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Por que interesse da União Europeia no Ártico tem crescido nos últimos anos?

© AFP 2021 / ARIS OIKONOMOUComissário Europeu para o Meio Ambiente, Oceanos e Pescas, Virginijus Sinkevicius, durante apresentação da nova estratégia da Comissão Europeia para o Ártico na sede da Comissão Europeia, em Bruxelas, em 13 de outubro de 2021
Comissário Europeu para o Meio Ambiente, Oceanos e Pescas, Virginijus Sinkevicius, durante apresentação da nova estratégia da Comissão Europeia para o Ártico na sede da Comissão Europeia, em Bruxelas, em 13 de outubro de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 18.10.2021
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A Sputnik Brasil conversou com o professor do Instituto Estatal de Relações Internacionais de Moscou e especialista no Ártico Oleg Aleksandrov sobre o interesse da União Europeia no Ártico.
A Comissão Europeia quer proibir novos projetos de petróleo, gás natural e carvão no Ártico. De acordo com a estratégia apresentada na semana passada, a União Europeia (UE) pretende ainda restringir o financiamento do bloco para esse tipo de atividade, redirecionando os recursos para projetos de energia renovável e de conservação ambiental nessa região.
"A região do Ártico está a sofrer mutações rápidas devido às repercussões do aquecimento global, de uma competição cada vez mais renhida pelos seus recursos e das rivalidades geopolíticas […] a União Europeia tem interesses a defender e um contributo significativo a dar. Tencionamos intensificar o nosso empenhamento nesta zona através de medidas de combate às alterações climáticas, da cooperação internacional, de um desenvolvimento económico sustentável e dando prioridade às pessoas", afirmam alto representante da UE para as Relações Exteriores e Política de Segurança, Josep Borrell, e o comissário do Ambiente na Comissão Europeia, Virginijus Sinkevicius, em artigo publicado nesta segunda-feira (18) no jornal Diário de Notícias.
A Sputnik Brasil conversou com o professor do Instituto Estatal de Relações Internacionais de Moscou e especialista no Ártico Oleg Aleksandrov sobre o interesse da UE nessa região do globo.

Conselho do Ártico

Oito países possuem assento no Conselho do Ártico: EUA, Canadá, Rússia, Dinamarca, Noruega, Suécia, Islândia e Finlândia. São esses países-membros que avaliam os impactos da exploração de recursos no Ártico, um ecossistema sensível que está sofrendo mais as alterações climáticas do que outras regiões do globo.
​A UE não possui assento e não possui voz nesse tema, afirma Oleg Aleksandrov: "A UE ainda não recebeu o status de observadora junto ao Conselho Ártico. No entanto, são o Conselho Ártico e os países árticos responsáveis pela lei e pela ordem no Ártico, bem como pela segurança em todos os aspectos militares e não militares. A UE ainda não tem uma voz decisiva ou, pelo menos, consultiva. Enquanto isso, o bloco está procurando ganhar muito mais influência na tomada de decisões, para não dizer desempenhar um papel principal nesse processo".
Apesar de fazerem parte tanto da UE quanto do Conselho Ártico, Dinamarca, Finlândia e Suécia não estão interessados na politização da região e contra a presença de atores não regionais no Ártico, garante Aleksandrov.
© AP Photo / Serviços de Pesca e Vida Selvagem dos EUAVista aérea do Refúgio Nacional da Vida Selvagem do Ártico (ANWR)
Vista aérea do Refúgio Nacional da Vida Selvagem do Ártico (ANWR) - Sputnik Brasil, 1920, 09.11.2021
Vista aérea do Refúgio Nacional da Vida Selvagem do Ártico (ANWR)
"Esses países não gostariam que os planos da UE de expulsá-los e de monopolizar o controle do Ártico fossem implementados [...] [e] são contra as tentativas de atores não regionais de fortalecer as suas posições no Ártico. Sejam esses atores representados por grandes alianças de integração como a UE ou por blocos militares, como a OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte], eles são elementos novos e estranhos para o Ártico."
O especialista diz que as questões ambientais na região podem "muito bem" ser resolvidas através de cooperação e acordos mútuos entre os países presentes no Ártico.

Interesses ambientais ou políticos?

