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Longa jornada até a Terra: maior parte do carbono terrestre veio do meio interestelar, dizem estudos

© Foto / Pixabay / Andrew-ArtTerra (imagem referencial)
Terra (imagem referencial) - Sputnik Brasil, 1920, 03.04.2021
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Nós somos feitos de poeira estelar, diz o ditado, e vários estudos recentes encontraram provas que isso pode ser mais verdade do que pensávamos anteriormente.

O primeiro estudo, liderado pela pesquisadora da Universidade de Michigan, nos EUA, Jie (Jackie) Li e publicado na revista Science Advances, descobriu que a maioria do carbono na Terra foi bem provavelmente trazido a partir do meio interestelar, o material que existe no espaço entre as estrelas na galáxia. Com grande probabilidade, isso aconteceu muito depois de se formar o disco protoplanetar, isto é, uma nuvem de poeira e gás que circulou nosso jovem Sol e continha os blocos de construção dos planetas.

O carbono também muito provavelmente foi sequestrado em sólidos durante um milhão de anos depois do nascimento solar, o que significa que o carbono – a base da vida na Terra – sobreviveu uma viagem interestelar a nosso planeta.

Anteriormente, os cientistas acreditavam que o carbono terrestre se originou de moléculas que estavam inicialmente presentes no gás da nébula, que então se transformou em um planeta rochoso quando os gases ficaram frios o suficiente para as moléculas se precipitarem.

A equipe de cientistas chefiada por Li acentua neste estudo que as moléculas de gás que contêm carbono não estariam disponíveis para construir a Terra porque, uma vez que o carbono vaporiza, não se condensa novamente em um sólido. Para se condensar ele necessita temperaturas muito baixas. Ainda mais, o carbono não se condensa novamente em uma forma orgânica. Por isso mesmo, os autores sugeriram a teoria que a maior parte do carbono da Terra foi provavelmente recebida diretamente do meio interestelar, evitando completamente a vaporização.

Outro estudo, recentemente publicado em Proceedings of the National Academy of Sciences e liderado por Marc Hirschmann da Universidade de Minnesota, nos EUA, pode complementar a primeira pesquisa. Os pesquisadores analisaram como o carbono é processado quando os pequenos precursores de planetas, conhecidos como planetesimais, retêm carbono durante sua formação precoce.

Ao examinar núcleos metálicos destes corpos, agora preservados como meteoritos de ferro, eles descobriram que, durante este passo principal da origem planetária, a maioria do carbono deve ter se perdido enquanto os planetesimais derretiam, formavam núcleos e perdiam gás. Esta hipótese refuta o pensamento anterior dos cientistas e corresponde à teoria da equipe chefiada por Li.

Edwin Bergin, outro membro da equipe, ressalta, citado pelo portal EurekAlert!, que ambos os estudos descrevem dois aspetos diferentes da perda de carbono, e sugere que isso parece ser um momento central na formação da Terra como planeta habitável.

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