NASA lança telescópio para captar partículas da borda do Sistema Solar

© Foto / James Josephides/Christina Williams/Ivo LabbeRepresentação artística de como pareceria uma galáxia maciça no estágio inicial da formação do Universo
Representação artística de como pareceria uma galáxia maciça no estágio inicial da formação do Universo - Sputnik Brasil, 1920, 19.04.2021
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Todo o Sistema Solar está à deriva em um aglomerado de nuvens, uma área limpa por antigas explosões de supernovas. Os astrônomos chamam essa região de Bolha Local.

Uma nova missão da agência espacial norte-americana NASA vai estudar a luz de partículas interestelares que entraram em nosso Sistema Solar para aprender sobre os pontos mais próximos do espaço interestelar. A missão, chamada SHIELDS (Escudos), terá sua primeira oportunidade de lançamento a bordo de um foguete suborbital a partir de Novo México, EUA, em 19 de abril de 2021.

SHIELDS pra cima! Um foguete da NASA será lançado na próxima semana para estudar a heliopausa, a borda da bolha magnética do nosso Sistema Solar. Este limite nos protege da maioria das partículas interestelares, mas aquelas que escapam contêm pistas sobre o espaço interestelar

SHIELDS é um telescópio que será lançado a bordo de um foguete e medirá a luz de uma população especial de átomos de hidrogênio originalmente do espaço interestelar.

"Há muita incerteza sobre a estrutura fina do meio interestelar, nossos mapas são meio toscos […]. Conhecemos os contornos gerais dessas nuvens, mas não sabemos o que está acontecendo dentro delas", afirma em comunicado Walt Harris, físico espacial responsável pela missão SHILEDS.

Bolha Local

Todo o nosso Sistema Solar está à deriva em um aglomerado de nuvens, uma área limpa por antigas explosões de supernovas. Os astrônomos chamam essa região de Bolha Local, que teria pelo menos 300 anos-luz de diâmetro e contém centenas de estrelas, incluindo nosso próprio Sol.

Poucos minutos após o lançamento, o SHIELDS atingirá sua altitude máxima de cerca de 300 quilômetros do solo, muito acima do efeito de absorção da atmosfera da Terra. Apontando para o nariz da heliosfera, a região periférica do Sol, o telescópio vai detectar a chegada da luz de átomos de hidrogênio.

Medir como o comprimento de onda da luz se estende ou se contrai vai revelar a velocidade das partículas. Dessa forma, o SHIELDS produzirá um mapa para reconstruir a forma e a densidade variável da matéria na heliopausa, a fronteira mais externa do nosso Sistema Solar.

© Foto / NASA/JPL-CaltechRepresentação das sondas Voyager 1 (em cima), Voyager 2, o Sol, a heliosfera e a heliopausa, agosto de 2017
NASA lança telescópio para captar partículas da borda do Sistema Solar - Sputnik Brasil, 1920, 19.04.2021
Representação das sondas Voyager 1 (em cima), Voyager 2, o Sol, a heliosfera e a heliopausa, agosto de 2017

Os dados, espera Harris, ajudarão a responder a perguntas tentadoras sobre como é o espaço interestelar e o campo magnético da galáxia. Finalmente, aprender como é nosso papel no espaço interestelar pode ser um guia útil para o futuro, afirma a NASA. Nosso Sistema Solar está apenas passando pelo nosso atual pedaço de espaço. Em cerca de 50.000 anos, estaremos saindo da Bolha Local e indo em direção ao desconhecido

"Não sabemos realmente como é essa outra nuvem e não sabemos o que acontece quando você cruza uma fronteira para dentro dessa nuvem […]. Há muito interesse em entender o que provavelmente iremos experimentar enquanto nosso Sistema Solar faz essa transição", comenta Harris.

Essa transição, todavia, não é novidade para o nosso Sistema Solar. Nos últimos quatro bilhões de anos, explica Harris, a Terra passou por uma variedade de ambientes interestelares. Acontece que agora estamos por perto, com as ferramentas científicas para documentar a transição.

"Estamos apenas tentando entender nosso lugar na galáxia e para onde vamos no futuro", conclui o físico espacial.

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