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'Quando situação agravar, EUA vão abandonar Taiwan', diz analista ante 'apoio' estadunidense à ilha

© REUTERS / Stephen LamA demonstrator holds flags of Taiwan and the United States in support of Taiwanese President Tsai Ing-wen during an stop-over after her visit to Latin America in Burlingame, California, U.S., January 14, 2017. REUTERS/Stephen Lam/File Photo
A demonstrator holds flags of Taiwan and the United States in support of Taiwanese President Tsai Ing-wen during an stop-over after her visit to Latin America in Burlingame, California, U.S., January 14, 2017. REUTERS/Stephen Lam/File Photo - Sputnik Brasil, 1920, 25.10.2021
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Na última semana, os EUA causaram alvoroço ao afirmarem que apoiariam Taiwan em um possível ataque da China à ilha. Diante das tensões que se edificam progressivamente sobre a questão, a Sputnik Brasil entrevistou analista para saber o que esperar desse cenário.
Na quinta-feira (21), o presidente norte-americano, Joe Biden, foi indagado por uma mídia se os EUA defenderiam Taiwan no caso de um ataque militar por parte da China, o presidente respondeu imediatamente: "Sim, temos o compromisso de fazer isso [proteger Taiwan]".
Em seguida, na sexta-feira (22), Pequim se pronunciou sobre o comentário de Biden através da sua chancelaria, exortando Washington a "ter cautela com suas palavras e ações sobre a questão de Taiwan [...] para não prejudicar seriamente as relações China-EUA", conforme noticiado.
Entretanto, especialistas consideram que, embora Washington seja obrigado por lei a fornecer a Taipé meios para se defender, há muito tempo o governo norte-americano segue uma política de "ambiguidade estratégica" sobre uma possível intervenção estadunidense para proteger Taiwan diante de um ataque chinês.
A Sputnik Brasil entrevistou Sergei Luzyanin, professor do Instituto Estatal de Relações Internacionais de Moscou e da Universidade de Investigação Nacional e Escola Superior de Economia para compreender se os EUA têm mesmo o compromisso de defender Taipé e se as recentes declarações chinesas vão conduzir a um real ataque militar.
© REUTERS / Jonathan ErnstPresidente dos EUA, Joe Biden, fala sobre a proposta de investimento em infraestrutura com Anderson Cooper da CNN e responde sobre Taiwan em Baltimore, 21 de outubro de 2021
Presidente dos EUA, Joe Biden, fala sobre a proposta de investimento em infraestrutura com Anderson Cooper da CNN e responde sobre Taiwan em Baltimore, 21 de outubro de 2021     - Sputnik Brasil, 1920, 09.11.2021
Presidente dos EUA, Joe Biden, fala sobre a proposta de investimento em infraestrutura com Anderson Cooper da CNN e responde sobre Taiwan em Baltimore, 21 de outubro de 2021
Comentando as declarações de Biden, um funcionário da Casa Branca afirmou à CNN que o presidente não anunciou qualquer mudança na política norte-americana sobre Taiwan e China.
"As relações de defesa dos EUA com Taiwan são guiadas pela Lei de Relações com Taiwan. Manteremos nossos compromissos nos termos da lei […]", declarou o funcionário.
Luzyanin elucida que a lei referida se trata "do famoso Tratado de Defesa Mútua entre os Estados Unidos e Taiwan, assinado em 2 de dezembro de 1954".
"No entanto, em 1979, os EUA romperam as relações diplomáticas com Taiwan, e por isso, foi anulado esse tratado pelo qual a independência da ilha era reconhecida, uma vez que os EUA assinaram um tratado com a China no mesmo ano. […] Então, o presidente Biden está citando a lei interna norte-americana sobre as relações entre Washington e Taipé", explicou.
O professor esclarece que essa lei "é uma lei interna, uma norma nacional norte-americana sobre a defesa da ilha" e que "as referências a esse documento estão em desacordo com as relações oficiais entre Washington e Pequim, já que os EUA reconheceram oficialmente a existência da República Popular da China e continuam a reconhecer esse Estado".
Contudo, na visão do especialista, há mais um aspecto por detrás das declarações de Biden, a partir do momento que o governo norte-americano está "tentando formar vários blocos anti-China", e por isso, a referência do presidente ao compromisso com a ilha "é simplesmente uma tentativa de acalmar Taiwan e suas autoridades, além de querer provocar na região sentimentos anti-China".
"[…] Mas a gente sabe bem como terminou o apoio dos EUA aos seus aliados no Afeganistão. Essa situação bem pode ser projetada nas relações dos EUA com Taiwan. Quando a situação agravar, Washington vai abandonar imediatamente o seu pequeno irmão taiwanês, como já o fizeram em 1971", complementou.
© REUTERS / Ann WangRichard Armitage, ex-subsecretário de Estado dos EUA, fala em reunião com Tsai Ing-wen, presidente de Taiwan, no escritório presidencial em Taipé, Taiwan, 15 de abril de 2021
Richard Armitage, ex-subsecretário de Estado dos EUA, fala em reunião com Tsai Ing-wen, presidente de Taiwan, no escritório presidencial em Taipé, Taiwan, 15 de abril de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 09.11.2021
Richard Armitage, ex-subsecretário de Estado dos EUA, fala em reunião com Tsai Ing-wen, presidente de Taiwan, no escritório presidencial em Taipé, Taiwan, 15 de abril de 2021

