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Infectologista e Consórcio do Nordeste falam em possível motivação política em veto à Sputnik V

© AP Photo / Eraldo PeresLogo da vacina russa contra COVID-19, Sputnik V, em laboratório da União Química que produz o imunizante em Brasília, 25 de janeiro de 2021
Logo da vacina russa contra COVID-19, Sputnik V, em laboratório da União Química que produz o imunizante em Brasília, 25 de janeiro de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 05.05.2021
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Na semana passada, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu não recomendar a importação excepcional e temporária da vacina russa Sputnik V. A análise dos diretores justificou o posicionamento alegando falta de dados e risco de doenças por falha em fabricação.

Em resposta, os desenvolvedores da Sputnik V declararam que estão iniciando uma reclamação legal por difamação contra a Anvisa por espalhar informações falsas sobre o imunizante russo.

O Consórcio do Nordeste, que reúne nove estados brasileiros, havia negociado a importação emergencial de 37 milhões de doses da vacina russa. Outros cinco Estados e grupos de prefeituras também esperam adquirir a Sputnik V, com expectativa de entrada total de 66 milhões de doses no Brasil.

Carlos Eduardo Gabas, secretário-executivo do Consórcio do Nordeste, e que esteve no Centro Gamaleya, na Rússia, para acompanhar o processo de negociação das doses da Sputnik V, questionou a decisão da Anvisa.

"O Brasil ficou no topo da fila para entrega dessas vacinas e eles estão tentando entregar, mas o nosso contrato, como não poderia deixar de ser, ele tem uma cláusula vinculante. Nós só podemos comprar efetivamente, aceitar o envio da vacina, dos lotes, se houver aprovação pela Anvisa. Do contrário você não pode nem importar e nem utilizar", declarou à Sputnik Brasil

O infectologista Marcos Caseiro, professor assistente da Universidade São Judas Tadeu e médico do Hospital Guilherme Álvaro, estranhou a decisão dos técnicos da Anvisa e suspeita de interferência política na agência.

"O que explicaria essa decisão deles em se ater a uma coisa besta, onde o crivo maior é que foi utilizada em pessoas no mundo inteiro e não houve nenhum problema relativo a essas vacinas? Eu acho sim que teve um viés político. É uma afirmação que é difícil de fazer porque obviamente eu não tenho provas, mas não tem outra explicação", disse à Sputnik Brasil.

Na segunda-feira (26), o vice-diretor de pesquisa científica do Centro Nacional de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya, fabricante do imunizante, Denis Logunov, destacou que a Federação da Rússia realiza o controle de série de tudo que é produzido pelo Centro Gamaleya e por outros fabricantes.​

Marcos Caseiro declarou que a maior prova de a Sputnik V não apresentar problemas está no fato de que ela é usada em mais de 60 países.

"O mundo está usando, a Rússia está usando, o México está usando, a Argentina está usando. Qual crivo maior você tem do que um ensaio clínico? Não existe. Ainda que eventualmente, em uma questão de alguns lotes você ter a presença desses microorganismos [e rejeitar a vacina] sob a justificativa de que haveria uma regra internacional. Que regra? De quem? Dos americanos?", questiona.
© Sputnik / Vladimir Pesnya / Abrir o banco de imagensEm Moscou, na Rússia, um profissional de saúde segura uma ampola com a vacina russa Sputnik V contra a COVID-19, em 30 de abril de 2021
Infectologista e Consórcio do Nordeste falam em possível motivação política em veto à Sputnik V - Sputnik Brasil, 1920, 05.05.2021
Em Moscou, na Rússia, um profissional de saúde segura uma ampola com a vacina russa Sputnik V contra a COVID-19, em 30 de abril de 2021

O chanceler da Rússia, Sergei Lavrov, em entrevista à Sputnik, disse que há pressão exercida pelos EUA para o Brasil rejeitar a vacina russa. "Não estou surpreso com isso. Os norte-americanos não se acanham de estar fazendo este trabalho. Eles não estão escondendo isso", disse Lavrov.

Lavrov fez referência ao próprio documento do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA (HHS, na sigla em inglês), de 17 de janeiro, em que confirma que o governo norte-americano pressionou o Brasil a rejeitar a compra da Sputnik V.

Na página 48, assinada pelo então secretário de Saúde Alex Azar, há um trecho que diz que os EUA usaram relações diplomáticas para dificultar as negociações de países como a Rússia, classificados como "mal-intencionados", na comercialização dos imunizantes.

Carlos Eduardo Gabas questionou o critério usado pela Anvisa de que a Sputnik V teria a presença de adenovírus replicantes e pensa que a agência pode ter sido influenciada politicamente.

"Caso houvesse essa presença de adenovírus replicantes, primeiro que em uma quantidade pequena é aceitável. Segundo que a consequência seria uma gripe, uma coriza. E eu estou levantando toda essa poeira por causa de uma gripe e de uma coriza. Isso me remete a ter dúvidas se não tem um componente político ou não. Não vou dizer a origem, mas é possível que tenha", completou.
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