandemia.

"Não haveria por que não vacinar crianças e adolescentes. É óbvio que, a exemplo do que fizemos com a dos adultos e com os adolescentes, com vacinas que se demonstrem seguras e eficazes. Tem um estudo já publicado de crianças de cinco anos a 11 anos que foi suficiente pela análise das agências europeia, americana canadense e atualmente está sendo submetido à Anvisa também para sua aprovação", explica Kfouri à Sputnik Brasil.

Os Estados Unidos foram dos primeiros a autorizar a vacinação dos cinco aos 11 anos, com o imunizante da Pfizer, ainda no fim de outubro. O Canadá aprovou, em 19 de novembro, a vacina para a faixa etária, assim como Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Omã.
© AFP 2021 / Adalberto RoqueMenino cubano de 13 anos recebe a vacina cubana Soberana Plus contra a COVID-19, em 24 de agosto de 2021, no hospital Juan Manuel Márquez, em Havana, durante os testes do imunizante em crianças e adolescentes
Menino cubano de 13 anos recebe a vacina cubana Soberana Plus contra a COVID-19, em 24 de agosto de 2021, no hospital Juan Manuel Márquez, em Havana, durante os testes do imunizante em crianças e adolescentes - Sputnik Brasil, 1920, 15.12.2021
Menino cubano de 13 anos recebe a vacina cubana Soberana Plus contra a COVID-19, em 24 de agosto de 2021, no hospital Juan Manuel Márquez, em Havana, durante os testes do imunizante em crianças e adolescentes
Na União Europeia, a vacinação de crianças na Espanha está prevista para começar nesta quarta-feira (15). A Itália também já aprovou a vacinação nesta faixa etária, mas sem data definida para começar ainda. Já a França optou por aplicar as doses naquelas que têm "risco elevado" ou que vivem com pessoas vulneráveis. A decisão sobre a imunização universal deve sair na próxima segunda-feira (20).
Por sua vez, a China autorizou dois fármacos (Coronavac e Sinhopharm) para crianças acima de 3 anos. Hong Kong e Bahrein devem seguir o mesmo caminho com a Coronavac. Japão e Singapura querem ampliar a inoculação nesta faixa etária entre janeiro e fevereiro de 2022.

"Em breve, teremos uma vacina de cinco a 11 anos anos aqui no Brasil. E as vacinas inativadas, como a Coronavac, também têm estudos clínicos e do mundo real, já que alguns países já estão aplicando a partir dos 3 anos. A Coronavac pode também compor um dossiê com mais informações do mundo real. Os EUA aplicaram cinco milhões de doses de Pfizer em crianças, o que vem acumulando mais experiência de uso ainda e que nos traz mais segurança", compara.

De acordo com Kfouri, é necessário vacinar crianças de cinco a 11 anos para o controle da pandemia e para a própria proteção delas. Segundo ele, houve 2.400 mortes por COVID-19 em crianças e jovens menores de 20 anos no Brasil. Ele afirma que é a doença evitável por vacina que mais mata no país, superando a soma de mortes por gripe, coqueluche, meningite, diarreia, tuberculose, sarampo, febre-amarela etc.

"As mortes por COVID superam, de longe, todas as doenças do calendário infantil juntas. Não titubeemos em recomendar as vacinas todas do calendário. Acho que esse é um caminho inexorável: a expansão da vacinação para uma base populacional que não para por aí. Os estudos com crianças de dois a cinco anos já estão andando bem, com a Coronavac a partir dos 3. Vamos precisar, sim, incluir crianças e adolescentes que têm uma carga da doença importante na nossa população aqui e no mundo todo", defende.

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