Governo de Israel pratica 'apartheid e perseguição' contra palestinos, afirma Human Rights Watch

© AP Photo / Majdi MohammedForças de Defesa de Israel (FDI) jogam bombas de gás lacrimogênio contra palestinos durante protesto.
Forças de Defesa de Israel (FDI) jogam bombas de gás lacrimogênio contra palestinos durante protesto. - Sputnik Brasil, 1920, 27.04.2021
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A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) divulgou um relatório nesta terça-feira (27) em que afirma que o governo de Israel está cometendo os crimes contra a humanidade de apartheid e perseguição sobre os palestinos.

A constatação de apartheid e de perseguição não altera o status jurídico do que a organização chamou de "território ocupado", constituído pela Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, e Gaza.

"Vozes proeminentes vêm alertando há anos que o apartheid estaria próximo caso o domínio de Israel sobre os palestinos não mudasse de rumo", afirmou Kenneth Roth, diretor-executivo da Human Rights Watch, citado em nota no portal da HRW.

Segundo a organização, a constatação de que Israel praticaria uma política de apartheid contra palestinos se dá no contexto de que o governo estaria metodologicamente privilegiando israelenses judeus enquanto reprime palestinos de forma mais severa na área entre o rio Jordão e o mar Mediterrâneo.

"Este estudo detalhado mostra que as autoridades israelenses já ultrapassaram essa linha e hoje estão cometendo os crimes contra a humanidade de apartheid e perseguição", disse Roth.

A Convenção Internacional sobre a Supressão e Punição do Crime de Apartheid de 1973 e o Estatuto de Roma de 1998 do Tribunal Penal Internacional (TPI) definem o apartheid como um crime contra a humanidade que consiste em três elementos principais: a intenção de manter a dominação de um grupo racial sobre outro; o contexto de opressão sistemática do grupo dominante sobre outro; e atos desumanos.

​A Human Rights Watch escreveu que ambos os crimes estão presentes como parte de uma política única do governo israelense para supostamente manter a dominação dos israelenses judeus sobre os palestinos em Israel, Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Gaza.

"Com base em anos de investigação sobre direitos humanos, estudos de caso e uma revisão de documentos de planejamento governamental, declarações de autoridades e outras fontes, a Human Rights Watch comparou as políticas e práticas em relação aos palestinos no território ocupado e em Israel com aquelas relacionadas aos israelenses judeus que vivem nas mesmas áreas", escreveu a organização.

Para a HRW os eventos que constituem crime de apartheid contra palestinos são: amplas restrições de movimento na forma do bloqueio de Gaza e um regime de permissões; confisco de mais de um terço das terras na Cisjordânia; condições severas em partes da Cisjordânia que levam ao deslocamento forçado de milhares de palestinos de suas casas; negação do direito de residência a centenas de milhares de palestinos e seus parentes; e suspensão dos direitos civis básicos a milhões de palestinos.

A Human Rights Watch pediu para que as autoridades israelenses encerrem as práticas e pediu ao Tribunal Penal Internacional que investigue a política israelense contra palestinos na região.

"Enquanto grande parte do mundo trata a ocupação de meio século de Israel como uma situação temporária, que um 'processo de paz' ​​de décadas vai solucionar em breve, a opressão dos palestinos alcançou um limite e uma continuidade que atende às definições dos crimes de apartheid e perseguição", completou Kenneth Roth.
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