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Astrônomos detectam pela 1ª vez buraco negro supermassivo 'espaguetificando' uma estrela

© Foto / DESY / Laboratório de Ciências da ComunicaçãoDepois que o buraco negro supermassivo destruiu a estrela, cerca de metade dos restos da estrela foi atirada de volta para o espaço, enquanto o restante formou um disco de acreção brilhante ao redor do buraco negro
Depois que o buraco negro supermassivo destruiu a estrela, cerca de metade dos restos da estrela foi atirada de volta para o espaço, enquanto o restante formou um disco de acreção brilhante ao redor do buraco negro - Sputnik Brasil, 1920, 08.05.2021
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Cientistas detectam pela primeira vez filamentos de material nas proximidades de um buraco negro supermassivo, indicando que uma estrela foi dilacerada pelo campo gravitacional do buraco negro.

Os astrônomos acreditam que este efeito, mais conhecido como evento de perturbação de marés, ocorre porque a força da gravidade de um buraco negro supermassivo "puxa" mais fortemente o lado da estrela que está mais perto dele. No início, o buraco negro destroça a estrela e suga a sua matéria, com a estrela se transformando em um longo filamento de material. Esse processo é apelidado de "espaguetificação".

De acordo com o portal Space, a única evidência de uma estrela ser absorvida por um buraco negro era quando os cientistas observavam curtas explosões de radiação eletromagnética provenientes de buracos negros supermassivos. Até agora, ninguém tinha registrado "ao vivo" o processo de espaguetificação.

Uma equipe de astrônomos do Instituto Neerlandês de Investigação Espacial e da Universidade de Radboud (Países Baixos) conseguiu agora detectar uma estrela "espaguetificada" através de linhas de absorção espectral em torno dos polos de um buraco negro.

Ao observar as linhas de absorção no polo rotacional do buraco negro, a equipe deduziu haver um fio de material enrolado várias vezes ao redor do buraco negro, desaparecendo dentro dele.

Segundo explica o portal, as linhas de absorção espectral são as "linhas excepcionalmente escuras detectadas no espectro de radiação eletromagnética" emitida por uma fonte, linhas que surgem quando o "material que absorve parte da radiação eletromagnética" acaba por escurecer a referida fonte. Neste caso, a fonte é o buraco negro e o material absorvente são os restos da estrela.

A equipe científica acredita que o material detectado não faz parte do disco de acreção do buraco negro e, segundo afirma Giacomo Cannizzaro, autor principal do estudo, as linhas de absorção são "finas" e "não ampliadas pelo efeito Doppler como seria de esperar quando você olha para um disco giratório".

O efeito Doppler, causado pelo movimento rápido do material no disco de acreção, estica ou encolhe as ondas eletromagnéticas, dependendo se a fonte está se movendo para o observador ou se afastando dele. Como resultado, a luz emitida pela parte do disco de acreção que está se afastando da Terra seria mais brilhante. No entanto os cientistas não encontraram provas disso.

Os pesquisadores afirmaram também que sabiam que estavam observando o polo do buraco negro porque podiam detectar raios X.

"O disco de acreção é a única parte do buraco negro que emite este tipo de radiação. Se estivéssemos olhando diretamente para ele, não veríamos os raios-X do disco de acreção", diz o comunicado.

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