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Como a intervenção de Bolsonaro no Banco do Brasil afeta a empresa?

© Folhapress / Ageu da Rocha/Futura PressVista de agência do Banco do Brasil, em Porto Alegre (RS), no dia 19 de março de 2021
Vista de agência do Banco do Brasil, em Porto Alegre (RS), no dia 19 de março de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 02.04.2021
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André Brandão renunciou à presidência do banco após ter sido ameaçado de demissão pelo presidente Jair Bolsonaro. O substituto Fausto Ribeiro foi contestado por conselheiros.

Depois da Petrobras, chegou a vez do Banco do Brasil passar por um período turbulento devido a insatisfações do presidente da República Jair Bolsonaro.

A nomeação de Fausto Ribeiro para a presidência da instituição financeira, nesta quinta-feira (1º), desagradou os conselheiros independentes do banco. Segundo eles, Ribeiro não percorreu "todas as etapas de funções gerenciais" desejáveis para assumir o posto.

A manifestação, assinada por quatro integrantes do Conselho de Administração do BB, reconhece que o comandante do Banco do Brasil é nomeado e demissível pelo presidente da República, mas alega que as escolhas devem seguir as "boas práticas de governança corporativa".

O presidente do conselho, Hélio Magalhães, renunciou ao cargo por discordar da interferência.

© REUTERS / Ueslei MarcelinoO presidente Jair Bolsonaro fala em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília, no dia 10 de março de 2021
Como a intervenção de Bolsonaro no Banco do Brasil afeta a empresa? - Sputnik Brasil, 1920, 02.04.2021
O presidente Jair Bolsonaro fala em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília, no dia 10 de março de 2021

O até então presidente do banco André Brandão colocou o cargo à disposição em 18 de março depois de ter sido ameaçado de demissão por Bolsonaro, contrariado com o anúncio do BB de realizar uma reorganização administrativa com fechamento de agências e demissão de 5.500 funcionários.

A iniciativa do banco visava economizar R$ 535 milhões em 2021 e R$ 2,7 bilhões até 2025, e as medidas foram alvo de greve dos funcionários.

Para o economista Mauro Rochlin, professor dos cursos de MBA da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a interferência não é vista com bons olhos pelo mercado. 

"O problema é que o Banco do Brasil é um banco de economia mista e com ações lançadas na bolsa de valores. O governo tem, obviamente, a maioria, mas por conta disso, o banco está sujeito a toda uma regulamentação que existe", afirmou o economista em entrevista à Sputnik Brasil.
© Foto / Alan Santos / Presidência da RepúblicaO presidente do Banco do Brasil, André Brandão, renunciou ao cargo no dia 18 de março de 2021
Como a intervenção de Bolsonaro no Banco do Brasil afeta a empresa? - Sputnik Brasil, 1920, 02.04.2021
O presidente do Banco do Brasil, André Brandão, renunciou ao cargo no dia 18 de março de 2021

Rochlin explica que, como está listada na bolsa brasileira, a empresa precisa seguir determinadas regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que regula o mercado de ações no país. Além disso, as eventuais quedas do preço dos papéis das empresas da bolsa levam à perda de valor de mercado e de poder de investimento.

"Com isso, o governo não pode intervir ao seu bel-prazer. Não pode ser feita uma gestão política do banco", afirmou.

Nesta quinta-feira (1º), as ações do Banco do Brasil (BBAS3) caíram 1,64%, fechando o dia cotadas em R$ 29,95. Desde o dia 17 de março, um dia antes da renúncia de André Brandão à presidência da instituição, a desvalorização é de 2,44%.

"Quanto mais essa interferência política acontece, menor é a credibilidade do banco e da alta gerência diante do público e dos acionistas. E isso, em tese, ocasiona a desvalorização das ações do banco e, consequentemente, outras implicações a partir daí", disse.
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