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Alinhado politicamente, Grupo de Lima 'nasceu para morrer', avalia especialista

© REUTERS / Presidência do MéxicoPresidente da Venezuela, Nicolás Maduro, fala ao lado do presidente do Peru, Pedro Castillo, no Palácio Nacional da Cidade do México, México, 18 de setembro de 2021
Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, fala ao lado do presidente do Peru, Pedro Castillo, no Palácio Nacional da Cidade do México, México, 18 de setembro de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 21.10.2021
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A Sputnik Brasil conversou com dois especialistas sobre a retomada das relações diplomáticas entre Venezuela e Peru e as implicações políticas para os dois países, para a América Latina e, em especial, para o Brasil.
Venezuela e Peru restabeleceram relações diplomáticas após quase quatro anos de contatos irregulares. Na sexta-feira passada (15), o presidente venezuelano Nicolás Maduro nomeou Alexander Yánez Deleuze como novo embaixador no Peru. Por sua vez, o presidente peruano Pedro Castillo nomeou Richard Rojas García como embaixador em Caracas.
​A Sputnik Brasil conversou com dois especialistas sobre as implicações políticas para os dois países, a América Latina e, em especial, para o Brasil: Thomas Ferdinand Heye, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF) e especialista em estudos de Defesa e Segurança da América do Sul, e Rafael Araujo. professor de História da América da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e organizador do livro "A Era Chávez e a Venezuela no Tempo Presente".

Relações rompidas

Em 2017, quando o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela assumiu algumas das funções que eram da Assembleia Nacional, comandada pela oposição, o então presidente do Peru, o conservador Pedro Pablo Kuczynski, retirou seu embaixador em Caracas, Mario López Chávarri.
No mesmo ano, foi formado, por iniciativa do governo peruano, sob a justificativa de "denunciar a ruptura da ordem democrática na Venezuela", o Grupo de Lima. Inicialmente o grupo contou com 13 países, incluindo Brasil, Colômbia, México, Canadá e Peru. Apesar de não integrarem oficialmente o bloco, os EUA já chegaram a participar de reuniões como ouvintes por videoconferência.
"O objetivo era contribuir com o diálogo entre governo e oposição para buscar uma solução pacífica e negociada para a crise política que a Venezuela vive e se arrasta de 2014, mas que intensificou de 2017. Mas o Grupo de Lima nasceu com um perfil político alinhado à oposição. Tem um erro de origem, se buscava solucionar ou contribuir com a solução da crise [e] não poderia ter um alinhamento claro à oposição", afirma Rafael Araujo.
Dessa forma, o professor da UERJ considera que houve "muito pouco êxito" do bloco. "Ao ter um perfil alinhado, dificultou qualquer tipo de diálogo. Grupo de Lima nasceu para morrer."

Relações restabelecidas

O socialista Pedro Castillo, do partido Peru Livre, foi eleito em junho deste ano, com 50,125% dos votos válidos. Professor do ensino básico, Castillo começou a ganhar popularidade durante uma greve nacional de professores em 2017.
​"Ele tem um perfil político alinhado à esquerda latino-americana, embora não se alinhe tanto a pautas progressistas do ponto de vista dos direitos das minorias, em especial comunidade LGBTQIA+", diz Araujo, acrescentando que Castillo possui afinidades com o presidente boliviano Luis Arce e com Maduro.
"O restabelecimento das relações diplomáticas entre Venezuela e Peru ocorre justamente da eleição de Pedro Castillo para presidente do Peru e a guinada que o país deu para a esquerda, alinhando-se politicamente a Maduro e ao conjunto de governantes de esquerda da América Latina", explica Rafael Araujo.

Desafios da região

O restabelecimento das relações entre Lima e Caracas é muito importante porque vivem atualmente mais de um milhão de venezuelanos no Peru, sublinha Araujo. Além disso, Lima e Caracas agora podem tratar de questões que são comuns aos dois países como: combate ao narcotráfico, desenvolvimento de ações conjuntas que visem o crescimento econômico e a superação das disparidades sociais, entre outros.
​Atualmente na América do Sul há convergência política entre alguns países: Argentina, Bolívia, Peru e Venezuela possuem presidentes de esquerda. Thomas Ferdinand Heye ressalta, todavia, que esse alinhamento está longe do momento de maior concordância entre os países da América Latina.
"A região [América Latina] se apresentou bastante unida no período de 2008 a 2015, chamado Onda Rosa. Pela primeira vez, a região conseguia fazer por conta própria uma organização regional com todos os países da região menos EUA, Canadá etc. A América do Sul se reuniu na Unasul [União de Nações Sul-Americanas], que possuía uma série de propostas mais de cunho político do que de caráter econômico", recorda.
O professor da UFF acrescenta que a Unasul rapidamente se fragmentou e desde então a região está cada vez desintegrada e dividida. "O Brasil deixa de atuar politicamente nos últimos três anos, durante o governo de Bolsonaro, proporcionando um vácuo político muito grande na região", aponta.
© Folhapress / Avener PradoVenezuelanos dormem ao redor da rodoviária de Boa Vista (RR). Com o agravamento da crise na Venezuela milhares de pessoas fogem do país rumo ao Brasil (foto de arquivo)
Venezuelanos dormem ao redor da rodoviária de Boa Vista (RR). Com o agravamento da crise na Venezuela milhares de pessoas fogem do país rumo ao Brasil (foto de arquivo) - Sputnik Brasil, 1920, 09.11.2021
Venezuelanos dormem ao redor da rodoviária de Boa Vista (RR). Com o agravamento da crise na Venezuela milhares de pessoas fogem do país rumo ao Brasil (foto de arquivo)
Rafael Araujo sublinha que os países da América Latina possuem problemas comuns a serem solucionados: "desde o enraizamento da democracia, passando pelo combate a desigualdade social, crime organizado, necessidade de crescimento econômico e quebra da dependência de exportação de matérias-primas".
Dessa forma, o professor da UERJ argumenta que quanto mais unida a América Latina estiver melhor. Todavia, isso não deve ocorrer no curto prazo, uma vez que alguns países seguem sem comunicação, como é o caso do Brasil com a Venezuela.
"Na prática, pelos canais diplomáticos tradicionais não tem relações abertas ou não há iniciativas de aprofundar qualquer espécie de relação. O principal canal de comunicação do Estado brasileiro com a Venezuela se dá através das Forças Armadas, mais especificamente através do Exército", afirma Heye.
Araujo corrobora, afirmando que as relações entre os dois países começaram a degringolar ainda durante o governo do presidente Michel Temer.
"Há muito pouco diálogo. O Brasil, como maior país da América do Sul e como país que deveria ter liderança regional mais assertiva, deveria dialogar com o governo venezuelano, mas as relações estão mais esgarçadas. Infelizmente enquanto Maduro e Bolsonaro estiverem na presidência vai ser difícil a gente assistir maior diálogo entre os dois países", lamenta o especialista.
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