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COVID-19: herança neandertal em cromossomo diminui necessidade de terapia intensiva, diz estudo

© AP Photo / Martin MeissnerReconstrução de neandertal que habitou Eurásia em um período entre 400 mil e 40 mil anos, exibida no Museu Neandertal em Mettmann, Alemanha
Reconstrução de neandertal que habitou Eurásia em um período entre 400 mil e 40 mil anos, exibida no Museu Neandertal em Mettmann, Alemanha - Sputnik Brasil, 1920, 17.02.2021
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Novo estudo revelou que os humanos modernos não herdaram de neandertais apenas a predisposição genética para a COVID-19 grave, mas também um fator que reduz a necessidade de terapia intensiva.

No ano passado, os cientistas descobriram que um gene herdado de nossos ancestrais neandertais aumenta as chances de desenvolvimento de falência respiratória e até de morte do paciente. No entanto, o novo estudo mostrou como os genes contribuem para nossa proteção contra o vírus.

Os cientistas descobriram que os humanos modernos receberam dos neandertais uma região no 12º cromossomo. Esta parte do cromossomo reduz em cerca de 20% o risco da necessidade de terapia intensiva durante infecção com novo coronavírus, de acordo com o estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Genes particulares nesta região, chamados OAS, regulam a atividade de uma enzima que quebra genomas virais. Ou seja, a região codifica proteínas que ativam enzimas que são cruciais no combate contra infecções com vírus de RNA.

Os pesquisadores descobriram que em pessoas que possuem a variante neandertal da enzima o mesmo combate contra as infecções é realizado de forma mais eficiente, o que reduz a necessidade da terapia intensiva durante infecção com o coronavírus em 20%.

Como comentou o pesquisador Hugo Zeberg, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, Alemanha e do Departamento de Neurologia do Instituto Karolinska, Suécia, esta herança é uma faca de dois gumes.

"Isto mostra que nossa herança dos neandertais é uma faca de dois gumes quando se trata de nossa resposta ao SARS-CoV-2. Eles nos deram variantes pelas quais podemos os amaldiçoar e agradecer", disse Zeberg.

Cerca da metade da população fora da África tem a variante protetora do gene dos neandertais, segundo o doutor Svante Paabo, diretor no Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva.

"Também é impressionante que duas variantes genéticas herdadas dos neandertais afetam os resultados da COVID-19 em direções opostas. Hoje seu sistema imunológico nos afeta obviamente de forma positiva e negativa simultaneamente", segundo Svante Paabo.

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