No artigo citado anteriormente, os representantes da UE afirmam que a Europa deve "ter uma definição abrangente dos seus interesses geopolíticos a fim de promover a estabilidade, a segurança e a cooperação pacífica na região do Ártico" e sublinham que o bloco "alargará o seu empenhamento no Ártico a toda uma panóplia de domínios de intervenção". Aleksandrov considera que a tentativa de a UE assumir uma posição superior é "alarmante e até assustadora".
© AFP 2021 / ARIS OIKONOMOUComissário Europeu para o Meio Ambiente, Oceanos e Pescas, Virginijus Sinkevicius, durante apresentação da nova estratégia da Comissão Europeia para o Ártico na sede da Comissão Europeia, em Bruxelas, em 13 de outubro de 2021
Comissário Europeu para o Meio Ambiente, Oceanos e Pescas, Virginijus Sinkevicius, durante apresentação da nova estratégia da Comissão Europeia para o Ártico na sede da Comissão Europeia, em Bruxelas, em 13 de outubro de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 09.11.2021
Comissário Europeu para o Meio Ambiente, Oceanos e Pescas, Virginijus Sinkevicius, durante apresentação da nova estratégia da Comissão Europeia para o Ártico na sede da Comissão Europeia, em Bruxelas, em 13 de outubro de 2021
"Acho que essas declarações são muito politizadas. Sem dúvidas, o Ártico é uma região muito vulnerável e qualquer desastre causado pela extração ou derramamento de petróleo levaria a grandes danos não apenas para o país onde isso acontece, mas para todo o mundo."
Aleksandrov reforça que o meio ambiente se tornou a força motriz da política europeia e de todos os países da região ártica: "É muito difícil separar interesses 'egoístas' do desejo real de reduzir gradualmente o consumo de hidrocarbonetos. Mais uma vez, a agenda verde da UE não é totalmente compartilhada por todos os parceiros do bloco. Os EUA, por exemplo, não estão tão interessados no Acordo de Paris. Para alcançar resultados concretos, a UE deve atrair o maior número possível de aliados. Agora, na minha opinião, falta o poder para a União Europeia."
O viés político da investida do bloco europeu é reforçado pelo fato de não ser a primeira vez que a UE tenta ter alguma ingerência no Ártico. Em março de 2017, foi aprovada uma resolução no Parlamento Europeu que procurava criar uma política integrada da UE para o Ártico.
"Se a gente examinar os primeiros documentos, vai notar que o discurso da UE vai mudando gradualmente e as suas ambições na região ártica vão aumentando. Enquanto inicialmente se tratava do desejo europeu de contribuir para o desenvolvimento e segurança do Ártico, agora a UE declara que gostaria de desempenhar um papel fundamental na governança da região", comenta o professor do Instituto Estatal de Relações Internacionais de Moscou.
O especialista acentua a palavra "governança" para chamar a atenção ao fato de que a UE não tem nem a possibilidade, nem os direitos legais de fazer as declarações que fez recentemente sobre a região. "Se trata da governança da região ártica e dos recursos árticos. A UE fala sobre governança, como se o Conselho Ártico não fosse capaz de garantir a ordem e a segurança", comenta o professor do Instituto Estatal de Relações Internacionais de Moscou.

Diálogo multilateral

O especialista no Ártico frisa que não existe qualquer órgão político para governar a região e defende que tal órgão não deve existir e não deve ser criado.
"Todas as questões são resolvidas com base nos contatos bilaterais entre os países com participação de outros atores se for necessário. Grandes empresas transnacionais e representantes de povos indígenas também participam das conversações. O que o Conselho Ártico está fazendo é criar um diálogo multilateral. Eu não acho que a União Europeia possa propor ao mundo algum instrumento novo. Tudo o que o bloco propõe, já existe, já é feito. O Conselho Ártico não é uma organização política, e isso é ótimo."
Aleksandrov acrescenta que os países-membros do Conselho Ártico procuram sempre evitar a politização e que as atividades do Conselho se baseiam nos compromissos assumidos por seus membros. "Gostaria de sublinhar que além dos compromissos jurídicos existe a reputação e a credibilidade de um país. O país que assumiu certos compromissos, deve garantir a sua implementação. Caso contrário, vai perder a sua credibilidade", alerta.
​A Rússia vai presidir o Conselho Ártico de 2021 a 2023. De acordo com o especialista, a agenda proposta por Moscou focou bastante na questão ambiental.
"A Rússia colocou esse problema em primeiro lugar e vai trabalhar com os outros países para resolver esse problema. Não podemos dizer que não estamos preocupados com o meio ambiente. Esta é uma grande preocupação nossa, porque a Rússia tem aqui a maior linha costeira. Qualquer catástrofe ecológica vai afetar a Rússia e sua ecologia, em primeiro lugar."
Por fim, o professor do Instituto Estatal de Relações Internacionais de Moscou aborda a questão militar na região, que também é motivo de preocupação em Bruxelas. O especialista recorda que o Ártico sempre foi uma região com forte presença militar de todos os países costeiros, incluindo a Rússia, mas acrescenta que Moscou reduziu significativamente a sua presença militar no Ártico desde o fim da União Soviética.
"Esta redução ocorreu nos anos 1990 do século XX. Ao mesmo tempo, outros países não diminuíram sua presença militar no Ártico. Portanto, agora é impossível falar sobre a militarização do Ártico por parte da Rússia", conclui Aleksandrov.
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