Conselheira de Biden trabalhou para NSO Group israelense criadora do spyware Pegasus, diz jornalista

© AP Photo / Daniella CheslowThis Thursday, Aug. 25, 2016 file photo shows the logo of the Israeli NSO Group company on a building where they had offices in Herzliya, Israel.
This Thursday, Aug. 25, 2016 file photo shows the logo of the Israeli NSO Group company on a building where they had offices in Herzliya, Israel. - Sputnik Brasil, 1920, 19.07.2021
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Apesar de dizer recentemente que abandonaria a atual administração norte-americana "muito em breve", Anita Dunn foi implicada no escândalo de spyware Pegasus por um jornalista do The New York Times.

A empresa israelense NSO Group, que teria criado o software de hacking Pegasus, usado por governos de todo o mundo para espionagem de jornalistas, políticos e vários ativistas, contratou a empresa de Anita Dunn, conselheira de Joe Biden, afirmou no domingo (18) Kenneth P. Vogel, jornalista do The New York Times.

A empresa israelense NSO Group estava por trás do spyware usado para hackear jornalistas e ativistas de direitos humanos, revela uma investigação do The Washington Post.

Não incluído na história:

O NSO Group pagou à SKDK (empresa de Anita Dunn, assessora de Biden) por consultas até o final de 2019.

Anita Dunn é sócia fundadora da empresa de consultoria política SKDKnickerbocker, segundo o portal da empresa. A página afirma que a consultora, que também trabalhou anteriormente como estrategista-chefe do ex-presidente norte-americano Barack Obama (2009-2017), está atualmente de licença da SKDK, mas espera-se que volte à empresa em breve.

O NSO Group contratou a SKDKnickerbocker na primavera de 2019 para ajudar a impulsionar sua imagem e relações públicas, relataram na época a revista Fast Company e o portal The Intercept.

Ligação ao jornalista assassinado Khashoggi?

No domingo (18) 17 grandes veículos de imprensa internacionais publicaram uma investigação, chamada Projeto Pegasus, em que apontaram o NSO Group como o responsável por criar o software de hacking que permitiu espionar mais de 1.000 pessoas em mais de 50 países, particularmente jornalistas, ativistas e políticos.

Um dos alegados alvos era o jornalista saudita Jamal Khashoggi, que trabalhava para o jornal The Washington Post, assassinado em 2018 no consulado saudita em Istambul, Turquia. Segundo a inteligência dos EUA, a morte de Khashoggi teria sido ordenada pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, acusação que foi negada por Riad.

Em 2018, o dissidente saudita Omar Abdulaziz, que era próximo a Khashoggi, entrou com uma ação judicial contra o NSO, alegando que a empresa ajudou a espioná-lo através de seu celular antes de ser assassinado. O processo também acusava Israel na época de vender o spyware da empresa a governos estrangeiros. No final de 2020, um juiz de Israel recusou-se a arquivar o caso, enquanto Abdulaziz continuou exigindo 600.000 shekels (R$ 930.315,31) de danos provocados pela empresa.

No início de julho, Anita Dunn disse ao jornal Politico que estava planejando deixar a administração Biden "muito em breve".

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