Relação Pequim-Taipé

Ultimamente, Pequim tem sido, cada vez mais, bastante incisiva em relação a declarações referentes à ilha, sempre deixando claro que Taiwan faz parte da China dentro do princípio de "Uma Só China".
Questionado se, de fato, o governo chinês está se preparando para uma guerra com intuito de retomar a ilha, Luzyanin afirma que, até o momento, "não diria que Pequim está preparando uma operação militar em Taiwan", mas "ao mesmo tempo, é óbvio que o discurso em relação a Taipé […] se tornou mais agudo, sério e duro".
"Hoje, o rumo da política externa chinesa se afastou dos princípios habituais de 'se manter na sombra' e demonstrar um perfil modesto. Agora, a mensagem básica do [presidente] Xi Jinping se concentra na ideia de uma política assertiva. Obviamente, isto afeta a questão de Taiwan. […] Xi disse que a China está interessada em reunificar a pátria e está pronta para o diálogo, porém, é claro que dentro do país, generais e alguns políticos estão pressionando o presidente para que use as Forças Armadas."
O especialista também salienta que caso ocorra uma guerra, a operação "aconteceria em questão de dias, e talvez até de horas", já que "a vantagem militar da China é muito grande, embora Taiwan também esteja se armando ativamente e já possua modernos sistemas de armamento".
Adicionalmente, Luzyanin enfatiza que, de acordo com diferentes especialistas, "além das armas convencionais, a ilha está desenvolvendo suas próprias armas nucleares", porém, "essa é uma versão não oficial que precisa ser confirmada".
© AFP 2021 / Sam YehMíssil supersônico Míssil Hsiung Feng III de Taiwan
Míssil supersônico Míssil Hsiung Feng III de Taiwan - Sputnik Brasil, 1920, 09.11.2021
Míssil supersônico Míssil Hsiung Feng III de Taiwan
Diante da visão territorial chinesa sobre a ilha, algumas linhas vermelhas são impostas e, de acordo com o professor, "Taipé sabe muito bem quais são essas linhas". Uma delas estaria ligada à não declaração formal, por parte de autoridades da ilha, sobre a independência.
"A imprensa também fala muito sobre a independência, mas os presidentes, nunca. Vamos examinar a situação atual: Tsai Ing-Wen foi eleita presidente em 2020. Se ela declarar oficialmente a independência da República de Taiwan, isso levaria à retaliação da China, inclusive a ações militares", afirmou Luzyanin.
O especialista complementa que embora a presidente "diga que Taipé, de fato, é independente e que, de fato, é um Estado soberano, tudo é apenas 'de fato'. Esta é uma questão de princípio para os chineses […] Pequim presta muita atenção às declarações eleitorais, à imprensa e aos especialistas, mas somente declarações oficiais deste tipo podem levar a uma intervenção militar".
© AP Photo / Taiwan Presidential Office via APPresidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, discursando durante posse de seu segundo mandato presidencial
Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, discursando durante posse de seu segundo mandato presidencial - Sputnik Brasil, 1920, 09.11.2021
Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, discursando durante posse de seu segundo mandato presidencial
Essa seria uma linha vermelha que não poderia ser ultrapassada por Taiwan, mas em relação aos EUA, Luzyanin diz que há quatro pontos essências que edificam a fronteira, os quais "os EUA não devem violar em nenhuma hipótese".
"Primeiro, desde 1979, Washington se compromete a só identificar a China como Estado. Segundo, os EUA não podem reconhecer a independência da ilha. Em terceiro, na ONU, Washington deve reconhecer somente Pequim como Estado-membro, e nunca Taiwan. E, finalmente, a quarta regra, que atualmente o governo norte-americano viola: o compromisso de não fornecer armas, tecnologias e ajuda militar à ilha", elucidou o professor.
Segundo o especialista, "os EUA fornecem armas há 30 anos para Taiwan, e, recentemente, o volume desse fornecimento só aumentou"
© AFP 2021 / Sam YehTanques CM-11, de fabricação norte-americana, são disparados na frente de dois canhões de artilharia35º exercício militar "Han Kuang" (Han Glory) no condado de Pingtung, no sul de Taiwan (foto de arquivo)
Tanques CM-11, de fabricação norte-americana, são disparados na frente de dois canhões de artilharia35º exercício militar Han Kuang (Han Glory) no condado de Pingtung, no sul de Taiwan (foto de arquivo) - Sputnik Brasil, 1920, 09.11.2021
Tanques CM-11, de fabricação norte-americana, são disparados na frente de dois canhões de artilharia35º exercício militar "Han Kuang" (Han Glory) no condado de Pingtung, no sul de Taiwan (foto de arquivo)
Diante do cruzamento dessa última linha e o cenário delicado que se edifica em torno da questão China-Taiwan, Luzyanin considera que "a resolução pacífica desse problema depende diretamente das relações entre os EUA-China", no entanto, mais uma vez, salienta que dificilmente grandes potências entrem no conflito, pois o mesmo culminaria "em uma guerra mundial".
"Vamos tomar como 100% a possibilidade de resolução pacífica e de conflito militar entre a China e Taiwan. Hoje, 60% se referem ao diálogo pacífico e 40% ao conflito militar. Há dois anos, a proporção era de 70% e 30% […] mas quando esta situação atingir a proporção de 50% a 50%, a questão vai logo se transformar em conflito militar. Contudo, estou convencido de que mesmo se isso acontecer, a guerra vai ter características de um conflito regional. As grandes potências como Rússia, EUA, Japão, não vão participar porque levaria a uma guerra mundial."
© AP Photo / Chiang Ying-yingSoldados taiwaneses participam de exercício militar no condado de Hsinchu, no norte de Taiwan, usando tanques, morteiros e armas pequenas, 19 de janeiro de 2021
Soldados taiwaneses participam de exercício militar no condado de Hsinchu, no norte de Taiwan, usando tanques, morteiros e armas pequenas, 19 de janeiro de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 09.11.2021
Soldados taiwaneses participam de exercício militar no condado de Hsinchu, no norte de Taiwan, usando tanques, morteiros e armas pequenas, 19 de janeiro de 2021

