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Vacinação em massa no Brasil: 'Nossa situação atual é de dependência', diz especialista

© Folhapress / Bruno EscolásticoEm São Paulo, uma dose da vacina contra a COVID-19, Coronavac, é exibida em 30 de setembro de 2020
Em São Paulo, uma dose da vacina contra a COVID-19, Coronavac, é exibida em 30 de setembro de 2020 - Sputnik Brasil
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Jair Bolsonaro celebrou ontem (25) em suas redes sociais a informação da embaixada chinesa de que 5,4 mil litros de insumos para a vacina CoronaVac serão enviados ao Brasil até 3 de fevereiro. O que na prática isso representa? Especialista em doenças infecciosas, Alessandro Pasqualotto explicou à Sputnik Brasil.

O governo de São Paulo anunciou que a matéria-prima para a fabricação da CoronaVac vai chegar na quarta-feira (3) da semana que vem, o suficiente para quase nove milhões de doses. O desembarque dos insumos deve acontecer com quase um mês de atraso. Eles deveriam ter chegado da China no dia 6 de janeiro.

O contrato entre o Instituto Butantan e a Sinovac previa um lote de 11 mil litros, mas, a pedido da fabricante chinesa, a remessa foi divida em duas.

O presidente Jair Bolsonaro celebrou na última segunda-feira (25) a chegada do material da China. Segundo ele, os insumos já estão em área aeroportuária "para pronto envio".

O episódio envolveu, no último dia 22, até mesmo uma chamada telefônica do brasileiro com o presidente da China, Xi Jinping. Bolsonaro teria orientado que o Ministério de Relações Exteriores do Brasil tentasse realizar uma conversa com as autoridades em Pequim.

Ainda no dia 25, Yang Wanming respondeu ao presidente do Brasil na mesma rede.

​Enquanto o Brasil, em especial o instituto Butantan, depende da liberação de uma nova remessa de insumos da China para retomar o envase de doses da CoronaVac em São Paulo, a Sputnik Brasil conversou com o professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Alessandro Pasqualotto, para compreender o cenário de vacinação em massa no Brasil, assim como a importância dos recursos enviados pela China.

Para Pasqualotto, "o que são 5.400 litros de ingredientes farmacêuticos ativos? Eu não sei. Eu não sei quanto disso é usado para cada unidade de vacina. Ao invés de informar os 5.400 litros, o governo deveria informar quantas vacinas efetivamente vão se fazer a partir desse material. Porque do contrário não há como compreender o que significa esse volume todo. Aparentemente, pelo o que diz a mídia, isso é o suficiente para 8,5 milhões de doses da CoronaVac".

© Folhapress / Pedro LadeiraMilitares desembarcam lote da vacina Coronavac no Distrito Federal
Vacinação em massa no Brasil: 'Nossa situação atual é de dependência', diz especialista - Sputnik Brasil
Militares desembarcam lote da vacina Coronavac no Distrito Federal

O professor ainda relembrou que, em razão do tamanho da população do estado de São Paulo, os insumos enviados pela China podem ser insuficientes.

"A população de São Paulo é muito maior do que esta [quantidade de vacinas], ainda mais se considerarmos que são duas doses. Infelizmente, o Brasil não produz uma vacina. Muito é enunciado que é a vacina do Butantan, a vacina da Fiocruz, mas isso é só envasado no Brasil. Tudo vem de fora. E o Brasil está hoje dependendo da boa vontade diplomática de seus parceiros comerciais, em especial a China e a Índia, e outros fabricantes pelo mundo afora. Nossa situação atual é de dependência", afirmou.

© Folhapress / Edmar Barros / Futura PressCaminhões com carregamento de oxigênio chegam a Manaus
Vacinação em massa no Brasil: 'Nossa situação atual é de dependência', diz especialista - Sputnik Brasil
Caminhões com carregamento de oxigênio chegam a Manaus
Vacinação em massa

Pasqualotto explicou que, "para os grupos prioritários, profissionais da Saúde, idosos, mesmo acima de 75 ou 70 anos, e indígenas, possivelmente esta quantidade seja o suficiente. Mas a demanda é muito maior".

Em uma previsão, ele afirmou que "para que a vacina efetivamente reduza a transmissão da doença, vai ter que ocorrer um momento onde mais da metade de toda população esteja vacinada. Então é muito possível que passemos todo ano de 2021 ainda na expectativa de algumas pessoas serem vacinadas".

© ©Acervo PessoalA enfermeira Mariana Gigante exibe, orgulhosa, comprovante de vacinação contra coronavírus do SUS. Ela foi imunizada no Hospital Universitário Antônio Pedro, em Niterói
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'Isolamento social deve ser mantido'

Em meio à possibilidade do Brasil chegar ao fim de 2021 sem uma campanha de vacinação, o especialista em doenças infecciosas fez um alerta: "vejam que interessantes os dados dos estudos das vacinas. As pessoas não adoecem de modo grave, e elas não morrem de COVID-19. Mas muitas delas, quando pegam a COVID-19, a chance é reduzida de ter doença, mas pode ter doença leve, e pode ter doença muito leve ou mesmo assintomática. Ou seja, muita gente vai continuar transmitindo a COVID-19 mesmo tendo a vacina".

"Por esse motivo, reforço: é muito importante que sigamos com as medidas de distanciamento social e o uso de máscaras. Especialmente o distanciamento, preferindo sempre ambientes abertos e ventilados. Até que metade da nossa população seja vacinada, nós precisaremos manter essas medidas para proteger as pessoas que gostamos", concluiu.
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