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Araújo oferece ajuda com vacinas ao Paraguai: 'O Brasil está precisando ser ajudado', diz analista

© Foto / Isac Nуbrega / Presidência da RepúblicaPresidente Jair Bolsonaro recebe visita do chanceler paraguaio Euclides Acevedo, no dia 17 de março de 2021
Presidente Jair Bolsonaro recebe visita do chanceler paraguaio Euclides Acevedo, no dia 17 de março de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 18.03.2021
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Nesta quarta-feira (17), o chanceler Ernesto Araújo disse que o Brasil, assim que "estiver pronto", vai ajudar o Paraguai com o provimento de vacinas contra a COVID-19.

A declaração, no entanto,"não faz sentido" – pelo menos para o economista e cientista político José Niemeyer. Em entrevista à Sputnik Brasil nesta quinta-feira (18), Niemeyer, que é coordenador-geral dos programas de graduação e pós-graduação de relações internacionais do Ibmec no Rio de Janeiro, acredita que o Brasil não está em condições de prometer ajuda a outros países. Pelo contrário: considerando que o país passa pelo pior momento da pandemia e que a vacinação segue em ritmo lento, quem precisa de ajuda é o Brasil.

"É um contrassenso dizer que vai ajudar o Paraguai, sendo que o Brasil está precisando ser ajudado do ponto de vista da oferta de vacinas, da produção de vacinas, e de princípios químicos que outros países poderiam ter exportado ao Brasil, como a China", diz Niemeyer.

A oferta de ajuda de Araújo foi feita nesta quarta-feira (17). O ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Euclides Acevedo, veio ao Brasil encontrar-se com o chanceler brasileiro e com o presidente Jair Bolsonaro, justamente para pedir ajuda para combater a COVID-19 no país vizinho.

Assim como no Brasil, a vacinação no Paraguai segue em ritmo consideravelmente lento. Segundo números oficiais do governo paraguaio, 12.451 pessoas foram vacinadas no país – o que corresponde a cerca de 0,18% da população de quase sete milhões de pessoas do Paraguai.

Tanto Brasil, que vacinou 5,06% da população, como Paraguai estão bastante atrás do Chile, país com a vacinação mais avançada na América do Sul, com quase 30% da população já vacinada. Niemeyer observa que, de maneira geral, a vacinação em escala global tem respeitado a hierarquia internacional: países mais ricos (como Estados Unidos, China e nações europeias) lideram as vacinações, assim como os países mais influentes regionalmente. Desta forma, o Brasil poderia ajudar os vizinhos da América do Sul, não fosse o caos sanitário por que passa o país.

"Países do Mercosul até podem no futuro ser ajudados pelo Brasil, mas não acredito, porque o Brasil vai se atrasar na vacinação", avalia o cientista político.

Manifestações e turbulência política no Paraguai

Revoltados com a gestão do governo frente à pandemia, milhares de paraguaios foram às ruas protestar contra o presidente Mario Abdo Benítez no início de março. O então ministro da Saúde, Julio Mazzoleni, renunciou ao cargo no dia 5 de março.

Nesta segunda-feira (15), o governo do país anunciou restrições de circulação para frear o crescimento da contaminação no país. Entre outras medidas, as aulas presenciais foram suspensas e a circulação de pessoas está limitada das 20h às 5h em 24 cidades da chamada zona vermelha.

© AP Photo / Jorge SaenzEm Assunção, no Paraguai, funcionários do Instituto de Doenças Respiratórias e Ambientais (Ineram) e parentes de pacientes protestam contra a falta de insumos contra a COVID-19, em 4 de março de 2021
Araújo oferece ajuda com vacinas ao Paraguai: 'O Brasil está precisando ser ajudado', diz analista - Sputnik Brasil, 1920, 18.03.2021
Em Assunção, no Paraguai, funcionários do Instituto de Doenças Respiratórias e Ambientais (Ineram) e parentes de pacientes protestam contra a falta de insumos contra a COVID-19, em 4 de março de 2021

Por conta da efervescência política e sanitária no Paraguai, Niemeyer opina que a oferta de ajuda brasileira pode ter também uma simbologia diplomática.

"De repente a chancelaria brasileira achou que a promessa de ajudar o Paraguai ajudaria os paraguaios a acalmarem os ânimos. Mas não faz sentido, porque o Brasil está com carência tanto de vacinas como de produtos para produção de vacina. Do ponto de vista da vida real, já que vivemos aqui uma catástrofe, é uma demanda estranha do Paraguai, como a resposta brasileira também é estranha", avalia o cientista político.

O especialista alerta ainda para a possibilidade de o Paraguai ser "um laboratório para o futuro". Segundo Niemeyer, o contexto da pandemia pode fazer com que situação semelhante de insatisfação popular seguida por manifestações generalizadas ocorram em "outros países da América do Sul, inclusive o Brasil, até mesmo em outros países do mundo".

Atualmente, o Paraguai está com 185 mil infecções confirmadas e pouco mais de 3,5 mil óbitos causados pela COVID-19.

© REUTERS / Cesar OlmedoManifestantes protestam contra o governo de Mario Abdo Benitez, no Paraguai, no dia 5 de março de 2021
Araújo oferece ajuda com vacinas ao Paraguai: 'O Brasil está precisando ser ajudado', diz analista - Sputnik Brasil, 1920, 18.03.2021
Manifestantes protestam contra o governo de Mario Abdo Benitez, no Paraguai, no dia 5 de março de 2021
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