Guerra Fria 2.0

Os Estados Unidos vêm construindo recentes alianças militares, como Quad entre EUA, Índia, Japão e Austrália, e mais recentemente, formaram uma nova aliança, a AUKUS, que os uniu ao Reino Unido e a Austrália.
Para Luzyanin, "estes novos projetos surgiram como resultado do confronto global entre EUA de um lado e Rússia e China do outro. Assim, podemos dizer que hoje existe uma Guerra Fria".
"Estas alianças militares são uma continuação da Guerra Fria, que se desenvolveu de acordo com os antigos princípios clássicos da guerra bipolar […]. Agora, novos projetos estão surgindo, e estou falando sobre um conceito completamente novo, o de guerra híbrida, que está se desenrolando entre os EUA, Rússia e China, o qual não é mais um segredo. Há guerra híbrida no território desde a frente ucraniana até a frente taiwanesa. Mas na guerra híbrida, os blocos militares clássicos da época da Guerra Fria não são relevantes", ponderou.
O professor acredita que as relações Rússia e China "são uma simples parceria, não uma aliança ou um bloco militar, no entanto, essa parceria é muito mais poderosa do que estas clássicas alianças militares assustadoras [mencionadas acima]".
"Há uma semana foram realizados exercícios militares entre Pequim e Moscou que incluíram submarinos e aeronaves estratégicas […] estes exercícios foram vistos como um choque para os EUA, Japão e Taiwan. […] Devemos mencionar também a nova escalada da Guerra Fria 2.0. Naturalmente, a parceria russo-chinesa não é uma aliança militar, mas é um fator de dissuasão para os Estados Unidos e para os seus aliados na Ásia", elucidou.
Luzyanin destaca que "a situação atual na região Ásia-Pacífico vai se tornando mais abrangente e profunda. Além da dimensão clássica militar, surgem os novos confrontos visíveis e invisíveis" e a partir do momento que "China, Japão e Taiwan são Estados que possuem tecnologias modernas, as guerras de tecnologia híbridas vão acontecer exatamente nessa parte do mundo".
Taiwan se separou da China em 1949, e desde então, desfruta de um sistema democrático pelo qual é governado de forma independente.
Nas últimas semanas, Pequim enviou dezenas de aviões de guerra para perto da Zona de Identificação da Defesa Aérea de Taiwan, e o presidente chinês, Xi Jinping, disse que a "reunificação" entre a China e Taiwan era inevitável.
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