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Brasil vira anão diplomático e busca aliados de forma desesperada, diz especialista

© REUTERS / Presidência do EquadorGuilherme Lasso toma posse como presidente do Equador, em Quito, em cerimônia que contou com presença do presidente Jair Bolsonato
Guilherme Lasso toma posse como presidente do Equador, em Quito, em cerimônia que contou com presença do presidente Jair Bolsonato - Sputnik Brasil, 1920, 26.05.2021
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Acordo aéreo com Equador referendado no Senado reflete alinhamento brasileiro a Quito e é busca desesperada por apoio de uma diplomacia que se apequenou, disse especialista à Sputnik Brasil.

Nesta terça-feira (26), após uma espera de oito anos, o Senado aprovou o Projeto de Decreto Legislativo 74/2020, que referenda acordo sobre serviços aéreos entre Brasil e Equador, celebrado em 2013. 

Segundo o relator da iniciativa, senador Marcos do Val (Podemos-ES), que é da base governista, o acordo "fortalece os laços de amizade entre os dois países por meio da possibilidade de conexão direta viabilizada por transporte aéreo", o que poderia "incrementar as trocas comerciais e o trânsito de turistas entre Brasil e Equador".

'Representa muito pouco'

Para o especialista em aviação comercial e economista Ricardo Balistiero, no entanto, a realidade é outra. Embora ressalte que "é melhor ter um acordo do que não ter", o professor do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia diz que a iniciativa, "do ponto de vista econômico", "representa muito pouco" para o Brasil. 

Segundo ele, as relações comerciais entre Brasil e Equador "não são tão intensas", e, portanto, não é possível esperar "grande abertura de mercado". Além disso, "do ponto de vista turístico, vai pouca gente daqui para o Equador". 

Balistiero frisa ainda que o Equador "está em uma grave crise econômica e social, advinda da pandemia", e, por isso, "não dá para esperar que esse fluxo aumente muito". Além disso, segundo o professor, o Equador deve tirar mais proveito da iniciativa do que o Brasil, devido às diferenças entre as duas economias. 

Para o especialista, o acordo, portanto, é "muito mais para, de alguma maneira, exaltar as boas relações entre os dois países".

Bolsonaro em Quito para posse

A aprovação do Projeto de Decreto Legislativo surge um dia depois do presidente Jair Bolsonaro participar, na segunda-feira (24), em Quito, da posse do novo chefe de Estado do Equador, Guilherme Lasso. 

Político conservador e de tendências liberais, o banqueiro Lasso derrotou a esquerda nas eleições equatorianas. A ida de Bolsonaro a Quito foi gesto que o mandatário brasileiro se negou a fazer na vizinha Argentina por ocasião da posse de Alberto Fernández - quando o governo brasileirou enviou o vice Hamilton Mourão. 

"Vamos lembrar que o Equador está fora do Mercosul, então não dá para vislumbrarmos qualquer comércio bilateral com o Equador sem passar pelo Mercosul, a despeito de no governo Bolsonaro o Mercosul ter sido colocado de lado, exatamente pelas divergências políticas com nosso principal parceiro na região, que é a Argentina", ponderou Balistiero. 

Brasil 'isolado'

Segundo o especialista, o fato do acordo aéreo ter sido referendado no Senado logo após a visita ao Equador, após mofar oito anos na Casa, não pode ser "tanta coincidência assim", pois pode "ter acelerado a base do governo" a fazer algum tipo de pressão para desengavetar a iniciativa. 

Por outro lado, Balistiero diz que o Brasil está bastante isolado no cenário internacional e busca apoio "desesperadamente", mesmo que seja com países de pouca "relevância diplomática". 

"Temos que pensar que são dois governos de direita. E o governo brasileiro tem procurado apoio internacional mesmo que esse apoio venha de um país com pouca relevância diplomática e econômica, com todo o respeito que o Equador merece. O governo brasileiro está cada vez mais isolado no âmbito internacional, então, quando você tem um presidente alinhado às ideias políticas da presidência da República atual do Brasil, quase que desesperadamente você busca ter esse alinhamento", disse o economista. 

Países 'sem relevância'

Para o especialista, o Brasil, que "sempre foi um país com relevância diplomática", mas perdeu a neutralidade, assumiu um lado e tem se "rebaixado muito".

"Quando o Trump perde as eleições nos Estados Unidos, o presidente da República vai buscar apoio na Polônia, na Hungria, países com nenhuma relevância diplomática, e isso, de alguma forma, apequena o Brasil", afirmou Ricardo Balistiero.
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