Cientistas explicam reinfecção pela COVID-19 e como vírus 'se esconde dos anticorpos'

© REUTERS / Carlos OsorioEnfermeiras comunicam através da porta de vidro da sala de isolamento de um paciente com COVID-19 internado na unidade de terapia intensiva em Toronto, Canadá, 15 de abril de 2021
Enfermeiras comunicam através da porta de vidro da sala de isolamento de um paciente com COVID-19 internado na unidade de terapia intensiva em Toronto, Canadá, 15 de abril de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 23.04.2021
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Os cientistas descobriram compostos naturais no corpo humano que ao se ligar ao novo coronavírus o tornam imune a anticorpos, o que explicaria porque pessoas que já tiveram COVID-19, mesmo com alto nível de anticorpos, podem se infectar novamente.

Uma equipe internacional de pesquisadores descobriu que compostos naturais que fazem parte das hemoproteínas (biliverdina e bilirrubina) suprimem a ligação de anticorpos à proteína S do coronavírus, segundo estudo publicado na revista Science Advances.

Primeiramente, biólogos do Instituto Francis Crick, envolvidos no desenvolvimento de testes de anticorpos, descobriram que a proteína S do vírus SARS-CoV-2 se liga fortemente à biliverdina, uma substância que dá a essas proteínas uma cor verde incomum.

Usando soros de sangue de pessoas que já tinham sido infetados pela COVID-19, os pesquisadores descobriram que a biliverdina suprime em 30% a 50% a ligação dos anticorpos humanos à proteína de espícula, tornando-os ineficazes para a neutralização do vírus, o que foi uma surpresa para os cientistas.

Os autores estudaram detalhadamente as interações entre a proteína S, os anticorpos e a biliverdina, usando crio-microscopia eletrônica e cristalografia de raios X, para descobrir o mecanismo molecular em funcionamento.

Os cientistas descobriram que a biliverdina se liga ao domínio N-terminal da espícula e o estabiliza de modo que o espinho não pode se abrir. Isso significa que alguns anticorpos não conseguirão acessar seus sítios-alvo, se ligar ao vírus e o neutralizar.

Além disso, foi descoberto que os níveis de biliverdina e de outro composto com o mesmo efeito, a bilirrubina, no sangue e nos tecidos aumentam à medida que se forma a resposta imunológica à infecção pelo vírus SARS-CoV-2.

"E quanto mais dessas moléculas há, mais oportunidades o vírus tem para se esconder dos anticorpos. Este é realmente um processo surpreendente, porque o vírus se beneficia de um efeito colateral dos danos que já causou", disse Annachiara Rosa, primeira autora do estudo.

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